Em tentativa de retomar o controle do Congresso, democratas focam atenções em Ohio

Margaret Talev
McClatchy News Service
Em Columbus, Ohio

No Congresso dos Estados Unidos, a deputada Deborah Pryce é presidenta da Conferência Republicana, o que faz dela a quarta pessoa mais importante na estrutura de liderança da Câmara e a mulher mais graduada nos escalões do partido.

Mas, neste ano, de volta ao seu distrito eleitoral na região central de Ohio, este sucesso da deputada pode prejudicá-la. Esta parlamentar de sete mandatos está se preparando para disputar uma eleição geral contra uma popular democrata local que foi recrutada por líderes nacionais e que recebeu a promessa de contar com todo o dinheiro e auxílio dos quais necessitar.

Membros da delegação local do Partido Republicano explicaram aos cerca de 500 apoiadores de Pryce no almoço que marcou o início da sua campanha, na semana passada, o quanto será importante, desta vez, o seu apoio. Pryce previu que será reeleita, mas admitiu: "Esta será a eleição mais difícil que já enfrentei".

Ohio pode ter sido o Estado indeciso que definiu a reeleição do presidente Bush em 2004 mas, nas eleições parlamentares deste ano, os democratas consideram esta unidade da federação uma peça central da sua estratégia nacional para recuperar o controle sobre uma ou mesmo as duas casas do Congresso.

"Ohio é o mais indeciso dos Estados indecisos", explica Jennifer Duffy, da organização não partidária Cook Political Report, que analisa as disputas políticas nacionais. "Ele se tornou um símbolo muito grande de como as coisas parecem estar posicionadas na balança política. Os democratas estão esperando que uma vitória aqui estabeleça para eles uma rota bem clara para 2008".

O objetivo de longo prazo dos democratas de recuperar o poder exigiria um crescimento representativo de seis cadeiras no Senado e 15 na Câmara em vitórias espalhadas pelo país. Eles estão de olho em Ohio para obterem no Estado pelo menos 20% destes números.

Entre os seus alvos estão Pryce, cujo distrito se tornou mais democrata; Bob Ney, cujas conexões com o lobista caído em desgraça Jack Abramoff estão sendo escrutinadas por investigadores federais para possíveis acusações criminais; e o senador Mike DeWine, que as pesquisas sugerem que poderia ser vulnerável, devido ao tépido apoio conservador ao seu nome e à divisão intrapartidária do Estado como um todo.

Nesta semana o presidente viajou a Ohio para levantar verbas para DeWine. Os democratas também contam com alguns planos para o distrito do deputado Steve Chabot, que mal apoiou Bush na última eleição.

Em âmbito nacional, os democratas estão apostando na desilusão do eleitor com a guerra no Iraque, as perdas localizadas de empregos, os altos preços dos combustíveis e dois escândalos federais de corrupção de grande repercussão que, até o momento, enlamearam mais os republicanos devido à sua condição de maioria parlamentar.

Em Ohio, os democratas estão contando com um efeito multiplicador. A economia daqui sofreu particularmente com um êxodo dos empregos industriais.

Os republicanos, que controlam o governo do Estado, também estão combalidos devido a escândalos de corrupção envolvendo o favorecimento de amigos e os milhões de dólares em fundos de indenização aos trabalhadores que foram entregues a um arrecadador de verbas do Partido Republicano para investimento em moedas raras.

O atual governador, o demissionário Bob Taft, prometeu no ano passado que não contestaria as acusações de infrações por ter deixado de revelar presentes recebidos, e as pesquisas sugerem que ele é uma das autoridades públicas mais impopulares do país.

Ney, que aceitou presentes e apoio de Abramoff, e tomou algumas medidas oficiais que os registros sugerem ter beneficiado os clientes do lobista, é o primeiro parlamentar a ser implicado nos tribunais pelos documentos de Abramoff.

Abramoff recentemente se declarou culpado no que diz respeito a acusações criminais em uma ampla investigação de corrupção, e está cooperando com os promotores que investigam se autoridades públicas receberam propinas. Ney não foi acusado de nenhum crime, mas foi obrigado a renunciar ao cargo de presidente de um comitê e está sendo orientado por um advogado, já que está na iminência de ser convocado para depor em um tribunal.

Os parlamentares que disputarão a reeleição neste ano não querem estar associados a nada disso. Pryce disse aos repórteres, no primeiro evento da sua campanha: "Embora eu geralmente concorde com as posições administrativas do presidente Bush, já deixei de votar em sintonia com o presidente com relação a várias questões, e continuarei agindo desta forma caso acredite que isto é o que mais interessa ao país e aos meus eleitores".

