Nova tecnologia redutora de custos mudou as viagens aéreas

Kelly Yamanouchi
The Denver Post

Os passageiros que viajam com freqüência conhecem a dura realidade das viagens de avião. Outrora um passatempo glamoroso, atualmente viajar de avião constitui freqüentemente um estorvo frustrante que toma o tempo das pessoas.

No decorrer dos últimos anos, empresas aéreas em apuros financeiros buscaram desesperadamente formas de reduzir os seus custos. O resultado foi um serviço o mais básico possível para muitos passageiros.

Embora haja sinais de uma recuperação da indústria de linhas aéreas, a intensa competição, os altos custos do combustível e a onda de falências dão a entender que serão promovidos mais cortes de despesas.

No entanto, nem todas as mudanças foram ruins. Avanços tecnológicos que se disseminaram pelo setor de viagens aéreas tornaram certas etapas mais rápidas e convenientes, e, em certos casos, até um pouco agradáveis.

Quer você seja do tipo que gosta de voar, ou então simplesmente aquela pessoa que mal pode esperar para voltar à terra firme, uma coisa é certa. A indústria continuará passando por uma série aparentemente interminável de mudanças.

Eis aqui um panorama das últimas mudanças, além de algumas outras que surgirão em breve.

1. Compra online de passagens
Sutilmente - ou de forma não tão sutil - os passageiros estão sendo pressionados a fazer suas reservas pelos websites das companhias aéreas, à medida que essas empresas procuram reduzir os custos associados às equipes que vendem passagens em guichês e tentam diminuir as despesas associadas ao pagamento de agências de venda contratadas.

A United Airlines fechou os seus últimos guichês de vendas de passagens há anos. A Continental Airlines seguiu esse exemplo em 2004.

Alguns centros domésticos de atendimento por telefone também estão sendo extintos, à medida que as empresas aéreas encontram formas de terceirizar ou automatizar esse serviço.

A fim de induzir os passageiros a reservarem as suas próprias passagens nos websites das companhias aéreas, várias delas oferecem atualmente garantias de preços baixos ou bônus em compras feitas pela Internet. Algumas chegam a cobrar tarifas extras de US$ 5 ou US$ 10 daqueles que insistem em fazer reservas pelo telefone ou pessoalmente, nos guichês das empresas.

2. Fazer o próprio check-in
Nenhuma fila longa. Nenhum passageiro chato na sua frente atrasando o processo de check-in. E nem sequer a necessidade de conversar com um outro ser humano.

A nova fronteira em se tratando de check-ins nos aeroportos está repleta de opções para que o passageiro faça, ele próprio, toda a operação. Tais opções incluem quiosques de auto-atendimento nos quais se utilizam cartões de crédito, e cartões ou passaportes para os viajantes freqüentes.

"Obviamente, estamos fazendo um check-in sem contato humano", afirma Larry Meskin, de Denver, enquanto aguarda no saguão do Aeroporto Internacional de Denver. "Na maioria das vezes isso é melhor, por ser mais rápido. Mas quando a gente deseja fazer algum tipo de mudança, a coisa torna-se bem mais difícil".

Hóspedes de alguns novos hotéis podem utilizar o quiosque do próprio hotel para fazerem os seus check-ins. Os passageiros podem também utilizar os seus BlackBerrys ou Palm Pilots para este procedimento, e várias companhias aéreas disponibilizam quiosques para check-in na base do auto-atendimento no aeroporto.

Uma pequena companhia de Denver oferece agora a mais recente novidade em termos de serviço na área - um website que faz os check-ins para os passageiros da Southwest, mediante o pagamento de uma taxa. A ApassOnly.com concorre com um serviço similar, o boardfirst.com.

Existe mais uma outra etapa na qual alguns passageiros terão que pagar para interagir com seres humanos. A United Airlines atualmente cobra por bagagem dos passageiros que desejam usar carregadores de bagagens para os check-ins no local de embarque.

3. Espere ser revistado
Se esforce para sorrir e suporte essa realidade. As unidades de checagem de segurança provavelmente vieram para ficar, mas a natureza da revista pode estar mudando.

Os agentes da Administração de Segurança de Transportes encarregados da tarefa de revista estão dedicando mais tempo à busca de explosivos, e menos ao confisco de tesourinhas de unha, mas os passageiros ainda não estão livres de tirar os sapatos.

