Crescimento da economia americana não beneficia a todos igualmente

Al Lewis
Do Denver Post

Estamos rumando para o melhor dos tempos, ou o pior? Depende de para quem você pergunta.

Medida pelo Produto Interno Bruto, a economia crescerá 3,6% neste ano, declarou na semana passada o Conselho de Assessores Econômicos do presidente Bush. É um índice de expansão maior que os 3,4% previstos pelo governo há seis meses e que os 3,2% que a economia cresceu no ano passado.

Além disso, o índice de desemprego nacional caiu para confortáveis 4,7%.

As pessoas deveriam estar felizes, mas não estão. O crescimento econômico não beneficia a todo mundo igualmente. Em uma recente pesquisa New York Times/CBS News, 66% desaprovaram a condução da economia por Bush. No mês passado, a confiança do consumidor sofreu uma de suas mais notáveis quedas desde as registradas em 1979-1982.

Sim, os lucros corporativos podem estar fortes, mas muitos americanos lutam com os aumentos dos preços da energia, da inflação e das taxas de juros. A carga de dívidas do consumidor continua aumentando. O crescimento dos salários foi anêmico. A renda média familiar vem caindo. E ainda há muitas demissões, apesar do baixo índice de desemprego. O mercado habitacional, prejudicado pelo crescente nível de inadimplência, está se desvalorizando. E depois de vários anos de recuperação, o mercado de ações esteve incrivelmente volátil no mês passado.

Mas a paisagem vista do alto é melhor.

Os principais executivos das maiores companhias americanas previram um crescimento de 3,4% para este ano, segundo uma pesquisa divulgada na semana passada pela associação de executivos-chefes Business Roundtable.

"Nossa pesquisa mostra que os CEOs acreditam que a economia americana tem força e resistência para suportar os desafios do aumento do preço do petróleo e das taxas de juros", disse Hank McKinnell, presidente da Business Roundtable e principal executivo da Pfizer.

Dos CEOs pesquisados, 82% disseram esperar um aumento das vendas nos próximos seis meses, 48% prevêem um aumento dos gastos de capital e 41% disseram esperar mais contratações de trabalhadores.

Os diretores financeiros não estão tão animados. Em uma pesquisa divulgada este mês pela Duke University/CFO Magazine Business Outlook, somente 24% deles disseram que estão mais otimistas sobre a economia americana neste trimestre. No último trimestre eram 42%.

E agora que é ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan está dando uma visão diferente do aumento dos preços do petróleo. Até a semana passada Greenspan especulava que a economia americana poderia continuar absorvendo o custo de US$ 70 por barril sem muitos problemas. Mas agora ele vê dificuldades.

"Dados recentes indicam que podemos estar finalmente sofrendo certo impacto", disse Greenspan em sua primeira aparição diante do Congresso desde que deixou o Federal Reserve em janeiro.

Por que a mudança? Depois de deixar o cargo ele teve de dirigir seu próprio carro até o posto de gasolina?

O novo presidente do Fed, enquanto isso, continua tocando o alarme da inflação. Na segunda-feira Ben Bernanke indicou que o Fed vai elevar novamente as taxas de juros em sua reunião de 28-29 de junho para manter a inflação sob controle. Suas palavras fizeram os mercados de ações balançarem, pois muitos investidores esperavam uma interrupção na série de aumentos de juros praticados pelo Fed nos últimos dois anos.

Todo mundo parece concordar que a economia está desacelerando do excelente índice anual de 5,3% alcançado no primeiro trimestre deste ano, o maior desde o terceiro trimestre de 2003. Passar desse nível animador para os 3,6% que o governo prevê poderá abalar consumidores e investidores, como os passageiros de um carro que freia subitamente de 80 quilômetros por hora para 40.

Qual será a gravidade disso? Eu perguntei a um touro e a um urso. Jeff Thredgold, um economista do Vectra Bank Colorado, prevê que o Fed vai manter a inflação sob controle, os preços do petróleo e outras matérias-primas vão se moderar e os gastos empresariais preencherão qualquer lacuna deixada pela redução dos gastos do consumidor.

Tucker Hart Adams, economista regional do U.S. Bank, acredita que estamos rumando para uma recessão no próximo ano: "As coisas vão piorar antes de melhorar". Adams, conhecida como a "Duquesa da Ruína" por suas previsões pessimistas, diz que os economistas podem fazer os dados dançarem. "Se você enfatizar um conjunto de indicadores, a economia parece boa", disse Adams. "E se enfatizar outro, parece muito preocupante." Pesquisa mostra que somente 24% dos executivos estão mais otimistas sobre a economia neste trimestre. No último trimestre eram 42% Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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