Trabalhadores americanos em breve terão mais força

Al Lewis
The Denver Post

Os trabalhadores querem salários mais altos, todos os benefícios de atendimento de saúde pagos, contribuição patronal para aposentadoria, bônus, horários flexíveis e um chefe que os trate com respeito.

Estes são os resultados de uma pesquisa Harris Interactive chamada "Trabalhando na América: O Que os Trabalhadores Querem", patrocinada pela Kronos Inc., uma firma de gestão de força de trabalho com sede em Massachusetts.

Pode soar como exigência demais, mas o executivo Stuart Itkin da Kronos me disse que muitos funcionários poderão em breve ter tudo o que querem à medida que a escassez potencial de mão-de-obra virar a mesa financeira contra os empregadores.

"Os empregados vêem suas empresas se saindo cada vez melhor", disse Itkin. "Elas passaram pela recessão. Elas passaram pela recuperação. Suas empresas estão crescendo e ganhando dinheiro, mas eles não estão vendo tal benefício ser repassado para seus salários."

O Escritório de Estatísticas do Trabalho prevê que a força de trabalho doméstica estará carente em 10 milhões de trabalhadores em 2010, à medida que a geração do "baby boom" (pós-Segunda Guerra Mundial) começar a se aposentar.

Em meio a este êxodo em massa do mercado de trabalho, as empresas terão que ser mais generosas, disse Itkin. Elas poderão até mesmo restaurar todos aqueles benefícios médicos que descartaram.

Algumas empresas dizem que já enfrentam dificuldade para encontrar candidatos para cargos de alta qualificação. Em uma pesquisa recente entre gerentes de contratação pela empresa de recursos humanos Robert Half International e pela CareerBuilder.com, 81% disseram que o recrutamento está mais difícil hoje do que há 12 meses. Mas os trabalhadores ainda não descobriram isto -- 85% disseram que está tão ou mais difícil encontrar trabalho hoje do que há 12 meses.

O desemprego está baixo, mas os salários estão estagnados. Assim, em geral, os americanos não sabem como avaliar o mercado de trabalho. Em uma recente pesquisa feita pela empresa de recursos humanos Adecco, 45% não souberam avaliar o panorama do emprego, 24% disseram que ele está melhorando e 22% disseram que o crescimento é mínimo e errático.

Entre os entrevistados pela Adecco, 29% disseram estar trabalhando mais horas neste ano em comparação ao ano passado e 32% se queixaram de mais estresse no trabalho.

Este é o motivo para se acreditar na noção da crescente escassez de trabalho. Muitos "boomers", tendo fracassado em economizar o suficiente para a aposentadoria, continuarão trabalhando até além dos 70 anos. E mesmo quando se aposentarem, o crescimento poderá estagnar enquanto deixam o mercado, eliminando a necessidade de suas vagas.

Ao longo do último ano, dezenas de milhares de trabalhadores foram demitidos em reestruturações corporativas em massa. As empresas continuam transferindo empregos de manufatura para a China e empregos de tecnologia para a Índia. E a mão-de-obra imigrante barata continua a preencher as vagas quando o trabalho precisa ser feito aqui.

Altos executivos ainda caçam salários multimilionários e gerentes médios apenas parecem cultivar insensibilidades.

Uma mulher me escreveu na semana passada descrevendo o que aconteceu quando disse ao seu chefe que sua mãe tinha morrido: "Ele me entregou uma folha de bloco de notas e perguntou se eu podia responder àquele telefonema antes de sair".

Todavia, as coisas estão melhorando, segundo o Workplace Fairness, um grupo que trabalha com empregadores, empregados, defensores de direitos e autores de políticas.

Em relatório chamado "O Ano na Justiça no Local de Trabalho", o grupo nota que 17 Estados aumentaram o salário mínimo e mais Estados estão considerando aumentos semelhantes.

O grupo também apontou que criminosos corporativos estão indo para prisão e que Henry Paulson, o novo secretário do Tesouro do presidente Bush, tratou do tema da desigualdade de renda em um de seus primeiros discursos, a tornando uma prioridade de sua gestão.

Se olhar para trás o suficiente, é possível ver que o mercado de trabalho de fato melhorou. Na comemoração deste 124º fim de semana do Dia do Trabalho, a Ancestry.com, uma provedora de dados genealógicos em Provo, Utah, analisou dados do censo de 1880 para ver que tipo de empregos as pessoas tinham na época.

As principais ocupações eram trabalhador rural, operário, servente, carpinteiro, balconista, professor, alfaiate, ferreiro, mineiro e operário de moinho de algodão. Outros, talvez na verdade desempregados, listavam suas ocupações como "ornitófilo", "bom de papo", "bacharel" ou "cavalheiro".

Hoje, estas pessoas teriam empregos, ganhando 12 dólares por hora como recepcionistas no Wal-Mart, a maior empregadora do país. George El Khouri Andolfato

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