Líder dos conservadores do Reino Unido busca 'centro' político

Alan Cowell
em Bournemouth, Inglaterra

David Cameron, o jovem líder da ressurgente oposição conservadora do Reino Unido, buscou no domingo afastar seu partido do duro legado de Margaret Thatcher, pedindo para ocupar a posição de centro, que "é onde se encontra as preocupações, esperanças e sonhos da maioria das pessoas e famílias deste país".

Gerry Penny/EFE 
Cameron, 39 anos, é o jovem líder da ressurgente oposição conservadora do Reino Unido

Cameron, 39 anos, estava falando na convenção anual do partido neste ruidoso e desbotado resort na costa sul, parte do ritual político do outono britânico, onde os partidos, em suas reuniões, buscam definir sua mensagem, mobilizar simpatizantes e selar fissuras em suas fileiras. Na semana passada, o primeiro-ministro Tony Blair discursou na convenção de seu Partido Trabalhista pelo que disse ser a última vez antes de deixar seu cargo. O discurso de Cameron, por sua vez, foi seu primeiro desde que conquistou a liderança de seu partido há 10 meses.

O senador americano John McCain, um potencial candidato republicano à Presidência em 2008, também discursou na convenção do Partido Conservador. Cada um elogiou o outro e suas perspectivas. Blair convidou Bill Clinton à sua reunião, e Cameron descreveu sua visão da diferença: "O Partido Trabalhista chamou o ex-presidente dos Estados Unidos. Nós queríamos o próximo".

O encontro aqui ocorre após meses de esforços de Cameron para criar um novo sentimento político para o partido, mais sintonizado com as preocupações ambientais, um governo central menor e o que chamou de assuntos do interesse da família. Ele rejeita a imagem conjurada pelos adversários dos conservadores serem freqüentemente divididos, eurocépticos de direita, ricos e egoístas.

Mas ele disse que só entrará em detalhes sobre como transformará seu partido no final da convenção de quatro dias, inspirando escárnio do ministro do meio ambiente, David Miliband, um aliado de Blair, de que "retórica oca e slogans vazios não bastam" e que Cameron é "cheio de estilo mas sem substância". Os conservadores usaram palavras semelhantes para criticar Blair.

Como outras figuras da oposição que falaram no domingo, Cameron pediu aos conservadores que assumissem uma maior responsabilidade pelo seu destino.

"A história do nosso partido nos diz em que posição o sucesso político é construído - é no centro, não no atoleiro do compromisso político, não no deserto ideológico fora dos limites do debate", ele disse. "A posição de centro é onde se encontra as preocupações, esperanças e sonhos da maioria das pessoas e famílias neste país."

Em 1979, quando Thatcher assumiu o poder, ele disse, os britânicos queriam um governo capaz de domar os sindicatos trabalhistas e ressuscitar a economia.

"Margaret Thatcher ofereceu precisamente tal alternativa e este partido
poderá para sempre se orgulhar de seu feito magnífico", disse. "Hoje as pessoas querem coisas diferentes."

"Por tempo demais, nós mantivemos uma conversa diferente. Em vez de falar sobre as coisas com as quais as pessoas mais se importam, nós conversamos sobre as coisas com que nos importávamos. Enquanto os pais se preocupavam com creches, com a escola das crianças, com o equilíbrio entre trabalho e vida familiar, nós estávamos discutindo sobre a Europa."

Ele acrescentou: "Por anos, este país queria -precisava desesperadamente- de um partido de centro-direita sensível para separar as coisas de forma sensível. Bem, é onde estamos agora".

Seu discurso obteve uma resposta estática de delegados como Kevin Dewey, um militante conservador de Surrey, no sul da Inglaterra, que chamou o discurso de "inspirador".

"Ele respondeu algumas perguntas que fazíamos sobre o rumo do partido", ele disse em uma entrevista.

Angharad Davies, outra delegada do sul da Inglaterra, disse ter ficado
surpresa com as poucas queixas evidentes por parte dos membros da ala mais à direita do partido. O discurso, ela disse, foi "idealista e otimista, e isto é o que as pessoas precisam na Grã-Bretanha".

Desde que assumiu a liderança do Partido Conservador, Cameron tem desfrutado de uma lua-de-mel política, aparecendo à frente do Partido Trabalhista nas pesquisas de opinião. Mas a diferença está se estreitando, levando alguns analistas políticos a dizerem que Cameron precisa aumentar a confiança própria de seu partido e suas perspectivas com uma visão de vitória na próxima eleição nacional britânica, que ocorrerá em 2009.

Cameron prescreveu para seus seguidores: "Deixem a alegria vencer. Façam com que todos saibam que o Partido Conservador está pronto para lutar, pronto para vencer". George El Khouri Andolfato

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