Californianos demonstram opiniões diversas sobre imigração ilegal

Daniel Weintraub
em Sacramento, Califórnia

Enquanto a questão de imigração ilegal parece estar crescendo novamente como preocupação nacional, uma pesquisa da semana passada sugere que, de muitas formas, os californianos passaram a aceitar mais a população crescente de estrangeiros que moram no Estado em violação da lei.

Segundo a pesquisa Field Poll, o número de californianos que disseram que estavam "extremamente preocupados" com a imigração ilegal declinou. Além disso, mais pessoas acham que os imigrantes ilegais têm um efeito positivo no Estado e menos pensam que estão tirando os empregos dos californianos. A pesquisa também detectou significativo apoio ao programa do trabalhador convidado, que pretende legalizar os atuais imigrantes e permitir que mais venham trabalhar sob condições controladas.

A pesquisa revelou grande diferença nessas questões entre votantes e não votantes. Os cidadãos com título de eleitor mostraram-se mais preocupados com a imigração ilegal. Mesmo entre estes, porém, o nível de preocupação não é o mesmo da década de 90, quando os californianos aprovaram por grande maioria uma medida que visava negar o acesso de imigrantes ilegais aos serviços públicos.

A pesquisa entrevistou 500 californianos entre 12 e 26 de fevereiro e teve uma margem de erro de mais ou menos 4,5 pontos percentuais.

O número de pessoas que disseram que estavam "extremamente preocupadas" com a questão de imigração ilegal -43%- foi o mais baixo desde 1996.

Similarmente, o número de pessoas que respondeu que "não estava preocupada" -26%- foi o mais alto em uma década.

Em 1997, por comparação, 58% dos eleitores disseram que estavam extremamente preocupados com o problema, e apenas 16% disseram que não estavam nada preocupados.

A pesquisa também revelou que, pela primeira vez, a maior parte dos adultos da Califórnia -47% sobre 45%- acredita que o efeito de imigrantes ilegais no Estado é favorável. Em 1994, essa razão foi de 26% contra 67%, e o Estado aprovou a proposição 187, contra a imigração ilegal, que depois foi anulada pela justiça.

Há uma geração, em 1982, apenas 19% achavam que os imigrantes ilegais tinham um efeito favorável no Estado, enquanto 75% disseram que tinham um efeito desfavorável.

Similarmente, a percentagem de adultos na Califórnia que dizem que os imigrantes ilegais estão pegando os empregos que ninguém mais quer também atingiu sua maior alta, de 70%. Em 1982, durante uma profunda recessão, esse número foi de apenas 38% e, em 1994, 58%.

Cerca de dois terços dos adultos -65%- hoje defendem a idéia do programa do trabalhador convidado, que pretende legalizar a situação dos imigrantes que já estão no país e facilitar a entrada de novos trabalhadores. Opuseram-se à idéia 27% dos entrevistados.

Em uma questão volátil -se os imigrantes ilegais devem poder tirar carteira de motorista- os californianos ainda se opuseram, com 44% a favor e 52% contra.

Ainda assim, a oposição foi menor que um ano atrás, quando 35% foram a favor e 62% contra.

Os resultados parecem não condizer com uma época em que muitos californianos e seus representantes pedem uma fronteira impenetrável, fiscalizações contra empresas que contratam trabalhadores ilegais e até uma patrulha estatal de fronteira para reforçar o trabalho do governo federal.

Uma explicação para essa contradição talvez seja a diferença que a pesquisa revelou entre a opinião dos cidadãos que votam e dos que não votam. Esta categoria inclui uma proporção mais alta de latinos e outros imigrantes que aceitam melhor a imigração ilegal.

Na questão sobre o efeito dos imigrantes ilegais no Estado, por exemplo, 64% dos não eleitores disseram que era positivo, comparados com apenas 36% dos que estão registrados para votar. E na questão da carteira de motorista, 61% dos não votantes disseram que os imigrantes ilegais deveriam poder tirar o documento, enquanto apenas 33% dos eleitores registrados acharam que seria boa idéia.

As opiniões dos que votam e dos que não votam foram mais próximas na questão de empregos. A maioria dos não votantes, 72%, disse que os imigrantes ilegais faziam os trabalhos que ninguém queria e 65% dos eleitores registrados concordaram. Quanto ao programa do trabalhador convidado, 72% dos não eleitores disseram aprovar o programa enquanto 60% dos eleitores registrados disseram o mesmo.

A conclusão da pesquisa parece ser que a questão é mais cheia de nuances do que era há 10 ou 20 anos, com mais californianos aceitando a idéia de que a imigração ilegal é um pacote variado. Com maior percentagem de latinos e imigrantes recentes na população, um maior número de habitantes concluiu que o Estado de muitas formas é dependente de sua força de trabalho imigrante, mesmo ilegal.

Mas, como sugerem os resultados em relação à carteira de motorista, os californianos talvez estejam mais tolerantes em relação à imigração ilegal e aceitem mais seu papel na economia, mas o eleitorado ainda se opõe decididamente a fornecer serviços de governo e apoio às pessoas que estão no país ilegalmente. Deborah Weinberg

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