EUA alegam que Irã, rico em petróleo, não necessita de energia atômica

James Rosen
em Washington
do McClatchy News Service

Um novo relatório parlamentar bipartidário concluiu que as reservas de
petróleo do Irã são tão vastas que a alegação de Teerã de que necessita de um programa de energia nuclear é claramente falsa.

A conclusão cabal do Comitê Econômico Conjunto, um dos quatro únicos
conselhos congressuais permanentes com membros da Câmara e do Senado,
acrescentou mais combustível ao já aquecido debate internacional sobre a
aparente determinação iraniana de fabricar armas nucleares.

Enquanto os representantes dos cinco países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se preparavam para uma reunião em Nova York nesta sexta-feira (10/03) para discutirem a crise emergente, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, alertava aos parlamentares que o Irã está se transformando em uma grande ameaça estrangeira para os Estados Unidos.

"É possível que não enfrentemos nenhum desafio de um único país que seja maior do que aquele representado pelo Irã", disse Rice ao Comitê de Apropriações do Senado. "Aquele parece ser um país determinado a desenvolver uma arma nuclear, desafiando a comunidade internacional".

Quando o senador Wayne Allar, republicano do Colorado, lhe perguntou se o Irã representa "uma ameaça significativa aos Estados Unidos neste momento", Rice respondeu: "O Irã de fato representa um desafio e uma ameaça consideráveis para os nossos interesses na região".

Além das ambições nucleares de Teerã, Rice citou o apoio iraniano ao
Hezbollah, que os Estados Unidos consideram um grupo terrorista, na Síria; o fato de o Irã financiar extremistas palestinos; e o apoio fornecido a milícias xiitas no sul do Iraque.

"Se vocês forem capazes de pegar tal situação e multiplicá-la centenas de
vezes, poderão imaginar um Irã com uma arma nuclear, e visualizarão a ameaça que o país representa para aquela região", disse Rice. "E é por isso que os Estados Unidos, juntamente com uma coalizão muito forte de Estados da comunidade internacional, determinou que não se deve permitir que o Irã obtenha uma arma nuclear".

Mas, em Teerã, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad disse que o seu país não cederá às pressões ocidentais lideradas pelos Estados Unidos no sentido de abandonar o seu programa nuclear.

"Esta nação não permitirá que outros países a tratem com a atitude de um
assediador, ainda que eles sejam de fato assediadores internacionais",
afirmou Ahmadinejad. "Eles sabem que são incapazes de infligir o menor golpe sobre a nação iraniana. Eles sofrerão mais, e estão vulneráveis".

O deputado Jim Saxton, republicano de Nova Jersey e presidente do Comitê Econômico Conjunto, disse que o relatório do comitê enfraquece as repetidas alegações feitas pelo governo iraniano nos últimos três anos no sentido de que Teerã estaria desenvolvendo energia nuclear para fins civis.

"O Irã possui enormes recursos de petróleo e gás que poderiam facilmente
atender às suas necessidades domésticas de energia durante muitos anos",
disse Saxton. "Não existe razão legítima para o programa nuclear iraniano".

Segundo o relatório, com 40 grandes campos de petróleo e mais de 132 bilhões de barris de reserva, o Irã explorou até hoje apenas uma pequena fração das suas reservas totais, que são as terceiras maiores do mundo, depois daquelas da Arábia Saudita e do Canadá.

O Irã não reinvestiu os seus substanciais rendimentos provenientes das
exportações de petróleo na exploração das suas grandes reservas, afirmou
Saxton.

"Até mesmo pequenas melhorias quanto à eficiência poderiam aumentar em muito a produção de energia do Irã, e o seu potencial para promover um
desenvolvimento pacífico e economicamente construtivo", disse ele. "Em vez disso, o atual regime iraniano está focado em obter capacidades nucleares a um grande custo para o bem-estar do povo iraniano - e representa uma grave ameaça à paz e à estabilidade internacionais".

Como membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o Irã ajudou a restringir as exportações de petróleo com o objetivo de elevar os preços nos mercados mundiais, informou o relatório.

Na Casa Branca, indagaram ao secretário de Imprensa, Scott McClellan, se os Estados Unidos e as nações aliadas estão preparadas para lançar mão de uma ação militar contra o Irã.

"Não sei sobre o que você está falando, porque o que nós dissemos foi que
estamos buscando uma solução diplomática para a questão nuclear relativa ao Irã", retrucou McClellan. "E a comunidade internacional enviou uma mensagem muito clara ao Irã, ao regime do Irã, de que não permitiremos que o país desenvolva armas nucleares".

Segundo McClellan, a crise está "caminhando para uma nova fase", e todo o conselho de Segurança - formado de cinco membros permanentes e dez não permanentes - deverá se debruçar sobre a questão já na semana que vem.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o organismo da ONU para fiscalização nuclear, remeteu o problema no mês passado para o Conselho de Segurança, mas deu ao Irã um prazo de 30 dias para abrandar a sua posição, antes que o país possa sofrer retaliações do organismo internacional.

Rice disse que os Estados Unidos "darão um passo de cada vez", enquanto procuram construir um consenso em torno do repúdio aos planos nucleares do Irã.

"O Irã está se deparando com a realidade de que o regime ficará isolado no sistema internacional", disse ela.

A Rússia e a China, dois dos cinco membros permanentes do Conselho de
Segurança, possuem fortes laços comerciais com o Irã. Ambos os países
indicaram uma possível falta de disposição para apoiarem sanções
internacionais amplas contra Teerã.

Após meses de negociações infrutíferas entre Teerã e a União Européia, a
Rússia procurou nas últimas semanas costurar um acordo, mas tais negociações também esbarraram em um impasse.

Moscou propôs que todo o urânio para os futuros reatores nucleares iranianos fosse processado e enriquecido na Rússia - algo que, segundo o senador Tom Lantos, democrata pela Califórnia, equivaleria a "colocar a raposa para vigiar o galinheiro", já que os dois países mantêm laços econômicos estreitos.

"Atualmente a questão nuclear domina toda a discussão sobre o Irã, como se nada mais tivesse importância", diz Michael Ledeen, analista do American Enterprise Institute, em Washington. "Vários líderes iranianos disseram que pretendem usar armas nucleares para destruir Israel, e devemos levar tais declarações a sério".

Recentemente, autoridades israelenses indicaram que estão dispostas a
estudar uma possível ação militar contra as instalações nucleares iranianas, caso estas continuem a ser desenvolvidas. Danilo Fonseca

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