O Brasil é novamente a seleção a ser batida na Copa do Mundo

John Henderson
do The Denver Post
em Frankfurt, Alemanha

Será que eles sambam na Alemanha? Os torcedores brasileiros planejam seguir dançando até Berlim e chegar a um recorde de seis títulos da Copa do Mundo, e se alguém é capaz de impedi-los, você pode apostar que alguns italianos, ingleses ou argentinos também sambarão.

Quão bom é o Brasil? Sir Bobby Charlton, um astro da seleção inglesa campeã em 1966 e que atualmente faz parte do conselho diretor do Manchester United, disse que o Brasil está melhor e mais favorito do que há quatro anos, quando derrotou a Alemanha na final por 2 a 0.

"Aquele que derrotar o Brasil vencerá a Copa do Mundo", disse Charlton na semana passada.

O favoritismo do Brasil, que está treinando em Konigstein, cidade próxima de Frankfurt, advém de um conjunto de superastros talentosos que a transformou na seleção mais glamourosa do planeta nos últimos 15 anos. Acrescente a isso um estilo de futebol atraente, criativo, assim como uma abordagem musical que os liberta da imensa pressão nacional que aleija outras seleções, e você tem uma aura que transcende o esporte, fronteiras continentais e, freqüentemente, a imaginação.

Vamos começar por Ronaldinho. Aos 26 anos, o meio-campista é por consenso o melhor jogador no mundo e tem dois prêmios consecutivos de melhor jogador do ano pela Fifa para provar. Considerando que ele conduziu o Barcelona aos títulos do campeonato espanhol e da Liga dos Campeões, a conquista de outra Copa do Mundo o levaria ao recorde de três títulos consecutivos.

As seleções não podem se concentrar nele e ignorar Ronaldo, um colega de equipe que já conquistou três títulos de jogador do ano e é um dos melhores atacantes da história. Ele fez 59 gols em 92 partidas e está na seleção desde 1994, mas com 29 anos ainda é jovem o bastante para garantir estrelato em um Real Madrid repleto de astros.

Seguindo os passos de Ronaldinho está Robinho, um fenômeno de 22 anos que tem sido comparada a Pelé por seus dribles mágicos e pelos títulos
brasileiros de 2002 e 2004 com o Santos, a antiga equipe de Pelé.

Mesmo um suposto ponto fraco do Brasil não é mais um ponto fraco. O Brasil nunca foi reconhecido por seus goleiros, mas Dida se transformou em um dos melhores do mundo pelo Milan e está entrando em sua terceira Copa do Mundo.

Acha o futebol tedioso? Assista o Brasil jogar.

"O Brasil é o favorito esmagador", disse o escocês Derek Rae, um
ex-comentarista de futebol da BBC e atualmente um analista de futebol
europeu para a ESPN. "Se você olhar do camisa 1 ao 11, é difícil dizer que não são os favoritos. Mas atrás do Brasil há três ou quatro equipes que certamente podem derrotá-lo em uma partida."

É verdade. Mas os principais adversários desenvolveram problemas tão
gritantes que é difícil não se perguntar se passarão da primeira fase. No inverno europeu, a Itália era considerada a candidata a derrotar o Brasil após derrotar a Alemanha por 4 a 1, em um amistoso em 1º de março.

O técnico italiano Marcelo Lippi deu ainda mais ênfase ao ataque
acrescentando Filippo Inzaghi ao seu grupo de atacantes perigosos. Um
veterano de duas Copas já considerado velho aos 32 anos, Inzaghi se destacou no Milan nesta temporada.

Mas no mês passado um escândalo de suborno sacudiu o país fanático por
futebol. Quatro grandes clubes -Milan, Lazio, Fiorentina e a 29 vezes campeã Juventus- foram acusados de influenciar os dirigentes da federação para obter árbitros favoráveis e possivelmente manipulação dos jogos.

Não parece que a investigação, que já levou 41 pessoas a serem detidas,
tirará qualquer jogador da Copa do Mundo. Os juízes italianos disseram que esta investigação levará meses.

Além disso, Francesco Totti, considerado o detentor de um dos melhores
passes no mundo, só jogou três vezes desde que fraturou o tornozelo em
fevereiro, e o defensor Gianluca Zambrotta, o jogador mais versátil da
Itália, foi vetado dos dois primeiros jogos devido a uma distensão na perna.

Outra grande adversária do Brasil também tem problemas de lesão. Wayne
Rooney, o atacante mais perigoso da Inglaterra e seu melhor jogador em anos, quebrou o pé em 29 de abril, enquanto jogava pelo Manchester United, e também foi vetado de treinar com os companheiros.

Charlton disse que a ausência de Rooney "poderá ser a diferença entra a
vitória e a derrota. Ele é um jogador muito bom, não apenas pelo que pode fazer individualmente, mas pelo que faz pelos demais jogadores".

Assim restam a Argentina, que conta com os talentos de três títulos da Fifa de categorias jovens na seleção nacional; a Holanda, tão impressionante quanto qualquer outra seleção européia nas eliminatórias; a Alemanha, que é a dona da casa mas pode ser lenta demais; e a França, que tem experiência, mas pode estar velha demais.

À procura de um azarão? Arrisque a Costa do Marfim, que tem oito titulares em campeonatos importantes na Europa. Ou Sérvia e Montenegro, que só tomou um gol nas eliminatórias. George El Khouri Andolfato

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