Autor funde mito e ciência em "Dinotopia"

Tresca Weinstein
Albany Times Union

Para os fãs da série "Dinotopia" de James Gurney, um vislumbre da cidade exótica de Chandara --o tema do próximo livro de Gurney-- é semelhante aos fãs de Harry Potter tendo uma chance de espiar o sétimo livro da série.

A partir deste fim de semana, 16 ilustrações de "Journey to Chandara", que será lançado no outono americano de 2007, estarão em exposição no Museu Norman Rockwell em Stockbridge, Massachusetts, como parte de "Dinotopia: A Arte Fantástica de James Gurney".

A exposição também inclui mais de duas dúzias de pinturas originais dos primeiros três livros de Gurney, que já transportaram milhões de leitores ao mundo fascinante e totalmente imaginário onde dinossauros e seres humanos vivem em harmonia (ao menos em grande parte do tempo). Os alter egos de Gurney nesta terra maravilhosa são o pai e filho Arthur e Will Denison, cujos diários são "reproduzidos" nas crônicas de Dinotopia.

Uma pintura de Chandara, situada na costa sudeste da ilha de Dinotopia, está pendurada na parede da sala de estar da casa de Gurney, em Rhinebeck, Nova York.

Como os próprios livros, incluindo "Dinotopia: A Land Apart From Time" (1992), "Dinotopia: The World Beneath" (O Mundo Subterrâneo, 1995) e "Dinotopia: First Flight" (1999), a cidade é uma amálgama de locais reais e imaginários, mito e ciência, detalhes meticulosamente descritos e paisagens naturais notáveis.

"O que amo nos dinossauros é que estão bem na fronteira entre fato e imaginação", disse Gurney. "Nós sabemos que eles existiram, é claro, mas é necessário um exercício de imaginação para trazê-los novamente à existência."

O estúdio de Gurney, com seus frisos ornamentados e janelas em arcos dando vista para uma mata densa, parece a morada de um arqueólogo-aventureiro à moda antiga parecido com Indiana Jones. Sim, há um computador iMac G5 em sua mesa, mas também há um frasco de tinta e uma pena caligráfica de madeira que ele mesmo fez, que ele emprega em muitas de suas ilustrações.

Uma prateleira está cheia de dinossauros, variando de pequenos brinquedos de plástico até um modelo do tamanho de um gato de Bix, o protocerátops que serve como guia dos Denisons, produzido pela Creature Shop de Jim Henson. Outras prateleiras contêm livros de todos os tipos de descrições, de manuais de ciência a tomos ilustrados sobre várias culturas e modas de todas as partes do mundo.

Fixado recentemente no cavalete de Gurney estava um esquema de um esqueleto de dinossauro, uma enciclopédia de instrumentos musicais (ele estava pintando um dinossauro tocando uma sanfona) e uma fotografia de um pássaro que ele usa como referência para capturar a estrutura da asa dos dinossauros alados.

Gurney pesquisa cuidadosamente cada dinossauro que desenha e freqüentemente paleontólogos examinam suas pinturas e esboços.

"Uma das regras básicas é que toda criatura que existe em Dinotopia tem que existir no registro fóssil", ele disse. "Eu também tento incorporar muitas das descobertas mais recentes em cada pintura", incluindo os dinossauros emplumados presentes em "Journey to Chandara".

Gurney também pintou um dos primeiros desenhos coloridos do recém-descoberto Giganotossauro, que não teria dificuldade de tomar o dinheiro do lanche do Tiranossauro Rex no recreio.

"Eu comecei, como a maioria das crianças, com aquele vírus do dinossauro e nunca consegui me livrar dele", disse Gurney. Ele passou horas escavando no quintal de sua casa em Palo Alto, Califórnia, à procura de pontas de flechas ou templos enterrados, uma busca encorajada por décadas de revistas "National Geographic" que seus pais mantinham em casa.

"Eu costumava adorar ler sobre civilizações perdidas e criaturas estranhas", ele disse.

Na faculdade, ele botou suas mãos em escavações arqueológicas reais e acabou se formando em antropologia pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Posteriormente, inspirado por artistas como Rockwell, N.C. Wyeth e pelos pintores da Hudson River School, ele estudou desenho e pintura no Art Center College of Design em Pasadena, onde conheceu sua esposa, Jeanette, também uma artista. (Ela e os dois filhos do casal, Dan e Franklin, que eram pequenos quando o primeiro livro foi publicado, freqüentemente servem como modelos para os cidadãos de Dinotopia.)

Gurney encontrou trabalho pintando cenários para filmes, fazendo capas para livros de ficção de científica e até ilustrando para a "National Geographic"; ele já fez 13 trabalhos para a revista desde então.

"Dinotopia", disse Gurney, é uma "abordagem 'National Geographic' a um mundo imaginário, com mapas, diagramas e detalhes". Em vez de se centrar no tema habitual da fantasia de bem contra o mal, seus livros são sobre "como as pessoas criam suas vidas, sua arquitetura, como comem e dormem, no que acreditam".

O primeiro livro da série, "A Land Apart from Time", se tornou best seller na lista do "The New York Times", vendendo 2 milhões de exemplares e já foi traduzido em 18 línguas (a edição chinesa traduz "Dinotopia" como "Reino de Sonho Feliz do Lagarto Terrível"). A série também inspirou uma minissérie da "ABC" em 2002 que conquistou um prêmio Emmy por melhores efeitos visuais.

Apesar dos livros serem apreciados tanto por crianças quanto adultos, a maioria das cartas que Gurney recebe são de crianças. Uma de suas favoritas é de uma garota que escreveu que gosta de olhar para seus desenhos, mas que toma cuidado para não se inclinar muito para frente quando lê os livros por temer que possa cair dentro dele.

Isto é exatamente como Gurney deseja que ela se sinta. "O que estou tentando fazer é realizar uma pintura na qual as pessoas possam entrar e viver dentro dela", ele disse. "Eu quero lhes dar a sensação de que há muito mais do que estão vendo na pintura." Livros trazem dinossauros e seres humanos vivendo em harmonia George El Khouri Andolfato

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