Autoridades russas prometem mais sanções contra a Geórgia

Steven Lee Myers, em Moscou
Michael Schwirtz, em Batumi, Geórgia

Tensões diplomáticas entre a Rússia e Geórgia pioraram significativamente na terça-feira, com as autoridades russas prometendo impor sanções econômicas ao seu vizinho do sul.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey V. Lavrov, disse que a suspensão das ligações de transporte e serviço postal -anunciadas na segunda-feira e implementadas na terça-feira- visa cortar o que descreveu como transferências ilegais de dinheiro da grande diáspora georgiana na Rússia, que ele disse que estão sendo usadas para financiar o reforço militar da Geórgia.

Ele disse que as sanções entrariam em vigor apesar da libertação na segunda-feira de quatro oficiais militares russos, cujas prisões pela Geórgia na semana passada, sob acusação de espionagem, provocaram uma nova rodada de acusações furiosas entre os dois países.

A Câmara baixa do Parlamento russo anunciou que está elaborando um projeto de lei que proibirá toda transferência de dinheiro para a Geórgia, estimada como sendo uma parte significativa da economia daquele país.

Lavrov disse que a Geórgia está ampliando suas forças armadas em preparação para a tomada do controle de duas regiões dissidentes, Abkhazia e Ossétia do Sul, que recebem apoio significativo da Rússia.

Em comentários lembrando os confrontos da Guerra Fria na Europa, Lavrov sugeriu que a Geórgia tinha prendido os oficiais russos com encorajamento tácito dos Estados Unidos e da Otan, que concordaram no mês passado em uma agenda de negociações para ingresso potencial da Geórgia na aliança militar.

"A captura de nossos oficiais ocorreu imediatamente após, eu repito, a decisão da Otan de conceder à Geórgia um plano de cooperação intensa, um diálogo intenso", disse Lavrov, acrescentando que a medida da Otan ocorreu após a recente visita do presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, a Washington.

Um alto funcionário americano disse, em uma entrevista por telefone, que as afirmações de Lavrov são infundadas, acrescentando que os Estados Unidos pediram aos georgianos, assim como aos russos, para desarmarem as tensões. "Isto não é verdade e Lavrov sabe que não é verdade", disse o funcionário, que falou sob a condição de anonimato, sobre as acusações de encorajamento por parte dos Estados Unidos ou da Otan.

Os comentários de Lavrov foram feitos em meio a uma série de atos retaliatórios em Moscou contra a Geórgia ou interesses econômicos georgianos. Eles, por sua vez, foram acompanhados por um frenesi de reportagens na imprensa sobre a criminalidade georgiana.

Começou na manhã de terça-feira em Moscou, com uma batida do Ministério do Interior contra um cassino controlado por georgianos chamado Krystal. Lá, noticiou a Agência de Informação Russa, oficiais encontraram 84 mesas de aposta e 259 caça-níqueis sem documentação apropriada e uma "grande quantidade de caviar" na cozinha do cassino que os proprietários não puderam provar a legalidade ou segurança.

O Ministério do Interior tomou posteriormente um hotel georgiano em Moscou após uma inspeção, enquanto as autoridades municipais anunciavam o confisco de 500 mil garrafas de vinho georgiano, que foram encontrados apesar da proibição russa imposta no início neste ano.

Não ficou claro quão longe a Rússia irá no rompimento dos laços econômicos. Todos os vôos entre a Rússia e Tbilisi, a capital da Geórgia, foram cancelados, por exemplo, mas a Gazprom, o monopólio russo de gás, informou que não interromperá o fornecimento.

Na Geórgia, Saakashvili disse que o efeito potencial da pressão econômica russa foi "enormemente exagerado". Em uma entrevista, ele defendeu a decisão de prender os oficiais russos, que posteriormente liberou, e permaneceu desafiante.

"Nós estamos preparados para viver sem a Rússia", disse. George El Khouri Andolfato

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