Bush detalha saída das tropas dos EUA no Iraque

James Rosen
McClatchy News Service
Em Washington

Nesta quarta-feira (04/01), o presidente Bush forneceu seus primeiros números específicos para a redução de tropas americanas no Iraque e esboçou uma mudança na missão militar naquele país ao longo do próximo ano.

Em um discurso separado, o vice-presidente Dick Cheney defendeu a controvertida iniciativa de vigilância doméstica, dizendo que ela poderia ter ajudado a impedir os ataques de 11 de setembro caso tivesse sido implementada antes.

Após se reunir com o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e participar de uma teleconferência com seus principais comandantes militares no Iraque, Bush disse que o Pentágono está removendo 20 mil soldados enviados no final do outono para reforçar a segurança para as eleições de 15 de dezembro.

Tal redução deixará o número de soldados no Iraque no patamar pré-eleição de 138 mil, disse Bush, e mais duas brigadas -totalizando vários milhares de soldados- serão retiradas nos próximos meses. Os 135 mil soldados remanescentes no Iraque representarão o número mais baixo desde o verão de 2004.

"Os comandantes determinaram recentemente que nós podemos reduzir nossas forças de combate no Iraque de 17 para 15 brigadas", disse Bush no Pentágono. "E o motivo para poderem fazê-lo é porque os iraquianos estão mais capacitados. O ajuste está em curso. Este ajuste resultará em um decréscimo líquido de vários milhares de soldados abaixo do patamar pré-eleição de 138 mil soldados americanos no Iraque."

Bush também anunciou o plano de retirar forças militares americanas do Afeganistão -que, juntamente com o Iraque, ele chamou de "as duas principais frentes nesta guerra contra o terror"- dizendo que o número de soldados americanos cairá de 19 mil para 16.500 neste ano, com 6 mil soldados adicionais da Otan preenchendo a lacuna.

Bush, que está sob pressão dos legisladores democratas para desenvolver uma estratégia de saída do Iraque, disse que maiores reduções de tropas americanas serão possíveis mais adiante no ano se os iraquianos continuarem fazendo progresso na defesa do país e na formação de um governo.

"Mas minhas decisões serão baseadas nas condições em solo e na recomendação de nossos comandantes, não baseadas em prazos políticos falsos em Washington, D.C.", disse Bush. "Eu não vou permitir que a política atrapalhe a coisa certa a se fazer no Iraque e o povo americano precisa entender isto."

A deputada Nancy Pelosi, da Califórnia e líder democrata na Câmara, acusou Bush de não ter sido sincero com os americanos sobre o Iraque.

"O presidente Bush também fracassou em admitir que a falta de um planejamento pós-guerra no Iraque permitiu que os rebeldes continuassem sendo uma ameaça quase três anos após a invasão", disse Pelosi. "Nós não estamos onde deveríamos estar no início de mais um ano de guerra no Iraque e no Afeganistão. Nossas tropas e o povo americano seriam melhor servidos se o presidente entendesse isto e apresentasse um plano real para o sucesso."

Mas Bush descreveu uma evolução da missão militar no Iraque. As tropas americanas se envolverão em menos combate direto, ele disse, e se concentrarão mais em fornecer logística, comunicações e outras formas de apoio aos soldados iraquianos.

"Mais de nossas forças se dedicarão a treinar e apoiar as unidades iraquianas", disse Bush. "No próximo ano, nós continuaremos a nos concentrar em ajudar os iraquianos a melhorar sua logística e capacidade de inteligência, de forma que mais unidades iraquianas possam travar combate e sustentar a si mesmas em combate."

Os comandantes americanos também expandirão para a polícia iraquiana a estratégia que Bush disse que provou ser bem-sucedida no treinamento de soldados iraquianos. As forças de Operações Especiais dos Estados Unidos e outros oficiais altamente treinados serão inseridos na polícia iraquiana, disse Bush, a treinando em direitos humanos, respeito pela regra da lei e outros elementos básicos da democracia.

Os membros vigilantes, na maioria muçulmanos xiitas, de algumas forças policiais e de segurança iraquianas foram acusados de promover assassinatos por vingança contra muçulmanos sunitas, cuja seita minoritária governou o Iraque sob o ditador deposto Saddam Hussein. E as forças do Ministério do Interior iraquiano dirigiam prisões secretas recém descobertas, onde os presos sofriam abusos.

Sem citar tais casos específicos, Bush disse que "relatos recentes de abusos por parte de algumas unidades da polícia iraquiana são preocupantes e tal conduta é inaceitável".

Bush proclamou as eleições do mês passado de um governo permanente no Iraque como sendo um divisor de águas, apesar de ter dito que levará tempo para que as chapas dos candidatos vitoriosos formem coalizões e escolham líderes de governo. Ele disse que as forças iraquianas tiveram um maior papel na garantia da segurança naquela data do que na votação de dois meses antes, e que os muçulmanos sunitas participaram em grande número após o boicote da votação anterior.

Citando números de seus comandantes militares, Bush disse que 215 mil soldados e policiais iraquianos forneceram segurança na eleição, em comparação a 85 mil na votação de 11 meses antes para o governo temporário.

Apesar de alertar que "ainda haverá violência" no Iraque, Bush disse que "os rejeicionistas, os saddanistas e os tipos da Al Qaeda estão se tornando cada vez mais marginalizados" no país.

"Assim, em 2006, a missão será continuar a transferir mais e mais território, mais e mais responsabilidade, para as forças iraquianas", disse Bush.

Falando poucas horas depois de Bush, na Fundação Heritage em Washington, Cheney disse que o comparecimento do eleitor iraquiano foi significativamente maior no mês passado do que durante as duas votações anteriores.

Em 15 de dezembro, 70% dos eleitores aptos votaram, disse Cheney, em comparação a 59% um ano atrás e 63% no referendo constitucional, em outubro.

"Um dia após o outro, um mês após o outro, os iraquianos provaram sua determinação de viver em liberdade, de traçar seu próprio destino, de defender seu país", disse Cheney. "E eles sabem que os Estados Unidos manterão seu compromisso com eles. Nós teremos sucesso nesta missão e, quando for concluída, nós seremos um país mais seguro."

Cheney pediu ao Congresso que renove a vigência da Lei Patriota, dizendo que ela "tem nos ajudado a impedir a atividade terrorista, a desbaratar células terroristas dentro dos Estados Unidos e a proteger as vidas dos americanos".

Cheney defendeu fortemente a decisão de Bush, logo após os ataques de 11 de setembro, de autorizar a Agência de Segurança Nacional a grampear os telefonemas internacionais entre pessoas nos Estados Unidos e suspeitos de terrorismo no exterior.

"Não há comunicações mais importantes para a segurança dos Estados Unidos do que as ligadas à Al Qaeda em que uma parte está nos Estados Unidos", disse Cheney. "Se pudéssemos ter feito isto antes de 11 de setembro, nós poderíamos ter pego dois dos seqüestradores que arremessaram um avião contra o Pentágono. Eles estavam nos Estados Unidos se comunicando com associados da Al Qaeda no exterior. Mas não tínhamos conhecimento do que estavam planejando aqui até ser tarde demais." Pentágono pretende remover 20 mil soldados enviados ao país no final do outono para reforçar segurança durante eleição legislativa George El Khouri Andolfato

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