"Eu servi honestamente e eticamente", diz DeLay; deputado cita problemas legais para decisão de não tentar reeleição

Michael Hedges
em Washington

O deputado Tom DeLay citou preocupações eleitorais na terça-feira como o principal motivo para deixar o Congresso, mas o legislador e outros
sugeriram que os crescentes problemas legais tornaram sua decisão de partir uma questão de quando em vez de se.

"O desafio sempre foi no interesse da causa conservadora e da maioria
republicana e estou mais interessado em expandir a maioria republicana do que em meu próprio futuro", disse ele na "Fox News".

"O distrito estava muito polarizado", disse DeLay em uma entrevista de rádio em Houston. Sua pesquisa mostrou que ele tinha 50% de chance de vencer em novembro, ele disse: "Por que arriscar, quando posso salvar a cadeira (para o Partido Republicano)?"

DeLay disse que decidiu há mais de uma semana -antes de seu ex-vice-chefe de gabinete, Tony Rudy, ter se declarado culpado na sexta-feira da acusação de corrupção no escândalo de lobby no Congresso- abortar sua campanha para reeleição e renunciar sua cadeira na Câmara.

Rudy, que admitiu ter aceitado suborno enquanto estava no gabinete do
deputado, prometeu ajudar os promotores enquanto buscam descobrir se DeLay abusou de seu cargo ao tratar com o indiciado lobista Jack Abramoff, que trabalhou com Rudy.

DeLay reconheceu os estragos causados à sua imagem política devido ao
indiciamento no Texas por arrecadação imprópria de fundos de campanha, a Rudy, Abramoff e Michael Scanlon, um ex-assessor de DeLay, terem se
declarado culpados e à possibilidade da investigação de corrupção se
aproximar ainda mais dele.

"Eu sou realista e entendo isto", disse o ex-líder da maioria na Câmara na terça-feira, quando perguntado se seus problemas legais tiveram influência em sua decisão de renunciar. "Mas tudo o que eles têm é culpa por associação. Eu servi honestamente e eticamente."

Mas ele foi repreendido três vezes pelo comitê de ética da Câmara antes
deste ano.

Na terça-feira, figuras importantes em Washington associaram a renúncia de DeLay à investigação federal.

O senador John McCain, republicano do Arizona, que tem presidido as
audiências sobre o escândalo, disse sobre DeLay: "Eu penso que há outros aspectos do escândalo Abramoff que se desdobrarão nas próximas semanas".

As autoridades federais não tomaram nenhuma decisão sobre o indiciamento criminal ou não de DeLay e nenhum anúncio sobre a situação dele é iminente, segundo uma fonte próxima da investigação que falou sob a condição de não ser identificada.

Pela primeira vez na investigação, DeLay foi identificado nos autos do
tribunal na sexta-feira, como "deputado Nº 2", que concordou em assinar uma carta a pedido de Rudy em oposição a uma legislação cuja derrota interessava a clientes de Abramoff. DeLay não estava ciente de que Rudy tinha sido subornado para obter a assinatura, segundo o advogado do deputado, Richard Cullen.

Talvez mais preocupante para DeLay seja o fato de Edwin Buckham, um
ex-assessor de DeLay que já atuou como seu pastor, tenha sido identificado nos autos do tribunal como "lobista B" no caso Rudy. Os documentos mostram que Buckham se tornou um grande alvo dos investigadores.

Buckham ajudou a arranjar os pagamentos que foram feitos à esposa de Rudy, Lisa, por intermédio de uma firma montada por ela, em troca da ajuda de Rudy para persuadir membros do Congresso a enterrarem um projeto de lei que proibia o jogo na Internet como queriam os clientes ligados a jogos de Abramoff, disseram os promotores.

O estresse dos últimos meses era evidente em DeLay. Um conhecido que
encontrou o deputado na semana passada disse que ele parecia abatido e
parecia ter abandonado seus exercícios matinais. Ao ser perguntado como
estava, DeLay bateu na ampla barriga e disse com um toque de ironia: "Me mantendo saudável".

Com sua renúncia, DeLay poderá converter US$ 1,2 milhão em fundos de
campanha em fundos de defesa legal, disse um porta-voz da Comissão Eleitoral Federal. Brent Perry, um advogado de Houston que dirige o fundo de defesa legal de DeLay, disse que espera que o dinheiro será convertido.

O caso de financiamento de campanha no Texas, impetrado pelo promotor
público do Condado de Travis, Ronnie Earle, poderá ser resolvido em um
julgamento no final do verão americano, disse Dick DeGuerin, o advogado de DeLay no Texas. Mas mesmo se DeLay prevalecer no Texas, a investigação em Washington promete persegui-lo até a eleição em novembro.

Como vencedor das primárias republicanas de março, DeLay enfrentaria em
novembro o ex-deputado democrata Nick Lampson, o libertário Bob Smither e possivelmente o ex-deputado republicano Steve Stockman, que está buscando vaga como candidato independente.

A liderança republicana no Texas escolherá um candidato para substituir
DeLay na cédula.

Após conversar com uns poucos repórteres na noite de segunda-feira, DeLay tornou sua renúncia oficial em uma declaração por escrito para seus eleitores do 22º Distrito Eleitoral e disse que renunciaria em meados de junho.

O presidente Bush disse que o anúncio de DeLay "deve ter sido uma decisão muito difícil para alguém que amava representar seu distrito no Estado do Texas. Eu lhe desejo tudo de bom e sei que ele está olhando para o futuro". George El Khouri Andolfato

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