Bush diz ter evitado atentado a arranha-céu de LA

James Rosen
McClatchy News Service
Em Washington

O presidente Bush deu novos detalhes na quinta-feira (9/2) sobre um complô da Al Qaeda para arremessar um avião comercial em um arranha-céu de Los Angeles, dizendo que foi desbaratado em 2002 com a ajuda de quatro outros governos. Bush descreveu o "complô da Costa Oeste", em que os terroristas usariam bombas em sapatos para explodir a porta da cabine do piloto, seqüestrar o avião e usá-lo para derrubar a US Bank Tower, no coração do distrito comercial de Los Angeles -chamada de Library Tower até 2003. Ao mesmo tempo, congressistas republicanos anunciaram planos para interromper seu programa de espionagem interna.

AFP 
O US Bank Tower, que Bush diz ter salvado, é o maior edifício da Costa Oeste dos Estados Unidos
"Não podemos deixar o fato de que os EUA não foram atacados nos quatro anos e meio desde 11 de setembro de 2001 nos dar a ilusão de que as ameaças à nossa nação desapareceram", disse Bush aos soldados da Guarda Nacional em Washington. "Não é assim."

Bush mencionou brevemente o complô da costa Oeste em outubro, entre um dos 10 que tinham sido evitados desde 11 de setembro, mas ele deu mais informações na quinta-feira.

Os assessores disseram que seu discurso não foi escolhido para angariar apoio público ao seu programa que permite grampos em ligações e mensagens internacionais de e para os EUA. Ele autorizou o programa logo após os ataques de 11 de setembro, mas sua existência só foi revelada ao público em meados de dezembro.

"O ponto do discurso do presidente era falar da cooperação internacional. Não era para ser um discurso sobre o programa de vigilância da NSA", disse Fran Townsend, assessora de segurança interna de Bush.

O prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, disse que foi apanhado de surpresa pelo relato dramático de Bush e que soube apenas quando viu o presidente na televisão ao se exercitar pela manhã.

"Fiquei impressionado que o presidente pudesse fazer esse (anúncio) em televisão nacional sem ter-nos informado desses detalhes pelos canais apropriados", disse o prefeito. Segundo ele, o plano fracassado demonstra que "Los Angeles precisa de mais fundos para proteger os bens da cidade". Ao mesmo tempo, ele assegurou aos moradores "que não há ameaças iminentes à cidade de Los Angeles".

O secretário de imprensa da Casa Branca, Scott McClellan, por sua vez, expressou surpresa com a reação do prefeito. "Meu entendimento era que tínhamos informado as autoridades da Califórnia e Los Angeles --ontem, eu acho-- que o presidente falaria sobre isso", disse McClellan. "E o que eu ouvi foi que houve grande apreciação por nossa notificação."

Townsend disse que o plano de atingir o prédio mais alto de Los Angeles --e o mais alto a oeste do Rio Mississippi-- ia fazer parte do ataque às duas costas em 11 de setembro, mas que Bin Laden modificou-o e concentrou-o em Nova York e Washington.

"Hoje entendemos que era difícil demais conseguir agentes suficientes para atacar as duas costas ao mesmo tempo", disse ela.

Khalid Sheikh Mohammed, kuaitiano de ascendência paquistanesa que teria planejado os ataques de 11 de setembro, também foi o cabeça do plano contra Los Angeles, de acordo com Bush e Townsend. Ele foi preso em março de 2003.

Mohammed, que tinha sido comandante de operações militares da Al Qaeda, juntou-se a outro terrorista, chamado Hambali, chefe de um grupo afiliado da Al Qaeda no sudeste asiático chamado Jemaah Islamiyah. Eles recrutaram quatro agentes para executarem o ataque à costa Oeste, disseram Bush e Townsend.

Bush disse que asiáticos foram selecionados no lugar de pessoas do Oriente Médio para atrair menos suspeitas. A célula foi ao Afeganistão em outubro de 2001, encontrou-se com Bin Laden, jurou lealdade e voltou à Ásia.

Mohammed treinou o líder da célula em técnicas de bomba de sapato no final de 2001 e início de 2002, disse Townsend. O líder foi preso em fevereiro de 2002, levando os outros membros da célula a acreditarem que o plano havia sido abortado. Mais tarde, eles também foram presos, disse ela.

Townsend recusou-se a identificar os quatro países -dois no Sul e dois no Sudeste da Ásia- que teriam ajudado a evitar o atentado para proteger o desejo desses governos de não divulgar seu envolvimento.

Townsend também disse que não sabia se o plano fracassado tinha conexões com outro similar em que Richard Reid, britânico que se converteu ao islamismo, foi impedido por passageiros de acender os explosivos em seus sapatos no dia 22 de dezembro de 2001 em um vôo de Paris para Miami.

Em resposta às perguntas dos repórteres, Townsend recusou-se repetidamente a dizer se a iniciativa de espionagem interna de Bush -que ele e outras autoridades dizem ter impedido novos ataques- teve um papel na ação para desbaratar o complô.

"Ainda é um programa muito delicado", disse Townsend. "Resultou em sucessos, mas não posso dizer se afetou de alguma forma este complô especificamente."

Propositalmente ou não, os relatos dramáticos de Bush e Townsend tocaram em diversos tópicos e práticas controversas do governo desde 11 de setembro:

Townsend disse que o episódio era um lembrete da importância de "operações de inteligência e dos relatos de prisioneiros". A declaração pareceu dar apoio a procedimentos de interrogatórios americanos que vêm sendo atacados desde a divulgação do tratamento na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, e na base militar de Guantanamo Bay ,em Cuba.

O desdobramento demonstrou uma vitória das agências de inteligência americanas, que sofreram duras críticas por sua incapacidade de detectar o plano de 11 de setembro e por exagerar a presença de armas letais no Iraque.

"Esta é uma história de sucesso absoluto da comunidade de inteligência em geral, e da CIA em particular", disse Townsend. Ela sugeriu que os EUA e governos aliados acataram a principal crítica da comissão de 11 de setembro, que denunciou a falta de coordenação e compartilhamento de informações entre várias agências de inteligência.

"Só podemos evitar essas conspirações coletando os pontos e compartilhando-os. Assim, algo que isoladamente pode não parecer significativo, compõe um retrato" maior que nos permite interceder, disse Townsend.

O senador Harry Reid de Nevada, líder democrata do Senado, não ficou impressionado com as alegações de sucesso do governo. "Como acontece freqüentemente com este presidente, a retórica não condiz com a realidade", disse ele.

"O fato é que a Casa Branca cometeu uma série de erros de segurança nacional que deixaram os americanos menos seguros. Ele se atolou no Iraque, onde a guerra ao terror continua." Para críticos, o presidente só quer justificar o uso de escutas ilegais Deborah Weinberg

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