Agência do governo enfrenta duro desafio na batalha contra o terror

James Rosen
do McClatchy News Service
em McLean, Virgínia

Kevin Brock conduziu o visitante ao centro de operações do Centro Nacional de Contra-Terrorismo dos Estados Unidos.

Sirenes de teto de luz azul rodavam silenciosamente, indicando a presença de um estranho naquele que se parece com um estúdio de gravação muito grande e de ultra-alta tecnologia.

As sirenes vermelhas de teto estavam apagadas e quietas. Usadas para sinalizar uma crise, elas só entraram em ação uma vez desde que o centro foi aberto há um ano -em 7 de julho, quando terroristas explodiram três trens do metrô de Londres e um ônibus de dois andares, matando 52 pessoas.

Quando o caos estourou do outro lado do Atlântico naquele dia, dezenas de agentes da inteligência americana na sala de operações começaram a acessar os 26 bancos de dados altamente confidenciais de todo o governo e do exterior. Eles também fizeram contatos de emergência com a polícia e autoridades de segurança em Washington, Nova York, Boston e outras grandes cidades caso os ataques em Londres fossem parte de um plano terrorista mais amplo.

Como vice-diretor do Centro Nacional de Contra-Terrorismo em um subúrbio de Washington, na Virgínia, Brock ocupa um dos postos chaves em um governo pós-11 de setembro que está sempre vigilante.

"Nós nunca conseguiremos conquistar o desconhecido totalmente, mas podemos chegar bem perto, e é isto o que estamos tentando fazer", disse Brock, que passou grande parte de sua infância em Roseville, Califórnia, em uma entrevista. "Nós estamos altamente motivados e temos um medo saudável do desconhecido."

Quando não está "desativado" para uma visita, o centro de operações exibe em telas ao longo de suas paredes a atual "matriz de ameaça terrorista", mostrando alvos potenciais, indivíduos suspeitos ou grupos ameaçados e as ações tomadas para impedir ataques.

Monitores de computador em grandes mesas ovais às vezes exibem "relatórios de situação" secretos, contendo detalhes de todos as possíveis atividades perigosas nas últimas 12 horas. Analistas nas mesas lêem "conversas de inteligência" brutas que são transmitidas pelos 26 canais de dados ou checam telefones suspeitos em busca de possíveis elos.

Em 1987, quando o agente Brock do FBI se mudou para Los Angeles para se juntar à primeira força-tarefa conjunta para terrorismo do país, Osama Bin Laden tinha a intenção de expulsar as tropas soviéticas do Afeganistão e sua rede Al Qaeda mal aparecia nas telas de radar das agências de inteligência americanas.

Agora, mais de quatro anos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 realizados por agentes da Al Qaeda, Brock está na dianteira do esforço do governo para desmontar o grupo terrorista e impedir novos ataques.

"Nada é garantido", disse ele. "Nós nos sentimos muito confiantes de que fizemos grandes coisas para ferir aquela organização e reduzir sua capacidade. Mas nós estaremos enganando a nós mesmos se acharmos que podemos dizer com absoluta certeza que impedimos toda e qualquer ameaça possível."

O presidente Bush autorizou o centro por meio de ordem executiva em agosto do ano passado, um mês depois da comissão que investigava os ataques de 11 de setembro ter pedido sua criação para realizar "planejamento operacional conjunto e inteligência conjunta, composta por pessoa de várias agências (de inteligência, segurança e militares)". O Congresso codificou a ordem de Bush em dezembro passado como parte da ampla legislação que reestruturou o aparato de espionagem do país e estabeleceu o posto de diretor nacional de inteligência.

A meta do Centro Nacional de Contra-Terrorismo é eliminar o que a comissão de 11 de setembro e o Congresso consideraram o principal motivo para os Estados Unidos terem fracassado em impedir os ataques: a "desconexão" de dados de inteligência dentro do governo e o fracasso de diferentes agências em compartilhar informação.

A principal missão do centro é coordenar a análise de inteligência ligada a terrorismo por todo o governo e acelerar seu intercâmbio. Para ajudar a implementar tal missão, agentes e diretores de 15 serviços de inteligência do governo trabalham no centro.

Aprendendo os métodos uns dos outros, explicando as culturas das diferentes agências, acessando bancos de dados separados -os agentes rompem antigas barreiras e constróem a primeira interseção real do governo de dados vitais de terrorismo.

Um grande tapete de boas-vindas dentro da entrada principal do centro exibe as palavras "Travessia da Liberdade" para registrar tal missão de cooperação e o tesouro que está dedicada a proteger.

Brock, 51 anos, foi nomeado vice-diretor do centro de contra-terrorismo no mês passado, trazendo consigo uma carreira de 23 anos no FBI com passagens por Albuquerque, no Novo México, Los Angeles, Seattle, Detroit e Cincinnati, e três cargos no quartel-general do FBI em Washington.

Como chefe do escritório de campo do birô em Cincinnati, Brock supervisionou o caso que levou à prisão e condenação de Iyman Faris, o motorista de caminhão ligado à Al Qaeda que planejava cortar os cabos da Ponte do Brooklyn.

"Kevin é um diretor inteligente, extraordinariamente talentoso, que tem um entendimento muito sofisticado da ameaça terrorista", disse o almirante aposentado Scott Redd, o diretor do centro. "Ele realmente reconhece a importância e o valor da colaboração na luta contra o terrorismo."

A perícia de Brock teve início em casa. Seu pai, David Brock, trabalhou para o FBI por 10 anos. O pai de Brock disse ter ficado um tanto pasmo em ver seu filho seguir seus passos, então superar em muito sua carreira e chegar a tal posto doméstico chave na guerra contra o terror.

"É muito gratificante", disse David Brock. "Eu não estou surpreso, mas muito contente e um tanto orgulhoso. Eu imagino as dificuldades que ele enfrenta em seu cargo."

Apesar da enorme responsabilidade que o cargo acarreta, David Brock disse que não se preocupa com seu filho.

"Ele não se deixa abalar com facilidade", disse David. "Ele tem ambos os pés no chão, uma família boa e grande e uma forte fé (católica)."

David Brock planejava passar toda sua carreira no FBI, mas Kevin e sua irmã Pamela sofriam na infância de uma severa asma provocada por ambrósia. Após pesquisar áreas com pouca exposição a ambrósia, Brock se mudou com sua família para Sacramento, em 1964, e iniciou uma nova carreira como gerente financeiro da Merrill Lynch.

Os pais, irmão e quatro irmãs de Brock ainda moram na área de Sacramento. Na região de Washington, Brock agora tem uma grande família própria. Sua esposa educou em casa todos seus oito filhos. Duas outras crianças morreram, uma nascida morta e outra vítima jovem da Síndrome da Morte Súbita Infantil.

No Centro Nacional de Contra-Terrorismo, Brock disse que se sente privilegiado em ocupar tal cargo em um momento tão importante da história do país. Ele vê como uma de suas principais tarefas o desmonte da parede de informação tradicional entre os agentes de inteligência do governo, concentrados no monitoramento dos bandidos. e promotores que visam capturá-los e levá-los à Justiça.

"Ainda há disputas territoriais", disse ele. "Ainda há pessoas que retêm a informação e não compartilham. Mas o grau com que isto tem mudado é notável. Nós arruinaremos um caso (criminal) antes de nos agarrarmos a uma informação de ameaça (terrorista). Nós já tomamos tal decisão." George El Khouri Andolfato

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