Ela chamou o polêmico acordo de segurança portuária dos Estados Unidos assinado com uma firma dos Emirados Árabes Unidos de "um erro terrível", tendo dito, de forma direta: "Não faço parte dos escândalos congressuais".

Dificuldades dos democratas

Mas a capacidade dos democratas de fazer com que a balança penda para o seu lado em Ohio está longe de ser nítida. Eles já estão sendo prejudicados por lutas internas e debilidades organizacionais. Neste momento, os democratas podem estar correndo o risco de perderem o Sexto Distrito Congressual em Ohio, um distrito algo conservador que foi deixado vago pelo deputado Ted Strickland, que disputa o governo do Estado.

Nesta semana, o senador estadual Charlie Wilson, o democrata considerado o candidato que tem maiores chances de derrotar os republicanos, descobriu que o seu nome não estará nas cédulas das primárias do partido porque várias das assinaturas que ele obteve para se qualificar à disputa foram consideradas inválidas. Faltaram apenas duas assinaturas para que ele obtivesse o mínimo de 50 necessárias. Com dois outros democratas na disputa, Wilson agora terá que tentar a sorte como "candidato avulso".

"Isto me deixou quase que fisicamente enfermo", desabafou Strickland na semana passada, durante uma etapa do circuito eleitoral. Fazendo campanha no condado de Putnam, uma área rural no norte do Estado, passando por pequenas cidades tristes e cinzentas, cheias de prédios abandonados, Brown procurou vincular DeWine ao problemático governador.

"Durante os últimos 15 anos a equipe de liderança formada por Bob Taft e Mike DeWine colocou este Estado no rumo errado", acusou Brown, em um discurso na Verhoff Machine and Welding, uma companhia que está satisfeita por ter obtido um subcontrato para fabricar placas de blindagem para veículos militares dos Estados Unidos que estão atuando no Iraque, algo que poderia reduzir a queda nos negócios causada pela transferência das firmas locais para o México.

"Perdemos 200 mil empregos industriais durante o último mandato de Mike DeWine", afirmou Brown. "Este é um referendo sobre o partido, um referendo sobre a ausência de liderança".

Mas se os eleitores não culparem DeWine tanto assim por estes problemas, Brown poderá ter pela frente uma jornada difícil. DeWine conta com a reputação de político bastante moderado e independente, tendo rompido com a liderança do partido quanto ao direito dos democratas de obstruírem a aprovação de indicados polêmicos para o Judiciário.

Já Brown, que votou contra o uso da força no Iraque, conta com um histórico liberal, algo que, segundo alguns analistas políticos poderia representar uma dificuldade para ele junto a certos eleitores indecisos dos subúrbios e áreas rurais, dos quais ele necessitará para vencer no Estado.

A indecisão inicial de Brown quanto a disputar ou não o Senado gerou a breve candidatura do veterano da guerra do Iraque, Paul Hackett. Hackett, que embora tenha sido recrutado pelo partido para disputar a eleição, no início deste mês foi pressionado publicamente pelos mesmos líderes. Hackett ficou furioso com o que aconteceu --e alguns ativistas democratas afirmam que, na semana passada foram rechaçados por ele.

A cadeira de Ney também poderá ser perdida pelos democratas, quatro dos quais correram rumo às primárias para disputar o direito de concorrer contra ele.

No amplo distrito rural de Ney, ao sul e a leste de Columbus, vários eleitores disseram na semana passada que nada sabem sobre o escândalo envolvendo Abramoff. Outros afirmaram ter ouvido fragmentos da história, mas frisaram que durante os seus seis mandatos Ney cuidou bem dos interesses de seus eleitores, e que para eles isto é mais importante do que o seu relacionamento com um lobista.

O prefeito de Chillicothe, Joe Sulzer, um ex-parlamentar estadual, e um dos democratas a disputar as primárias, disse achar que os eleitores se envolverão mais com as campanhas tão logo seja dada a partida para a eleição geral.

"Eis aqui filho da cultura de corrupção que vemos em Washington", disse Sulzer, referindo-se a Ney, durante uma entrevista em um evento na Câmara de Comércio local. "Trata-se de um processo educacional, para mostrar aos eleitores que o Bob Ney que eles acreditam conhecer não é o Bob Ney que tem ocupado um cargo eleitoral".

Mas Marvin Jones, o presidente da câmara, disse que vários eleitores estão inclinados a conceder a Ney o benefício da dúvida.

"O povo está realmente disposto a esperar para ver como o caso se desdobra, aguardando provavelmente para constatar o que acontece com as potenciais acusações, e como Ney responderá a elas", afirmou Jones.

"Não houve acusações", continuou Jones. "E se acusações surgirem, tudo provavelmente dependerá da gravidade que tiverem". Vitórias no Estado podem pavimentar volta à Casa Branca em 2008 Danilo Fonseca

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