É um longo caminho até o topo, se você quiser tocar rock

Fred Shuster
do Los Angeles Daily News

O programa que você verá na televisão hoje à noite de "Rock Star: Supernova", série que aumenta o volume da fórmula do "American Idol", é apenas metade do material gravado.

Durante as duas gravações semanais, as provocações entre os concorrentes e os jurados grisalhos de veteranos do rock pesado freqüentemente entram em áreas que fariam o Dr. Drew enrubescer. Mas quase nada disso chega à tela.

Completamente improvisado como noite amadora no Frisky Kitty, o programa "Rock Star: Supernova" anima o público quando as câmeras rodam na CBS Television City.

Durante uma gravação recente num domingo, o diálogo rude entre a roqueira rebelde Storm Large e o júri do programa com tatuagens e piercings -Tommy Lee (Motley Crue), Gilby Clarke (ex-Guns N' Roses) e Jason Newsted (ex-Metallica) e o apresentador Dave Navarro- terminou no lixo da sala de edição, quando o episódio foi ao ar duas noites depois.

Hei, o que se poderia esperar de dois sujeitos (Lee e Navarro) que estão alegremente namorando atrizes pornô?

Atualmente em sua segunda temporada, o programa barulhento e divertido dá aos fãs do rock pesado seu próprio "American Idol". A premissa: o baterista Lee, o guitarrista Clarke e o baixista Newsted devem peneirar a lista de concorrentes para encontrar um cantor para sua nova banda Supernova. Devilish Dave, o guitarrista de Jane's Addiction e membro por cinco minutos do Red Hot Chili Peppers, faz o papel do juiz ácido.

"Os cantores são realmente bons neste ano", disse o irrepreensível Lee no estúdio, onde age como provocador dentro e fora de cena. "'American Idol' é um karaokê de crianças. Esses são verdadeiros cantores de rock, que têm alguma experiência."

A temporada inicial do ano passado colocou o cantor J.D. Fortune à frente do Inxs. Neste ano, há mais ainda em jogo na série de verão sexy de 13 semanas do produtor de televisão de realidade Mark Burnett. Quando decidirem por um cantor, os membros da Supernova vão terminar seu primeiro álbum para a Epic e entrar em turnê mundial em 2007.

"O problema é que tem que ser super bom", disse Clarke. "Eles têm que trazer muito à mesa. Estamos falando de um cantor que ficará na frente de Tommy Lee enquanto ele toca bateria. Não queremos que o público passe o tempo todo tentando ver o que Tommy está fazendo enquanto o cantor está lá na frente tentando distraí-lo".

Os 15 finalistas foram escolhidos depois de uma busca que atraiu 25.000 candidatos em 22 cidades e seis continentes. O vencedor será selecionado durante um programa final de duas horas, no dia 27 de setembro.

Diferentemente de "American Idol", o voto do público apenas influencia o resultado, mas não determina quem será eliminado a cada semana. Em "Rock Star: Supernova", os três roqueiros com menos votos por semana são passíveis de eliminação. Nesta altura, precisam lutar pela sobrevivência cantando na frente do público e do júri. Por fim, a Supernova escolhe quem eliminará a cada semana.

Abaixo uma visão do que acontece por trás das cenas, alguns dos principais concorrentes e a Banda da Casa.

Bastidores

Estúdios de televisão são geralmente ambientes utilitários, com pouca personalidade, exceto pelos cenários e detalhes para a câmera. Esses cenários são cercados de escritórios sem alma e vestiários que parecem mais cubículos.

Na gravação de Hollywood de "Rock Star: Supernova", a cena atrás do palco está perfeitamente em sintonia com o cenário exuberante que faz você pensar que a toca de King Kong foi transferida para um prostíbulo de Nova Orleans.

Lá em cima, no vestiário, o bordel está em plena atuação, e Tommy Lee está no papel de Kong.

Na semana passada, velas iluminavam a toca de Lee e todas as fontes de iluminação disponíveis estavam cobertas com lenços. O vinho branco fluía (em copos de papel) e um harém ocupava todos os espaços, inclusive Tommy Lee.

O sorriso maroto de Lee recebe um visitante de olhos arregalados.

"Isso aqui é incrível", disse o adolescente perpétuo. "É totalmente radical. Podemos ser nós mesmos, nos divertir no palco e fora dele."

