A volta do carvão como fonte de geração de energia

Steve Raabe
The Denver Post

O rei carvão está de volta.

Anos de aumentos punitivos dos preços do gás natural fizeram as empresas geradoras de energia se prepararem para passar da cara geração a gás para mais de 150 novas usinas a carvão.

"Não há dúvida de que o carvão terá um papel bem maior na geração de energia", disse Stuart Sanderson, presidente da Associação de Mineração do Colorado. "Isto favorece não apenas o carvão do Colorado, mas o carvão ocidental em geral."

O interesse renovado no carvão representa uma mudança abrupta em relação aos últimos 20 anos, quando grande parte das novas usinas de força construídas nos Estados Unidos eram alimentadas por gás natural. Antes dos grandes aumentos dos últimos cinco anos, o gás natural era visto como um combustível barato, com o benefício adicional de uma queima mais limpa.

Mas com a alta dos preços de US$ 2 por mil pés cúbicos em 2001 para até US$ 15 em dezembro passado, as usinas a gás provocaram aumentos recordes nas contas de eletricidade dos consumidores. Na sexta-feira, o gás natural era vendido por US$ 5,62 por mil pés cúbicos.

Com base em médias de longo prazo, a energia do gás natural custa entre três e cinco vezes mais do que gerar eletricidade a partir do carvão, segundo analistas do setor.

Em conseqüência, há propostas para 153 novas usinas a carvão em todo país, que forneceriam eletricidade suficiente para 93 milhões de lares.

A Xcel Energy e a Tri-State Generation and Transmission, as duas maiores empresas de geração de eletricidade do Colorado, propuseram investir US$ 7 bilhões em novas usinas, o que representa 5% dos US$ 136 bilhões em novos projetos potenciais acompanhados pelo Departamento de Energia. Tais empresas e seus contribuintes locais correspondem a alguns dos maiores investidores no país no desenvolvimento de usinas a carvão.

As cinco novas usinas no Colorado administrarão uma gama de unidades, desde convencionais até usinas de ponta com baixíssimas emissões.

O aumento do desenvolvimento também poderá beneficiar a indústria de extração de carvão do Colorado, a sétima maior do país com uma produção no ano passado de 38 milhões de toneladas.

A Xcel propôs construir a primeira usina de força do país que converte carvão em gás de queima limpa e também captura as emissões de carbono -vista como um avanço ambiental que mudará a imagem do carvão, de um recurso poluidor para um abundante, limpo e relativamente barato.

O plano poderá custar de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão ou mais, com o possível início da construção em 2009.

A Tri-State, com sede em Westminster, Colorado, está lançando uma campanha agressiva de US$ 5 bilhões para construir três usinas de força a carvão convencionais -duas no oeste do Kansas, até 2013, e um no sudeste do Colorado, em 2020- principalmente para atender a crescente demanda por eletricidade dos consumidores do Colorado.

A perspectiva de um aumento nacional de novas usinas a carvão está alarmando os defensores ambientais. O Departamento de Energia projeta que a nova geração a carvão aumentará as emissões de dióxido de carbono em 52% até 2030. Muitos cientistas acreditam que emissões de carbono contribuem para o aquecimento global.

"Há enormes conseqüências ambientais adversas", disse John Nielsen, diretor do programa de energia da Western Resource Advocates, um grupo de pesquisa ambiental com sede em Boulder, Colorado.

Nielsen disse que as empresas de energia e seus clientes também enfrentam riscos financeiros com as usinas a carvão se o governo federal tributar as emissões de carbono.

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, sancionou na semana passada um pacote de leis para aquecimento global que impõe o primeiro teto do país para emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa.

Mas defensores do setor elétrico e mineração dizem que os donos das empresas e os clientes se beneficiarão com um maior uso do abundante e relativamente barato carvão.

Mas o carvão não está imune aos aumentos de preços. O carvão da Wyoming's Powder River Basin, a maior produtora do país, sofreu aumento de preço nos últimos cinco anos, de US$ 3,60 a tonelada em 2001 para US$ 17,50 no início deste ano, quando problemas de transporte causaram escassez por curto prazo. De lá para cá, o preço caiu para cerca de US$ 8.

Mas analistas disseram que as vastas reservas de carvão nos Estados Unidos -uma oferta estimada para 250 anos- o deixam menos volátil em preço do que o petróleo ou gás natural, e uma fonte de energia mais confiável.

Energia renovável solar e eólica deverão ocupar uma parcela cada vez maior das necessidades de energia no futuro, mas sua natureza intermitente a torna menos confiável do que as usinas a carvão, que produzem energia 24 horas por dia, dizem defensores do carvão.

"Há um limite para o que se pode fazer com energia renovável, preservação e eficiência", disse Jim Van Someren , um porta-voz da Tri-State. "Para atender a demanda atual, nós temos uma necessidade urgente de mais geração (a carvão)."

A Tri-State explorou a tecnologia de gaseificação de carvão ultralimpa que a Xcel pretende usar, mas a Tri-State optou por não usar o processo em suas três usinas propostas. "Nós consideramos isto, mas devido aos prazos, nós precisamos ter nossas usinas (convencionais a carvão) operando mais rapidamente", disse Van Someren. "A geração a carvão é atacada por várias entidades, mas todas nossas instalações operam dentro dos parâmetros de emissões estaduais e federal."

Nielsen disse que as três usinas da Tri-State produzirão cerca de 15 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Ele disse que a empresa deveria dar mais atenção a energia renovável e preservação.

"Você tem uma empresa colocando todos seus ovos em uma cesta e isto é muito arriscado", ele disse. "O carvão talvez esteja ajudando a aliviar seus riscos financeiros, mas estão ignorando completamente os riscos regulatórios e ambientais." George El Khouri Andolfato

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