Comitê Judiciário do Senado apóia plano de trabalhador convidado

Anne C. Mulkern
do Denver Post
em Washington

O Senado dos Estados Unidos parece pronto para aprovar um projeto de lei que permitirá que milhões de imigrantes ilegais trabalhem legalmente nos Estados Unidos, apesar dos esforços do deputado Tom Tancredo, do Colorado, e seus aliados de impedi-lo, disseram grupos de ambos os lados.

O Comitê Judiciário do Senado chegou a um acordo provisório sobre o plano de trabalhadores convidados, encerrando as discussões entre Tancredo, que é contra tal plano, e o presidente do comitê e também republicano, o senador Arlen Specter, em um esforço para encontrar um meio termo.

O líder da maioria no Senado, Bill Frist, agora planeja retirar a legislação de imigração que apresentou e permitir que o Senado vote o projeto do acordo se ele puder ser concluído até a próxima semana.

O presidente Bush deseja um programa de trabalhadores convidados e continuou pressionando por ele na quinta-feira, se encontrando com representantes de grupos que apóiam a idéia.

"Parte da defesa de nossas fronteiras significa ter um programa de trabalhadores convidados que encoraje as pessoas a registrarem sua presença para sabermos quem são, assim como dizer a elas: 'Se você está realizando um trabalho que americanos não querem, você é bem-vindo aqui por um período de tempo para realizar tal trabalho", disse Bush durante o encontro.

"Eu acho que o Senado aprovará alegremente algo próximo do que o presidente deseja", disse Grover Norquist, um contato entre Bush e o Congresso.

Mesmo Tancredo concorda. "Eu acho que o Senado aprovará alguma legislação que conterá o programa de trabalhadores convidados nela. Eu não acho que um projeto deixará o Senado sem isto", ele disse.

Quando o Senado voltar na segunda-feira, após uma semana longe de Washington, a batalha em torno da reforma da imigração será retomada. Assim que tiver início o debate em torno do projeto, espera-se que ele demorará duas semanas.

"Será uma luta difícil", disse Tamar Jacoby, um pesquisador do conservador Instituto Manhattan para Pesquisa Política, em Nova York.

Mas a aprovação do projeto de lei no Senado não é certa. Os republicanos estão divididos na questão do trabalhador convidado. Também há desacordo sobre a criação ou não de um caminho para a cidadania para os imigrantes ilegais.

No Senado serão apresentadas numerosas emendas em uma tentativa de remover o plano de trabalhadores convidados, o caminho para a cidadania ou outros elementos controversos. No final poderá não haver acordo suficiente para aprovar a legislação, disseram alguns envolvidos no processo.

Frist, um republicano do Tennessee, não permite que projetos destinados ao fracasso sejam votados. Se ele bloquear uma votação, a questão da imigração será postergada para depois das eleições de novembro. Algumas pessoas acreditam que este é um resultado que ambos os partidos desejam, para que possam usá-lo um contra outro como tema eleitoral.

É impossível a esta altura fazer uma contagem parcial de votos porque a legislação ainda não foi finalizada, disseram várias pessoas.

"É uma xícara de folhas de chá difícil de se ler (para prever o futuro)", disse Tancredo.

Mesmo se um projeto com programa de trabalhadores convidados for aprovado no Senado, isto não significa que se tornará lei. O projeto do Senado terá que ser unido ao aprovado pela Câmara em dezembro. O projeto da Câmara reforça a segurança nas fronteiras e endurece as leis de imigração, mas não conta com um programa de trabalhadores convidados.

O autor do projeto da Câmara, o presidente do Comitê Judiciário, James Sensenbrenner, republicano de Wisconsin, pressionará para que o programa de trabalhadores convidados seja removido no comitê de conferência, deixando apenas a segurança nas fronteiras, disse Tancredo.

Isto poderá ser difícil de conseguir. Os líderes do Congresso -que são aliados do presidente- escolherão os legisladores que elaborarão o projeto final. Isto provocará um confronto com os republicanos na Câmara, que prometeram votar contra qualquer legislação contendo um programa de trabalhadores convidados.

O esforço para aprovar um projeto capaz de ser sancionado em lei era tão forte que Specter -que é conhecido por seu pragmatismo- procurou Tancredo há mais de duas semanas.

"A intenção dele era ver qual era nossa posição a respeito", disse Tancredo. "Nós explicamos ao pessoal que veio aqui que não consigo imaginar uma forma de se chegar a um acordo nisto."

O Comitê Judiciário de Specter se reunirá na segunda-feira em um esforço para aprovar rapidamente a legislação de reforma da imigração, que inclui o plano de trabalhadores convidados e provavelmente um caminho para a cidadania para os cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais que já estão no país.

Apesar de Frist ter apresentado seu próprio projeto na semana passada, que se concentra exclusivamente na segurança da fronteira, ele pretende apoiar o projeto do Comitê Judiciário caso fique pronto a tempo, disse a porta-voz de Frist, Amy Call. O debate está marcado para começar na terça-feira.

Se o comitê não concluir o projeto a tempo para o debate, o líder da minoria no Senado, Harry Reid, planeja tentar bloquear o debate do projeto de Frist com uma obstrução, disse o porta-voz de Reid, Jim Manley.

O lobby em ambos os lados continua.

Em todos os dias desta semana Tancredo enviou boletins de imprensa pedindo aos senadores para rejeitarem as propostas de trabalhadores convidados.

Até mesmo o governo mexicano entrou no debate. Ele publicou anúncios em grandes jornais americanos na segunda-feira defendendo o programa de trabalhadores convidados e oferecendo fazer mais para proteger o seu lado da fronteira. George El Khouri Andolfato

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