Lojas de departamento perdem espaço no mercado norte-americano

Kristi Arellano
The Denver Post

Enquanto a Macy's despeja bilhões de dólares no lançamento da mais recente rede de lojas de departamento dos Estados Unidos, alguns especialistas estão questionando se hoje em dia esse tipo de loja é tão importante quanto costumava ser.

Executivos da Macy's e gerentes de shopping centers por todo o país passaram meses estimulando a transição, feita no último sábado, de 11 redes regionais de lojas de departamento para a marca Macy's.

"Atualmente, a estrutura inteira de lojas de departamento é questionável", afirma a analista de consumo Britt Beemer. "Elas precisam reconstruir a sua imagem."

Os analistas dizem que as lojas de departamento estão perdendo clientes -- especialmente os mais jovens, que tendem as instituições especializadas em descontos, em particular as butiques e as lojas da Internet - porque as mercadorias que elas vendem estão disponíveis em muitos outros locais e o nível dos serviços oferecidos caiu.

O executivo Terry Lundgren acredita que pode revigorar o setor por meio da criação da marca nacional de lojas de departamento da Macy's, que terá um ambiente melhorado, uma maior variedade e produtos de marcas mais famosas. Para atingir essa meta, ele conduziu a compra da May Department Stores Company, no valor de US$ 11 bilhões.

"O objetivo é nos concentrarmos nas nossas melhores marcas nacionais e reduzir os custos, de forma que sejamos capazes de fornecer preços bem mais baixos aos consumidores. Ao continuarmos expandindo agressivamente a Macy's pelos Estados Unidos, aceleraremos o desempenho das nossas vendas de produtos eletrônicos e aumentaremos a lucratividade, o que implicará em um aumento do valor das nossas ações", afirma Lundgren.

Os analistas da indústria garantem que Lundgren terá um grande desafio pela frente.

Em 2005, as vendas das lojas de departamento diminuíram 2,4%, enquanto as vendas totais no varejo, sem a participação das vendas de automóveis, subiram 7,9%, segundo um relatório divulgado em julho pela Retail Forward Incorporation, uma firma de análise de Columbus, Ohio.

Esse foi o quinto declínio das vendas em um período de seis anos, segundo o relatório. Geralmente, as mais famosas lojas de departamento, como a Nordstrom, se saem melhor do que as suas congêneres de dimensão média.

Como prova do declínio dessas lojas, alguns shopping centers estão hoje em dia dispostos a fechar contratos com restaurantes, lojas de descontos ou hotéis para espaços que costumavam estar destinados exclusivamente às lojas de departamento, que geravam grande tráfego de consumidores nos shoppings.

Um executivo da Westcor, uma subsidiária da rede de shopping centers Macerish, anunciou no início deste ano que a companhia está pensando em firmar contrato com um hotel para a ocupação do espaço antes reservado à Lord & Taylor no shopping center FlatIron Crossing, em Broomfield, Colorado.

O shopping Center Southwest Plaza, próximo a Denver, de propriedade da General Growth Properties Incorporation, anunciou recentemente que subdividirá o seu antigo espaço para lojas com a Dick's Sporting Goods e com uma outra loja menor.

Além disso, shoppings abertos -- uma das maiores tendências em espaços comerciais -- são freqüentemente construídos sem lojas de departamentos.

"Não acreditamos que a loja de departamento necessariamente aumente o tráfego de clientes ou as vendas para nós", afirma Terry McEwen, presidente da Poag & McEwen Lifestyle Centers LLC, com sede em Memphis, no Tennessee.

"As lojas de departamento precisam se preocupar com o fato de não se constituírem em um hábito para a nova geração de consumidores", adverte Candace Corlett, funcionária da WSL Strategic Retail, em Nova York.

Chanty Na, um consultor de relações públicas de 27 anos do Colorado, faz parte o grupo de consumidores que se afastou das lojas de departamento. "Nas lojas menores, os estilos são mais relevantes."

Ele diz que costuma comprar em lojas menores, como a Banana Republic e a Abercrombie & Fitch Company, porque estas fornecem melhores serviços e estilos mais elegantes.

"As lojas de departamento reduziram os funcionários em suas unidades, e estão dando aos clientes aquele tipo de serviço que significa que será improvável que eles retornem", afirma Beemer.

Segundo Corlett, as lojas de departamento têm tentado corrigis os seus problemas ajustando os seus estilos para que estes agradem mais ao consumidor, e aumentando a disponibilidade de mercadorias de marcas exclusivas que não podem ser adquiridas em outras lojas.

O setor também está começando a fazer experiências com centros localizados fora de shopping centers projetados para atender aos clientes nos bairros nos quais eles já costumam fazer compras.

Além disso, os analistas também recomendaram que a rede J.C. Penney também passasse por uma reformulação para melhor atender aos clientes.

"Ainda não creio que podemos assumir que elas estão fora do jogo", afirma Patrice Duker, porta-voz do Conselho Internacional de Shopping Centers. "Elas tomaram várias medidas no sentido de melhorar, mas precisam continuar mudando a fim de atender às novas demandas dos clientes." Danilo Fonseca

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