Como Mariah recuperou seu balanço

Rachel Leibrock
do The Sacramento Bee
em Sacramento, Califórnia

Não chame de uma volta -Mariah Carey esteve presente o tempo todo. Mas certamente não pareceu assim. Afinal, já se passaram quase cinco anos desde que Mariah sofreu uma série de reveses frustrantes, tanto pessoais quanto profissionais.

Foi uma queda humilhante para a natural de Long Island que ganhou fama com o álbum de estréia de 1990, que gerou quatro sucessos que atingiram o primeiro lugar nas paradas. Mesmo seu divórcio em 1998 de Tommy Mottola, o presidente da Sony Records -fato que fez Mariah se desligar da gravadora e ingressar na Virgin Records- fez pouco para arranhar sua imagem na época.

Mas em agosto de 2001, Mariah sofreu um colapso público (incluindo postagens em seu site na Internet na qual implorava aos seus fãs que fechassem sua produtora) que resultou na hospitalização da cantora por "exaustão".

Um mês depois, os críticos e o público arrasaram o filme de estréia de Mariah, "Glitter -O Brilho de uma Estrela". A trilha sonora do filme também não se saiu bem e levou Mariah a ser demitida da Virgin. O álbum seguinte, "Charmbracelet" de 2002, fez pouco para afastar a idéia de que Mariah já era.

Mas hoje a cantora de 35 anos está novamente desfrutando da aura reluzente de estrela. Seu mais recente álbum, "The Emancipation of Mimi", recebeu oito indicações para o Grammy, incluindo indicações para álbum do ano e melhor vocal pop feminino; seu mais recente primeiro lugar nas paradas, "Don't Forget About Us", a empatou com Elvis Presley em maior número de hits no topo das paradas.

Mas para alguns observadores, o mais recente sucesso de Mariah Carey não é uma surpresa. É o que disse a editora-chefe da revista "Vibe", Mimi Valdes. A cantora podia estar por baixo, explicou Valdes, mas ela nunca saiu de cena.

"Você pode chamar de retorno apenas porque os dois últimos álbuns de Carey não venderam tão bem quanto os anteriores", disse Valdes em uma entrevista por telefone de seu escritório em Manhattan. "Mas ela sempre teve esta voz fantástica e ela apenas precisava das pessoas certas para guiá-las nas canções."

Estas pessoas foram o chefe do selo Def Jam, Antonio "L." Reid e o empresário Benny Medina. Este é uma máquina de produzir sucessos conhecido pelo seu trabalho com Pink, Usher e OutKast. Medina também tem crédito por, entre outros feitos, dar à carreira musical de Jennifer Lopez uma dose saudável de credibilidade das ruas.

"Quando soube que ela estava trabalhando com L.A. e Benny eu fiquei empolgada", disse Valdes. "L. tem um retrospecto fantástico e este acordo deu a Mariah um grande apoio do sistema."

E é tudo o que ela precisava, disse Valdes, porque Mariah sempre teve talento, como seus verdadeiros fãs sabiam.

"Eles sempre torceram por ela, dizendo que 'sabemos que você voltará com outro grande álbum'", disse Valdes.

Talvez, mas para cada fiel seguidor havia outro que a odiava, pronto para chutar a garota enquanto ela estava caída.

Michael "Blue" Williams já viu isto antes.

"A sociedade americana eleva a pessoa ao status de superestrela e então, quando a pessoa perde o rumo, nós simplesmente abandonamos a pessoa", disse Williams, um empresário de Miami que tem como clientes OutKast e Trina.

Mas o mesmo público que rejeitou as transgressões da era "Glitter" de Mariah também foi rápido em perdoar e esquecer, ele acrescentou.

"Ela lançou dois discos ruins e foi colocada de lado", disse Williams. "Mas Janet Jackson também lançou alguns discos ruins e poderemos estar falando sobre sua 'volta' no ano que vem."

