Cirurgia oferece uma forma instantânea de obter abdome de "tanquinho"

Marsha Austin
Em Denver
Do The Denver Post

Esqueça todo aquele suor, os intermináveis exercícios abdominais que --vamos encarar os fatos-- provavelmente são uma tentativa sem esperanças de conseguir uma barriga dura feito rocha e marcada como um "tanquinho". Isso só acontece com os profissionais da musculação e os geneticamente dotados.

Jogue a toalha e abra a carteira.

O cirurgião plástico de Denver John Millard é pioneiro em uma nova técnica para os que querem pagar pela perfeição: abdomes esculpidos com a própria gordura do paciente.

"Isso é arte", disse Millard durante uma recente cirurgia. "Se pudesse, Michelangelo teria sido cirurgião."

Millard aprendeu o procedimento no final do ano passado, com um artista colombiano que se tornou cirurgião, Alfredo Hoyos. Millard desde então fez 19 das chamadas cirurgias de "liposeleção de alta definição".

Os cirurgiões alegam ser os primeiros no mundo a usar o procedimento cirúrgico cosmético mais popular dos EUA --a lipoaspiração-- não apenas como uma técnica de emagrecimento, mas de escultura extrema dos músculos.

Os pacientes que optam pelo procedimento em geral têm 5 a 7 kg acima de seu peso ideal, mas estão frustrados que, com a idade, seus corpos não mais respondem tão dramaticamente ao exercício, disse ele. O procedimento cirúrgico custa entre US$ 8.000 a US$ 15.000 (entre R$ 18.000 e R$ 35.000)

"Eles fazem tanto esforço para mostrar o que está por baixo daquela gordura e pele... eles merecem", disse Millard.

John O'Brien, 39, procurou Millard depois de passar pelo que descreveu como um divórcio doloroso. O'Brien, recrutador de uma empresa de instrumentos médicos, disse que freqüentava a academia quatro dias por semana e corria regularmente, mas não conseguia se livrar da barriga teimosa.

Ele disse que escolheu a cirurgia para reforçar a auto-estima e manter-se na forma que sentia estar perdendo com a idade. Uma semana após a cirurgia, O'Brien, cuja namorada costumava implicar beliscando sua barriga, disse que sua autoconfiança tinha aumentado cem vezes.

"Vou aparar meu gramado só de boné do Red Sox e sunga", disse O'Brien.

Abdominais instantâneos não implicam em permissão para deixar os exercícios e começar a comer qualquer coisa. Um paciente que ganha muito peso após a cirurgia vai perder a definição, disse Millard.

Kari Sellers, 44, foi a primeira paciente de Millard. Ela disse que sempre se exercitou e que passou a se alimentar melhor depois de sua cirurgia, em dezembro.

"Isso é para a pessoa que realmente se cuida", disse Sellers.

Desde o início dos anos 80, os cirurgiões plásticos usam a lipoaspiração para livrar o corpo dos clientes de gorduras indesejadas, retirando excessos como pneus e culotes. No início, a gordura era sugada por um tubo. Agora, muitos médicos, inclusive Millard, eliminam as células de gordura com ondas sonoras.

A lipoaspiração tradicional pode acentuar os músculos que estavam escondidos pela gordura. No entanto, no final dos anos 90, alguns cirurgiões plásticos começaram a "esculpir a barriga", usando a gordura para desenhar um abdome super tonificado.

Millard e Hoyos, porém, dizem ser os únicos usando a técnica para criar definição nos peitorais dos homens e nádegas das mulheres, com a estrutura muscular subjacente. Os dois também estão experimentando a lipoaspiração de braços e pernas, disse Millard.

As técnicas cirúrgicas não seriam possíveis sem os recentes avanços nos instrumentos de lipoaspiração que permitem a remoção muito mais precisa da gordura, acrescentaram.

O físico de Colorado William Cimino recebeu aprovação da Administração de Alimentos e Medicamentos em 2002 para um instrumento cirúrgico que utiliza ondas de ultrassom para romper o tecido de gordura sem danificar os nervos ou o tecido conjuntivo. Cimino disse que começou a trabalhar com o ultrassom para atacar tumores de cérebro em crianças.

