Algumas observações de Blunt

Dália Wheatt do St. Petersburg Times

James Blunt é desavergonhadamente britânico. Ele bebe demais, odeia seus dentes e usa palavras como "campo" ("countryside") em conversas corriqueiras. Mas uma coisa que esse trovador em seus 30 anos não tem é o esnobismo inglês. Deixando de lado as convenções, Blunt derramou sua alma em seu primeiro álbum, Back to Bedlam, que vendeu mais de 7 milhões de cópias em todo o mundo. O sucesso sacarina de Blunt, "You're Beautiful", permeia as rádios, enquanto seu cabelo perfeitamente desarrumado e olhos azuis simpáticos enchem as revistas. Blunt se abriu em inúmeras entrevistas sobre sua infância em uma casa sem rádio, seu serviço no exército britânico e a ex-namorada que foi sua musa para You're Beautiful.

Lucas Jackson/Reuters - 30.abr.2006 
James Blunt se apresenta no Coachella Music Festival, na cidade de Indio, Califórnia

Em entrevista telefônica recente de Lawrence, Kansas, ele se abriu para o jornal. Aqui vão os trechos.

St. Petersburg Times: O que os entrevistadores ainda não perguntaram que o senhor gostaria de dizer?

James Blunt:
Nunca me perguntam sobre as músicas. Mas também é difícil falar sobre música. Suponho que seja mais fácil de ouvir. Imagino que as pessoas nunca se concentram em como as músicas chegam, e a vibração que estabelecemos no disco. Tentamos escrever músicas na forma que os compositores/cantores dos anos 70 escreviam e deixá-lo atemporal.

SPT: De fato, eu tinha uma pergunta sobre "You're Beautiful". No começo o senhor diz: "My life is brilliant" ("Minha vida é ótima") e depois faz uma pausa.Dá a impressão que a declaração é falsa e então recomeça. Por que isso?

Blunt:
Eu não escrevi a música assim, mas quando eu estava gravando, cantei a primeira estrofe e pareceu uma frase forte para começar. E eu estava em Hollywood, gravando meu primeiro disco, algo que eu planejara por tantos anos. Simplesmente fez sentido cantar aquela estrofe e depois pensar a respeito...

SPT: O senhor participou de programas de televisão americanos em sua estadia aqui?

Blunt:
Não, eu nem assisto televisão. Estamos em um ônibus em turnê no momento, então não sobra muito tempo para televisão.

SPT: Certo. Como o senhor passa o tempo, além de dar entrevistas?

Blunt:
De fato, genuinamente, passo meu tempo fazendo isso. Dou entrevistas, visito uma rádio, faço a passagem de som, um show, encontros e depois às 23h30 eu fico bêbado.

SPT: O senhor fica bêbado?

Blunt:
Sim. Sou britânico. Somos famosos por isso.

SPT: Muitos estrangeiros ficam impressionados com a seleção de comida disponível nos EUA. O senhor se apaixonou por novos pratos durante sua turnê?

Blunt:
Sim, com certeza há boa comida por aqui. Eu sou ligeiramente viciado em asas de galinha. Asas de galinha apimentadas.

SPT: Além da música, qual foi a coisa mais romântica que o senhor fez para uma mulher?

Blunt:
A coisa mais romântica que fiz foi no Dia dos Namorados, certa vez. Contratei um helicóptero que jogou 100.000 pétalas de rosas vermelhas em cima da casa de uma garota até ela sair.

SPT: Se o senhor tivesse 24 horas para si mesmo... como as usaria?

Blunt:
Novamente, sendo britânico, eu tomaria uma bebida. E como também tenho dentes ruins, provavelmente usaria a oportunidade para ir ao dentista.

SPT: O senhor se conforma bastante ao estereótipo.

Blunt:
(risos) Não há nada de errado em ser estereotípico. Todos nós fazemos isso em casa.

SPT: Além da música, quais são alguns de seus sons prediletos?

Blunt:
O silêncio é um ótimo som.

SPT: O senhor consegue muito disso?

Blunt:
Não. E também o campo. Eu venho do campo e acho que o mundo natural é um lugar especial.

SPT: Qual foi o local mais estranho que o senhor escutou uma de suas músicas?

Blunt:
Não ouço muito as minhas músicas, fora quando as toco, que obviamente é todo dia. Mas eu entrei em uma lanchonete outro dia e quando eu ia pedir um sanduíche de atum, minha música começou a tocar. Pareceu que toda a loja entrou em câmera lenta. Mas quando eu andei até o balcão eles deviam estar esperando eu dizer: "My life is brilliant" (Minha vida é ótima).

SPT: E o senhor disse...?

Blunt:
Eu disse: "Um sanduíche de atum, por favor."

SPT: O que o senhor fez em seu aniversário deste ano?

Blunt:
Neste ano, no meu aniversário, fiz uma apresentação em Londres. Depois entrei em um jato e voei para Chicago, fiz o Oprah Winfrey Show. De lá, voei direto para Manchester na Inglaterra e fiz outro show. No meio disso tudo foi meu aniversário. Não estou certo de quando exatamente foi.

SPT: O que mais o surpreendeu sobre os EUA quando excursionou pelo país?

Blunt:
Primeiro e acima de tudo, é enorme. E depois que cada cidade tem seu jeito próprio... Acho que eu diria, tentando fazer uma espécie de generalização, que realmente gosto de como os americanos parecem incluir as pessoas. São bastante hospitaleiros e geralmente montam instituições, como clubes, para receber as pessoas, em vez de clubes para excluir as pessoas.

SPT: E não é assim na Inglaterra?

Blunt:
Não, não acho. Acho que provavelmente criamos clubes para serem exclusivos. E isso não é tão amigável.

SPT: O senhor participou de algum clube quando estava na escola?

Blunt:
Sim, tínhamos alguns clubes na escola, faz muito tempo. Nem me lembro sobre eles.

SPT: O senhor era bom aluno?

Blunt:
Fui ao colégio e à faculdade, e tenho um diploma. Acho que meu boletim dizia geralmente: "Poderia ser melhor."

SPT: O seu diploma foi em quê?

Blunt:
Engenharia de produção de aeroespaço e sociologia.

SPT: Essa é uma combinação interessante. O que o senhor pretendia fazer com isso?

Blunt:
Construir aviões e me tornar um astro de rock.

SPT: E o senhor construiu aviões?

Blunt:
Tenho licença para pilotar. Mas o diploma envolveu principalmente dobrar metais até quebrarem e depois estudar o rompimento. Eu achava isso estranhamente sem graça. Um objetivo concluído sobre dois não é tão ruim, porém. Deborah Weinberg

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