Alto, constantemente em movimento e tatuado em todas as áreas visíveis, Lee é a personificação de "Rock Star: Supernova". E está se divertindo.

Depois de gravar, quando o público tinha deixado a sala e a equipe estava empacotando as coisas, Lee ficou tocando bateria, jogando as baquetas para o alto e segurando-as como faz em Crue. "Adoro tocar bateria", murmurou para ninguém em particular.

Os cantores

Alguns dos favoritos que ainda restam na temporada incluem:

Zayra Alvarez: petulante cantora porto-riquenha que freqüentemente rouba a cena e revela roupas como o macacão colante de gata azul que gerou conversas desbocadas entre os rapazes. (Apresentação memorável: "You Really Got Me", do Kinks).

Dilana: Tatuada, talentosa e pequena, essa corajosa cantora e compositora sul-africana tem como ídolo musical Tina Turner. ("Time After Time", de Cyndi Lauper).

Lukas Rossi: camaleão musical canadense, com muita experiência. Tem uma voz cheia de sentimento, carisma e bravura. (Creep, do Radiohead).

Storm Large: alta e magra, esta refugiada do rock da região de San Francisco é destemida diante dos veteranos do júri. Em diálogos incansáveis, Storm responde à altura, mas seus comentários em geral são editados quando o show vai ao ar ("We Are the Champions", do Queen's).

A Banda da Casa

Um dos aspectos mais falados de "Rock Star" é o uso de uma banda extraordinariamente boa -chamada de Banda da Casa- que freqüentemente ofusca os concorrentes e pode superar os membros da Supernova.

A banda de cinco membros de "Rock Star" foi unida para a primeira temporada da série no ano passado pelo produtor musical do show, Clyde Lieberman.

A personalidade e a aparência foram tão importantes quanto à capacidade musical. "Não estávamos procurando músicos de estúdio ou profissionais que passaram tempo demais na escola e precisavam ter tudo escrito", disse Lieberman. "Queríamos uma banda de rock solta, que parecesse uma banda de rock. Queríamos músicos que parecessem estar se divertindo."

Perguntados sobre a Banda da Casa, todos os três membros da Supernova responderam positivamente, usando graus variados de impropérios. "Eles tocam rock da pesada", disse Newsted. "São de fato uma grande banda", disse Clarke. O entusiasmo de Lee foi suprimido do texto.

"Isso aqui não é 'American Idol', onde tudo é gravado", disse Lieberman.
"Queremos um verdadeiro show de música, com apresentações ao vivo de verdade. Queremos correr riscos. Queremos que o público se pergunte o que vai acontecer em seguida."

A Banda da Casa é liderada por Paul Mirkovich, tecladista e diretor musical, que trabalhou com a Cher, Janet Jackson e outros.

Sua experiência é evidente. Com poucos dias de antecedência -freqüentemente no dia da gravação- Mirkovich ajuda os concorrentes do programa a fazer os arranjos e, mais importante, cortar as músicas -algumas famosamente difíceis- de sua duração original para cerca de 90 segundos cada.

"Acho que a que mais me orgulho é 'Bohemian Rhapsody' do Queen's, que fizemos com toda a harmonia dos vocais e guitarra solo em cerca de um minuto e meio. Isso é o tipo de coisa que fazemos."

Os outros membros da Banda da Casa são o baterista Nate Morton, cujo currículo inclui acompanhar Chaka Khan e Vanessa Carlton; o guitarrista Jim McGorman, que era do New Radicals e da banda de Michelle Branch; o baixista Sasha Krivtsov, que trabalhou com James Blunt e Billy Idol e esteve em uma das bandas russas mais populares de rock pesado; e o guitarrista brasileiro Rafael Moreira, que tocava com Pink.

Os cinco são excelentes músicos. Os membros da Supernova mencionaram como evidência as versões da Banda da Casa para "Plush" do Stone Temple Pilots e sua leitura de duas guitarras para "Time After Time".

O futuro da Banda da Casa?

"O sonho seria que o vencedor saísse com a Supernova e o segundo se tornasse parte da Banda da Casa e partíssemos em turnê abrindo para a Supernova", diz Lieberman. 'Supernova' em busca de fibra Deborah Weinberg

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