Tudo o que basta, ele disse, é um disco de qualidade.

"Mariah voltou ao básico e fez um grande álbum -até mesmo Bobby Brown poderia gravar um grande álbum e voltar a ser relevante", ele disse.

Talvez, mas "Mimi" é inegavelmente um disco moderno e que pega fácil. Leve no açúcar das baladas e pesado no balanço e faixas dançáveis ao estilo Beyoncé, ele apresenta participações e colaborações de Snoop Dogg, Nelly e The Neptunes.

Tais toques, disse Williams, foram cruciais para os esforços de Mariah para atrair o muito cobiçado público adolescente.

Assim como a habilidade de Mariah de usar a Internet como grande instrumento de marketing. Se a MTV ajudou a lançar a carreira da cantora no início dos anos 90, então a Internet recriou a estrela do vídeo para o século 21. Mariah provou ser um grande chamariz para os usuários jovens do Yahoo! Music quando o site estreou o vídeo de "Shake It Off" em julho de 2005.

"Mais de 2 milhões de pessoas assistiram ao vídeo durante as primeiras 24 horas online", disse Jay Frank, o chefe de programação e relações com as gravadoras do Yahoo. Segundo Frank, o Yahoo! Music conta com cerca de 25 milhões de usuários a cada mês.

E apesar de muitos dos que realizaram downloads serem meros bebês quando Mariah despontou como superestrela -a idade não significa nada na era online.

"Os canais de música de televisão podem ter pego o disco (de Mariah) e dito que ela ainda não era relevante (junto aos adolescentes), mas a Internet é uma promotora igualitária de oportunidades", disse Frank, acrescentando que o sucesso de Carey pode ser comparado ao do Green Day, a banda pop-punk que chegou ao sucesso em meados dos anos 90.

"Todos diziam: 'O Green Day está por aí há 12 anos -os adolescentes não os conhecem'. Mas o vídeo de 'American Idiot' ficou em primeiro lugar entre os jovens de 13 a 17 anos", disse ele. "O disco de Mariah apresenta uma situação semelhante e a Internet realmente ajudou a torná-la uma estrela de ponta novamente", disse Frank.

Mas também poderia ser argumentado que ela nunca deixou de ser uma estrela de ponta. Apesar de suas vendas terem caído em comparação aos seus esforços anteriores, "Charmbracelet" ganhou disco de platina (1 milhão de discos vendidos) e mesmo o ridicularizado "Glitter" ganhou disco de ouro, tendo vendido pouco mais de 500 mil unidades.

"Percepção é tudo", disse Valdes, a editora da "Vibe". "Mariah era vista como azarona porque os álbuns foram considerados fracassos."

Fracasso ou não, ela acrescentou, Mariah não precisaria promover um chamado retorno -afinal, a Virgin teria lhe pago US$ 28 milhões para romper seu contrato em 2002. Tal número se somou aos US$ 21 milhões que ela já tinha recebido da gravadora.

"Qualquer um teria dito, 'vou parar por aqui, não preciso continuar'", disse Valdes, acrescentando que Mariah teve "coragem" em se sujeitar à possibilidade de um maior escrutínio público.

Tal força emocional combinada com seu carisma persistente asseguram a Mariah Carey sua longevidade, disse Susan Blond, uma agente de publicidade de Nova York que teve a tarefa talvez infeliz de ajudar Mariah a promover "Glitter".

"Outros astros são igualmente talentosos, mas eles não têm a mesma qualidade dela -não são quentes", disse Blond.

"A certa altura ela esteve perdida, mas de alguma forma ela foi esperta o bastante para sair das situações ruins", ela acrescentou.

Agora, disse Blond, sejam quais forem os empreendimentos futuros de Mariah, o resultado será inegavelmente Mariah Carey.

"Ela ainda tem a voz, ela ainda é a garota mais sensual", disse Blond. "Agora ela conta com as pessoas certas e tem a confiança." George El Khouri Andolfato

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