Economia da China cresce 10,2% no primeiro trimestre de 2006

Keith Bradsher
Em Hong Kong

O presidente Hu Jintao, da China, disse no último domingo (dia 16 de abril) que a economia do seu país cresceu 10,2% no primeiro trimestre deste ano --no maior índice de crescimento econômico registrado em três anos, e em um ritmo que poderá obrigar a liderança chinesa a tomar medidas para impedir um superaquecimento da economia.

Um crescimento poderoso na China poderá alarmar ainda mais os Estados Unidos e outras nações que estão preocupadas com as reduções dos empregos à medida que as exportações chinesas disparam. Hu viajará aos Estados Unidos nesta segunda-feira (dia 17 de abril) e se encontrará com o presidente Bush na próxima quinta-feira. Bush deverá pressionar a China para que esta melhore as proteções à propriedade intelectual e permita que o yuan (moeda chinesa) sofra uma valorização mais rápida em relação ao dólar.

O primeiro-ministro Wen Jiabao afirmou na última sexta-feira que o governo poderia adotar limites mais estritos para os empréstimos bancários, os novos projetos de investimentos e o uso da terra após analisar o desempenho econômico do país no primeiro trimestre.

O rápido crescimento registrado em 2003 fez com que o governo chinês impusesse controles rígidos na primavera de 2004, incluindo o disciplinamento de banqueiros, agentes de desenvolvimento e membros do Partido Comunista que implementaram projetos sem a aprovação do governo central. Essas medidas fizeram com que a ações chinesas negociadas em Hong Kong caíssem abruptamente.

Mas muitos economistas dizem que as ações da China neste ano serão limitadas e menos draconianas. A inflação está baixa, o consumo doméstico passa por um período de fortalecimento e, desta vez, o crescimento econômico não está tão concentrado nos grandes projetos fabris e de infra-estrutura pública.

"Não acredito que eles tomem ações drásticas; os chineses se sentem confortáveis com este crescimento mais elevado", opina Frank Gong, economista do J.P.Morgan Chase para a China. "Eles manterão por algum tempo um crescimento neste nível".

Os gargalos no sistema de transportes estiveram entre os principais problemas que alarmaram as autoridades chinesas na primavera de 2004, quando grandes veículos de carga transportando minério de ferro e outras matérias-primas tiveram que esperar até um mês para descarregarem nos superlotados portos chineses. Naquele mesmo período, as ferrovias chinesas se mostraram incapazes de garantir o transporte de todo o carvão necessário das minas até as usinas termoelétricas do sul do país.

Mas os investimentos bastante volumosos nos portos, nos quais equipes de trabalhadores atuam dia e noite, e a construção de várias novas rodovias e ferrovias parecem ter aliviado esses gargalos. Richard S. Elman, diretor-executivo do Noble Group, uma das maiores companhias asiáticas de navegação e de recursos naturais, disse em uma entrevista recente que os atrasos nos portos não se constituem mais em um problema na China.

"O problema do congestionamento do sistema foi resolvido, e foi resolvido nos últimos 18 meses", afirmou Elman.

Neste ano, os rápidos incrementos dos empréstimos bancários, assim como ocorreu em 2003, estimularam a economia chinesa, à medida que os grandes superávits comerciais da China e a continuidade dos grandes investimentos estrangeiros diretos ajudaram a transferir para companhias e indivíduos chineses grandes somas de capital que foram depositadas nos bancos. Estes bancos, a seguir, emprestaram o dinheiro para novos investimentos. Embora a China tenha elevado as taxas de juros e as exigências para reservas bancária em 2004, o governo está se movimentando desta vez no sentido de facilitar um pouco a retirada de dinheiro do país por parte de companhias e cidadãos chineses, incluindo três ajustes técnicos há muito esperados, anunciados no final da noite da última quinta-feira.

As autoridades chinesas têm demonstrado cautela nos últimos anos com relação a reconhecerem índices de crescimento de dois dígitos, alegando que foram registradas taxas de crescimento trimestrais, de uma estabilidade incomum, entre 9,5% e 9,9% em oito trimestres no decorrer dos três últimos anos, incluindo o índice de 9,9% obtido no quarto trimestre do ano passado. Vários economistas ocidentais dizem acreditar que os estatísticos chineses estão maquiando as estatísticas de crescimento da China, apresentando números mais baixos, em parte para transmitir uma idéia de estabilidade econômica e também para evitar alarmar os países ocidentais que já estão preocupados com o ritmo de crescimento na China.

Mas, ao mesmo tempo, as autoridades chinesas enalteceram o crescimento econômico do país como sendo parte de seus esforços para cortejar Taiwan, enfatizando as oportunidades que um comércio de maior magnitude poderia proporcionar para os negócios da ilha. Hu divulgou o índice de crescimento do primeiro trimestre durante um encontro no domingo com Lien Chan, o ex-presidente do Partido Nacionalista, a agremiação política oposicionista taiwanesa. A divulgação deste índice de crescimento só estava prevista para a próxima quinta-feira. Ritmo pode obrigar o governo a tomar medidas para impedir um superaquecimento Danilo Fonseca

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