Por que não malhar?

"A maior parte das pessoas não tem tempo... e a maior parte retém gordura", disse Millard. "Fiz cirurgias em corredores de maratona que não conseguiam se livrar de seus pneus."

Apesar dos avanços tecnológicos, a lipoescultura ainda é um procedimento médico e não deve ser tratada com a mesma casualidade que se visita um salão de estética, erro que muitos pacientes fazem, disse Virginia Blum, professora da Universidade de Kentucky e autora de "Flesh Wounds: The Culture of Cosmetic Surgery" (feridas na carne: a cultura da cirurgia cosmética).

Blum disse que o conceito de se submeter à faca para criar músculos falsos a partir da gordura mostra como os americanos estão fora de contato com a realidade e com os riscos da cirurgia.

"A idéia de que você pode fazer uma coisa ruim se tornar boa (é estranha) --como se todas as batatas fritas fossem formar sua barriga desenhada, em vez de acumularem nas suas coxas", disse Blum. "Para parecerem saudáveis, eles estão colocando seu corpo em risco."

Millard disse que usa procedimentos e instrumentos que reduzem dramaticamente a dor, o inchaço e o sangramento excessivo, sintomas das técnicas mais antigas de lipoaspiração.

A lipo se tornou um conserto rápido e relativamente indolor para muitos americanos.

Quase metade de todos os pacientes de cirurgia plástica cosmética tem entre 35 e 50 anos, e a lipoaspiração está em primeiro lugar nesta faixa etária, de acordo com a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos. E a demanda está aumentando. Em 2004, a lipoaspiração foi a mais comum de todas as cirurgias plásticas cosméticas, com 324.891 registros.

"Acho que as pessoas não entendem como é difícil quando você faz 40 anos", disse O'Brien, cuja cirurgia abdominal durou cerca de quatro horas. O'Brien começou a preparação para sua cirurgia no dia 19 de janeiro, nu perto de sua cama, fazendo flexões enquanto Millard desenhava com marcadores multicoloridos as linhas onde esculpiria os nos novos "músculos" de O'Brien.

Na sala de cirurgia, Millard fez várias pequenas incisões sob os mamilos de O'Brien e ao longo do torso. Esses foram os únicos cortes. Millard então inseriu um tubo de 30 cm de metal sob a pele de O'Brien e começou a movimentar para frente e para traz como um minúsculo aspirador de pó. Logo, os pneus de O'Brien começaram a desaparecer. Duas horas depois, seus peitorais emergiram, enquanto Millard continuava a mexer seu instrumento de metal pela pele.

Mais tarde, Millard "esculpiu" os abdominais de O'Brien com os depósitos de gordura que restavam.

"O que deixo é tão importante quanto o que tiro", disse ele. "Estou esculpindo de dentro para fora."

Naquela noite, O'Brien, ainda sonolento, voltou para casa. Seis dias depois, estava trabalhando, impressionado com o que emergiu de seu corpo inchado e machucado após a cirugia.

"É inacreditável", disse ele. "É como seu eu estivesse olhando uma daquelas armaduras de gladiador ou uma fantasia de Batman, com aquelas placas peitorais."

O procedimento tem seus críticos. Gerald Pitman, professor de cirurgia da Universidade de Nova York, disse que um dos maiores problemas com esse tipo de técnica é que os pacientes ficam com uma aparência pouco natural.

"Sempre tive melhores resultados reduzindo a gordura igualmente e deixando a própria musculatura do paciente aparecer", disse Pitman.

Sellers disse que o físico pós-cirúrgico parece mais real para ela do que aquele que a natureza lhe dera. "Minha barriga não combinava com o resto do corpo", disse Sellers. "Sou pequena e faço exercícios cinco dias por semana, por duas horas, e como muito bem. Independentemente do que eu fizesse, não me livrava da minha barriga." Deborah Weinberg

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