Número de mortos cresce em Bagdá com aumento da violência em meio ao Ramadã

Michael Luo
Em Bagdá, Iraque

Até 60 corpos, muitos deles baleados na cabeça à queima-roupa e exibindo sinais de tortura, foram descobertos por toda a cidade na quinta-feira, disse um funcionário do Ministério do Interior.

O número de mortes foi um dos mais altos em semanas e ocorreu enquanto tropas americanas e iraquianas continuam varrendo os bairros mais perigosos de Bagdá, em um amplo esforço para controlar a capital. As mortes ao estilo execução, freqüentemente motivadas pelo ódio sectário, saltaram dramaticamente aqui após o atentado a bomba contra um templo xiita em Samarra, em fevereiro.

O general William B. Caldwel, um porta-voz das forças armadas americanas, disse na quarta-feira que os assassinatos e execuções continuam matando mais moradores de Bagdá do que bombas suicidas. Oficiais militares previram uma escalada da violência com a chegada do mês sagrado do Ramadã, que começou nesta semana.

Também na quinta-feira, um site islâmico na Internet postou um clipe de áudio de um homem identificado como sendo Hamza al Muhajir, um egípcio que as forças armadas americanas dizem ser o novo chefe da Al Qaeda no Iraque. No clipe de 20 minutos, o homem exorta os combatentes sunitas a "se esforçarem no mês sagrado na captura dos cães cristãos", para troca pelo clérigo egípcio Omar Abdel-Rahman, que foi preso nos Estados Unidos. Abdel-Rahman foi condenado em 1995 por planejar explodir vários marcos de Nova York.

Ele também alertou os sunitas que trabalham com a ocupação americana a mudar de comportamento até o final do Ramadã, considerado pelos muçulmanos como o mês do perdão.

A autenticidade do clipe de áudio não pôde ser imediatamente comprovada.

Enquanto isso, um bairro de maioria xiita no nordeste de Bagdá era alvo de uma das varreduras concentradas por tropas americanas e iraquianas, na tentativa de pacificar áreas problemáticas como parte de um novo plano de segurança para a capital.

Um carro estacionado perto do quartel-general da unidade do exército iraquiano presente no bairro explodiu enquanto passava um comboio de veículos militares iraquianos, disse um funcionário do Ministério do Interior. A explosão, que ocorreu por volta das 7h15 da manhã, matou dois soldados iraquianos e feriu outros oito, assim como quatro civis.

A explosão foi a primeira de várias por toda a cidade. Outro carro-bomba explodiu pouco depois em Baya, um bairro misto na zona sudoeste da cidade, matando um morador e ferindo quatro outros, disse o funcionário do Ministério do Interior.

Uma bomba de rua atingiu um carro-patrulha da polícia em Karada, um bairro comercial no centro de Bagdá, às 8h30, ferindo dois policiais. Quarenta minutos depois, outro artefato explodiu em Yarmouk, na zona oeste da cidade, matando um policial e ferindo três civis.

Outro carro-bomba explodiu por volta do meio-dia perto do cinema Al-Nasr, antes um dos mais populares em Bagdá. Quando a polícia chegou ao local, outra explosão ocorreu. No total, quatro pessoas, duas delas policiais, foram mortas pela dupla explosão e dez ficaram feridas.

Enquanto isso, violência também ocorria em Kirkuk, no norte do país, onde um carro-bomba suicida se chocou com um comboio da polícia iraquiana enquanto este deixava a base militar americana, disse o coronel da polícia, Aiwa Khursheed. A explosão matou um policial e feriu outros 11.

Omar al Neami contribuiu com reportagem para este artigo. George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos