PRI luta para retomar antiga influência no México

Sean Mattson
Em Guadalajara, México
San Antonio Express-News

As semanas que antecedem uma eleição presidencial costumavam ser bastante tranqüilas para os membros do Partido Revolucionário Institucional (PRI).

Tudo o que eles tinham a fazer era apoiar o candidato do partido e garantir que abocanhariam um pedaço do bolo quando este ganhasse, algo que sempre acontecia.

Mas as coisas não são mais assim.

O PRI, o partido que governou o México durante a maior parte do século 20, está enfrentando por uma das maiores crises da sua história. Pela primeira vez ele ruma para uma eleição presidencial sem ter um dos seus membros ocupando a presidência, e tendo uma reduzida chance de vitória.

Com a aproximação do pleito de 2 de julho, e os dois principais candidatos de outros partidos travando uma disputa acirrada, o candidato do PRI, Roberto Madrazo, está atolado em um terceiro lugar nas pesquisas. Os seus antigos apoiadores, pressentindo desastre, estão deixando o partido mais rapidamente do que o tempo necessário para que se diga a frase: "Nós vamos perder". E muitos dos que estão ficando para trás têm dito ao povo que vote em um outro candidato.

Então, o que aconteceu com o maior, pior e mais bem organizado partido do México?

"O problema é Roberto Madrazo", disse o senador Manuel Bartlett, do PRI.

Madrazo assumiu o controle depois que o PRI perdeu a eleição presidencial em 2000, determinado a conduzir um partido unido de volta ao poder. Em vez disso, ele foi um dos principais protagonistas de lutas internas bastante públicas nos últimos anos, e se tornou um dos políticos mais impopulares do país.

Sem se deixar abalar por pesquisas de opinião e ativistas do partido que lhe disseram que ele não seria capaz de vencer, Madrazo assegurou para si a vaga para disputar a presidência pelo PRI.

Bartlett, um ex-governador do Estado de Puebla, está encorajando abertamente os membros do PRI a votarem em Andres Manuel Lopez Obrador, o candidato populista pelo Partido da Revolução Democrática (PRD), afirmando que, com a sua doutrina esquerdista, esta é a opção mais próxima ao PRI.

Mas a ideologia do PRI não é tão facilmente categorizada. O senador Genaro Borrego, um veterano que atuou durante 30 anos no PRI, e que deixou o partido na semana passada, apóia abertamente Felipe Calderon, do Partido da Ação Nacional (PAN), que atualmente governa o país, como o candidato capaz de dar continuidade às reformas neoliberais implementadas pelo presidente Vicente Fox, do PAN, e pelos três presidentes do PRI que o antecederam.

"Se Lopez Obrador vencer, este país andará para trás", diz Borrego, que foi presidente do partido e governador de um Estado mexicano. "Mas se Calderon ganhar, o país avançará".

Por trás dos problemas do PRI está a incapacidade do partido em se autodefinir. Madrazo alega ser um esquerdista progressista, e atacou repetidamente as reformas econômicas neoliberais promovidas pelo seu próprio partido.

Mas Bartlett observou que, com Madrazo, o partido se inclinou perversamente para a direita.

"O PRI jamais teve uma definição ideológica nítida", afirma Jose Antonio Crespo, cientista político da universidade CIDE da Cidade do México. "A identidade do PRI consistia em permanecer no poder".

Durante os 71 em que o partido ocupou a presidência, o presidente era o chefe não oficial da legenda, mantendo os dissidentes na linha e unindo as facções antagônicas do PRI.

A primeira grande cisão no partido ocorreu em 1987, quando Cuauhtemoc Cardenas, filho de um popular presidente da década de 1930 que nacionalizou a indústria do petróleo, rompeu com o PRI para formar o PRD.

Embora o PRD e o PAN também tenham tido a sua parcela de escândalos de corrupção, uma das maiores reclamações dos indivíduos que abandonaram o PRI é a corrupção generalizada.

"Nós toleramos o fato de haver desonestidade e desvio de verbas. Nós não agimos, portanto, somos cúmplices", reclamou Salvador Cosio Gaona, um parlamentar de Jalisco, que trocou o PRI pelo PRD há tão pouco tempo que ainda fala sobre o seu ex-partido no tempo presente.

O pai de Cosio foi governador de Jalisco, um dos dois membros proeminentes do PRI a desertar o partido naquele Estado - o outro é atualmente o candidato a governador pelo PRD.

"Não enxergo a campanha de Madrazo em Jalisco", disse ele. "Eles não distribuem material de propaganda de Madrazo porque têm vergonha de fazê-lo... Tal distribuição tira votos dos candidatos ao Congresso e às prefeituras".

Os cargos locais ainda são o ponto forte do PRI. O partido governa 17 dos 32 Estados mexicanos, e 70% dos municípios do país, explica o cientista político Manuel Quijano, da prestigiosa universidade UNAM, na Cidade do México.

E as pesquisas sugerem que o PRI terá uma ligeira vantagem em uma esperada divisão em três partes das cadeiras no Senado e na Câmara em 2 de julho próximo.

Mas a maioria dos especialistas concorda que Calderon e Lopez Obrador teriam que cair nas pesquisas para que Madrazo tivesse uma chance de superar o seu déficit nas pesquisas. No entanto, eles estão divididos a respeito do que acontecerá caso o PRI sofra a sua segunda derrota presidencial.

Quijano, da UNAM, espera que o partido continue sendo a mais formidável máquina política do México, e que acabará se reagrupando.

Mas muitos analistas também previram que o dinossauro PRI, após ter a sua cabeça decepada em 2000, estava fadado à extinção.

Madrazo pode perder, mas, segundo Cosio, os seus colegas estão se preparando para obter vitórias no legislativo.

"O que precisa ser definido é aquilo que vem a seguir", disse Bartlett. "A questão é como fazer com que o partido se recupere deste grupo que levou o PRI ao desastre". Candidato do partido a presidente segue em 3º lugar nas pesquisas Danilo Fonseca

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