Não haverá um 8º mandato para "The West Wing"

Melanie McFarland
Seattle Post-Intelligencer
Em Seattle, Washington

Nem presidentes de ficção conseguem escapar das limitações de mandato.

Esta é uma forma reconhecidamente irascível de resumir o término de "The West Wing" em maio. Outra é simplesmente dizer que Jed Bartlet (Martin Sheen) e sua equipe nos conduziu por uma jornada agitada por alguns anos, alguns melhores que outros, e cada um com sua cota de controvérsia e escândalo. Tranqüilidade não é algo que funciona na política do horário nobre [a série é apresentada no Brasil pelo canal pago Warner].

NBC/The New York Times 
Martin Sheen é o popular presidente democrata dos EUA; última temporada da série gira em torno de sua sucessão
Sem dúvida, nos próximos meses muitas comparações serão feitas entre uma carreira política bem-sucedida e os sete anos no ar de "The West Wing". A série obteve elogios da crítica, foi inundada de citações e inspirou a fé e devoção de milhões. E o drama fez o que todos os políticos dizem que é essencial para sobrevivência e sucesso: atraiu dinheiro.

Em sua temporada de audiência mais baixa, "The West Wing" ainda possui o público de mais alta renda na televisão. A renda anual média do fã da série passa de US$ 75 mil, segundo pesquisas. A NBC se gabou disto por anos.

Mas como qualquer político esperto sabe, quando seus números se tornam desfavoráveis, e quando um participante-chave parte, é hora de abrir mão de sua cadeira.

O presidente de entretenimento da NBC, Kevin Reilly, anunciou oficialmente no domingo que "The West Wing", vencedora de 25 prêmios Emmy (o Oscar da televisão), dois prêmios Golden Globe e mais prêmios do que nos importamos em listar aqui, terminará em 14 de maio. A NBC planeja lhe dar uma despedida padrão, com uma retrospectiva de uma hora às 19 horas, seguida pelo último episódio às 20 horas.

Isto significa muitas coisas para muitos espectadores, e certamente a morte de John Spencer teve um papel importante na decisão da NBC. Allison Janney, a estrela da série, disse que parecia muito orgânico fechar o Escritório Oval da NBC.

"Eu não consigo imaginar fazê-la sem ele. Ele era um dos papéis mais importantes da série para todos nós em muitos níveis diferentes", ela disse aos críticos no domingo.

Mas para aqueles entre nós que apreciam as contribuições do drama ao mesmo tempo em que balançam a cabeça pelo fato de ter conquistado Emmys por série dramática por quatro anos consecutivos --imerecidamente em pelo menos dois deles-- seu fim é uma espécie de alívio. Os velhos eleitores do Emmy serão forçados a encontrar algo mais novo, mais digno e mais inovador para premiar.

Por ora, tal honra não irá para "Commander in Chief" da ABC, a série de grande audiência da temporada 2005-2006, que é bem mais vazia que "The West Wing". Ainda assim, mesmo com a queda na audiência da série da ABC após o Natal, Geena Davis como presidente atraiu mais espectadores em uma noite anunciada de reprise, mais de 11 milhões, do que seu par da NBC conseguiu para a série em toda a temporada, ocupando até o momento a posição de 15º programa mais assistido, rivalizando o governo Bartlet em seu auge.

Mas "Commander" ainda não passou toda uma temporada sem enfrentar problemas. "The West Wing" suportou grande parte de uma década, com um pico criativo próximo de seu fim. Isto deve servir como consolo. Empurrada pela campanha acirrada entre o senador republicano Arnold Vinick (Alan Alda) e o deputado democrata Matt Santos (Jimmy Smits), "The West Wing" passou a ser menos sobre o último ano ineficaz de Bartlet no governo e mais sobre se seu sucessor dará continuidade ao seu sonho.

Daqui anos, nós a consideraremos uma série inovadora que partiu enquanto tinha dignidade suficiente para tornar seu fim honroso. E esta é uma validação suficiente para o produtor executivo John Wells.

"A série tem celebrado desde o início a força notável da democracia americana, e parte disto é a transferência pacífica de poder de um líder para outro", disse Wells aos repórteres. "E nós achamos que esta é uma forma realmente maravilhosa de encerrar a série, sua história. Assim, à medida que os números começaram a cair, nós começamos a pensar em concluir a série em seu local natural."

"The West Wing" atingiu seu apogeu na terceira temporada, quando o criador Aaron Sorkin e o produtor executivo Thomas Schlamme supervisionavam uma equipe de redatores que produzia diálogos excelentes que lhe prendiam pelo ouvido por uma hora a cada semana. Aquela temporada apresentou em média 17 milhões de espectadores, segundo uma reportagem da agência de notícias "Reuters".

Então, "The West Wing" começou a seguir para o sul. Primeiro, Rob Lowe partiu devido a uma disputa salarial, depois Sorkin e Schlamme partiram, deixando as rédeas aos cuidados de Wells.

Wells, cuja influência continua guiando "ER" (Plantão Médico), mudou o foco de correria urgente para histórias mais longas e mais profundas, o que exigiu algum tempo para habituação. Alguns fãs nunca se acostumaram, verdade seja dita.

Infelizmente, quando a série recuperou seu equilíbrio, o que aconteceu na metade da última temporada, ela já tinha entrado em território de risco. Sua mudança pela NBC das quartas-feiras para os domingos, às 20 horas, nesta temporada, apenas acelerou o êxodo dos espectadores. A temporada teve início com cerca de 7,6 milhões de espectadores e tem se mantido assim.

Então Spencer morreu de ataque cardíaco em dezembro, deixando um buraco na série. Seu personagem, Leo McGarry, está em mais dois episódios, em um dos quais ele aparece e outro em que é mencionado, antes da série tratar de sua morte. A série volta em 12 de março.

Wells indicou que a eleição será decidida durante os episódios de 2 e 9 de abril, com a posse ocupando o centro das atenções no episódio final. Wells sabe quem vencerá, mas não dá nenhuma dica.

Para Sheen, ter sido o novo presidente destes Estados Unidos fictícios importa menos do que o que a série representou como um todo. "Independente de quem esteja no comando, o governo prossegue devido às pessoas que se importam com o país. E, francamente, esta foi a parte mais gratificante da série, o sentimento constante de que estávamos prestando um serviço", disse ele.

"Éramos uma fantasia, sem dúvida. Éramos como um romance. Mas as pessoas estavam lendo o romance e tendo boas idéias, o tipo de esperança, fé e confiança em sua liderança. E se deixarmos isto, eu acho que não podemos pedir mais. Tudo mais foi um grande presente --um grande presente especial." Série que mostra como funciona a Casa Branca acaba em maio George El Khouri Andolfato

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