Os passageiros que voam com freqüência e que estiverem dispostos a pagar uma taxa poderão evitar parte dos atrasos a partir de junho. Aqueles que participarem do novo programa Registered Traveler poderão passar rapidamente por unidades de revista em alguns aeroportos cujos nomes ainda não foram divulgados.

4. Embarque e desembarque rápidos
As linhas aéreas ganham dinheiro quando as suas aeronaves estão no ar, não quando estão nos terminais, aguardando pelo embarque e desembarque de passageiros e bagagens.

E como tempo é dinheiro, várias linhas aéreas estão testando formas de acelerar o processo de embarque.

A United está trabalhando com dois projetos neste sentido - um sistema de embarque apelidado de "WilMa", e uma passarela expressa automática que permite que os passageiros embarquem e desembarquem rapidamente nas duas extremidades da aeronave.

O WilMa foi adotado pela United em setembro passado, reduzindo o tempo médio de embarque em quatro ou cinco minutos, e proporcionando à empresa, anualmente, uma economia de US$ 1 milhão.

As passarelas expressas serão usadas em alguns vôos da Ted a partir de maio próximo. Espera-se que elas reduzam em dez minutos o período total dedicado a embarque e desembarque desta companhia de tarifas baratas.

5. As coisas pequenas têm importância
Veja o que quiser, quando quiser. Ouça a sua música favorita. Estique as pernas. Faça um lanche.

A empresa que oferecer a experiência de vôo mais agradável poderá ser a que terá mais garantia de permanecer no negócio.

David Miller diz que a sua probabilidade de voar pela Frontier Airlines é de 100% devido aos televisores na parte de trás dos assentos, explica ele. O seu emprego como vendedor faz com que tenha que deixar a sua cidade, Fort Collins, e viajar pelo país duas vezes por mês.

Os novos aviões Airbus da Frontier vêm equipados para fornecer serviço individual da DirecTV (por US$ 5) ou cinema (US$ 8) a cada passageiro. É algo popular para pais como Miller quando estes viajam com os filhos. "Isso torna o vôo um pouco menos mundano", afirma ele.

Outras empresas aéreas também estão se esforçando para fornecer experiências prazerosas.

A United Airlines acrescentou aos seus vôos, neste mês, programação da rádio por satélite XM.

Fornecer espaço extra para as pernas não é tão fácil. A United reduziu os custos ao substituir alguns dos seus grandes aviões por jatos regionais menores. Mas em 2005, a empresa começou a promover os maiores jatos regionais nas suas frotas, aqueles com cabines maiores, compartimentos de cargas sobre os bancos mais volumosos, e alguns assentos de primeira classe, denominando-as de "explus".

Tanto a United quanto a Northwest descobriram que alguns passageiros pagam mais por um pouco de espaço extra. Por um valor que varia entre US$ 24 e US$ 99, os passageiros da United podem conseguir assentos mais espaçosos no check-in.

A Northwest cobra US$ 15 por assentos especiais, como aqueles nas filas de saída, que vêm com espaço extra para as pernas.

Os serviços de alimentação foram um dos primeiros alvos dos cortes, mas algumas linhas aéreas estão encontrando formas de trazê-los de volta - mediante o pagamento de uma quantia extra. A United passou a oferecer as suas próprias caixas de lanche a US$ 5 em 2005.

6. Fique ligado
Vôos atrasam. São cancelados. Detalhes importantes como esses podem mudar de minuto a minuto, deixando os passageiros ansiosos, furiosos ou esperando no terminal.

É por isso que as companhias aéreas estão encontrando maneiras de proporcionar aos seus clientes informações atualizadas sobre os vôos.

Para os passageiros que se registram, a United envia alertas de status de vôo aos viajantes por telefone, e-mail ou fax, e conta com um canal sem fio com informações sobre os vôos. A Frontier também possui um sistema que possibilita que os passageiros obtenham dados sobre os vôos nos seus Palm Pilot, BlackBerry ou telefones com acesso à Internet.

Os assinantes do serviço de Internet móvel AvantGo podem usar um guia de viagem com informações de companhias aéreas, incluindo a Northwest, a Frontier e a United. A Orbitz conta com um novo serviço para enviar um alerta sobre um atraso de chegada a amigos ou familiares do passageiro, enquanto este ainda está voando, caso haja atrasos provocados pelas condições meteorológicas ou desvio do vôo. Danilo Fonseca

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