Estações de esqui disputam o título de "a mais ecológica"

Julie Dunn
The Denver Post

As estações de esqui do Colorado mergulharam de cabeça no ativismo ecológico neste verão.

- A Aspen Skiing Company co-assinou uma ação judicial no sentido de exigir medidas para a contenção do aquecimento global.

- A Vail Resorts fez uma compra recorde de equipamentos de energia eólica.

- A Tiny Wolf Creek Ski Area está implementando uma modificação para o uso de energias renováveis.

Sob uma perspectiva de mercado, essa é uma manobra inteligente para angariar a simpatia dos indivíduos que praticam esqui nas encostas nevadas nas quais essas empresas operam. Além disso, segundo os analistas, os diretores desses resorts estão genuinamente preocupados com as ameaças ambientais aos seus negócios.

Uma recente pesquisa encomendada pela Aspen Skiing revelou que 30% dos seus clientes consideram uma postura ecologicamente correta como sendo de "grande importância", contra 10% cinco anos atrás. A empresa privada pretende intensificar a sua luta contra o aquecimento global em uma campanha de publicidade que será lançada neste outono.

"Creio que a maioria dos esquiadores não sabe o que estamos fazendo nessa área, e estamos tentando modificar essa situação", afirma Aulden Schendler, diretor de assuntos ambientais da Aspen Skiing.

Em março, esta companhia de esqui foi a primeira do Colorado a adotar a energia eólica para suprir 100% das suas necessidades energéticas. Na semana passada, ela incluiu o seu nome no processo movido junto a Suprema Corte dos Estados Unidos contra a da Agência de Proteção Ambiental devido à posição desta última que é contrária à regulamentação das emissões de gases causadores do efeito estufa.

No início deste mês, a Vail Resorts também adotou fontes de energia renovável, tornando-se a segunda maior empresa compradora de certificados de energia eólica, perdendo apenas para a Whole Foods. E na semana passada ela fez uma parceria com a National Forest Foundation para arrecadar neste inverno US$ 600 mil para projetos conservacionistas.

O diretor-executivo da Vail Resorts, Rob Katz, declarou que a companhia tomou a decisão consciente de adotar uma postura mais enérgica quanto às suas iniciativas ambientais.

"Vimos a importância dessa mentalidade ecológica aumentar para o mercado, de forma que estamos divulgando mais aquilo que temos feito nesta área", disse Katz. "Esta é a coisa certa a fazer, e esperamos que implique no aumento dos nossos negócios."

Wall Street também está começando a valorizar as iniciativas ecológicas das empresas, segundo Nancy Skinner. Ela é a diretora nos Estados Unidos do The Climate Group, um grupo internacional sem fins lucrativos que promove a liderança empresarial voltada para o combate ao aquecimento global. Entre os seus membros estão a British Petroleum, o HSBC Holding, a Starbucks, a Timberland e a Johnson & Johnson.

"Atualmente existe uma movimentação dos investidores institucionais no sentido de classificar as companhias segundo a postura destas quanto à proteção climática", explica Skinner.

Gigantes do setor financeiro como o Goldman Sachs Group e o J.P.Morgan Chase mergulharam nessa tendência, adotando políticas que privilegiam o investimento em indústrias preocupadas com o meio-ambiente.

"Somos um banco de investimento. Estamos neste negócio para ganhar dinheiro", afirma Christopher Williams, porta-voz do Goldman Sachs, que prometeu investir US$ 1 bilhão em projetos de energia alternativa. "Achamos que isso é bom para os negócios, além de ser a coisa certa a fazer."

Cerca de 40 das 325 estações de esqui dos Estados Unidos estão atualmente comprando "energia verde", segundo a Associação Nacional de Áreas de Esqui. Entre elas estão empresas menores do Colorado, como a Wolf Creek e o Crested Butte Mountain Resort.

Em 2000, a Lakewood, uma associação com sede no Colorado, lançou o programa "Sustainable Slopes" ("Encostas Auto-sustentáveis") a fim de encorajar as estações de esqui a incorporarem mais operações de baixo impacto ecológico e a reduzirem os efeitos negativos do aquecimento global.

"Nos últimos anos, sem dúvida pôde ser observada uma tendência de aumento das preocupações com as questões ambientais", disse o presidente Michael Berry. "E não se trata apenas de Vail e Aspen. É um fenômeno generalizado."

Peter de Leon, professor da Universidade do Colorado em Denver e autor de dois estudos que criticam as práticas "verdes" da indústria, afirma que a disputa entre Vail e Aspen por esquiadores afluentes pode também ser um dos fatores responsáveis pelos programas verdes.

"Creio que existe uma luta acirrada para a superação da companhia adversária", diz o professor. "Antigamente tal concorrência estava centrada nos preços das entradas. Agora a questão é se tornar mais 'verde' do que o adversário. Creio que eles estão buscando formas de melhorar a imagem." Danilo Fonseca

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