Mikhail Gorbatchev compara cerca na fronteira ao Muro de Berlim

Bob Campbekk e Ruth Campbell, do Midland Reporter-Telegram
em Midland, Texas

O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev comparou a proposta americana de um muro de mais de 1.100 quilômetros na fronteira entre os Estados Unidos e México ao Muro de Berlim.

Falando em uma coletiva de imprensa do Centro para Energia e Diversificação Econômica da Bacia Permiana da Universidade do Texas na Bacia Permiana, Gorbachev alternava seriedade e irreverência.

"Vocês se recordam da visita do presidente Reagan a Berlim na qual disse: 'Este muro devia ser derrubado'", disse o ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1990, o último líder da União Soviética.

"Agora os Estados Unidos parecem estar construindo quase a Muralha da China entre eles e este outro país com o qual estão associados há muitas décadas e com o qual cooperam e interagem."

"Eu acho que o que é realmente necessário são idéias e propostas sobre como melhorar a cooperação e acertar todas estas questões envolvendo o fluxo de imigração. Eu não acho que os Estados Unidos sejam tão fracos e careçam tanto de confiança a ponto de não serem capazes de encontrar uma solução diferente."

Na palestra posterior na terça-feira, Gorbachev, 75 anos, que vive em
Moscou, disse que não é tarde demais para os Estados Unidos atraírem outros países para elaborar uma estratégia para retirada do Iraque.

A guerra foi um erro desde o início, disse Gorbachev. Por meio de um intérprete, Gorbachev falou como parte da Série de Palestras Ilustres do Instituto de Liderança Pública John Ben Shepperd. O JBS fica na Universidade do Texas da Bacia Permiana. "Nos disseram que se tratava de um ataque preventivo contra um regime que tinha armas nucleares. Eles não encontraram armas nucleares. Eles não encontraram armas químicas. Eu acho que a situação no Oriente Médio também sofreu", ele disse.

Gorbachev recomendou o uso da abordagem da União Soviética para sua retirada do Afeganistão. Os iraquianos dizem que serão capazes de controlar seu país. "Eu acho que pode haver um surto de violência e instabilidade. Eu acho que seria melhor uma retirada antes do término do mandato do presidente Bush", ele disse.

Ele acrescentou que o governo Bush deve consultar a União Européia e os
países árabes para solucionar a guerra no Iraque. A Rússia, ele disse,
também gostaria de exercer um papel como fez no Iraque e no Oriente Médio por anos.

Quanto ao assunto de seu mandato de 1985 a 1991, Gorbachev disse que a decisão mais difícil que tomou foi o início da "perestroika" (reestruturação). "Eu poderia continuar sentado na cadeira de secretário-geral e talvez poderia até mesmo ainda estar sentado aquela cadeira. Mas não sou assim", disse.

Na época, os russos estavam marginalizados e incapazes de expressar suas opiniões. "Nós queríamos saber o que pensavam. Sem a 'perestroika', 'glastnost' (abertura)" aquilo não seria possível, ele disse. "Sem a 'glastnost', nós não poderíamos melhorar nada", ele acrescentou.

Apesar da vida ter ficado difícil por muitos anos enquanto o país seguia na direção de uma economia de livre mercado, Gorbachev disse que a Rússia está novamente em ascensão. "Nós acreditamos que a Rússia ficará firmemente em pé. A Rússia é uma participante séria na política internacional e pode ser parceira de vocês. A liderança russa deseja uma boa parceria com os Estados Unidos", mas a aliança deve ser uma rua de mão dupla, ele disse.

A confiança desenvolvida entre os Estados Unidos e a Rússia sob os
presidentes Reagan e George H.W. Bush foi desperdiçada, ele disse.

Os atuais líderes não têm vontade política suficiente e visão para dar
continuidade ao que foi conquistado antes, ele acrescentou. "Eu acho que a América tem um presidente real. Havia algumas dúvidas sobre
George Bush, assim como havia algumas dúvidas sobre (o atual presidente
Vladimir) Putin. Mas tanto o presidente Bush quanto o presidente Putin estão realizando seu trabalho", ele disse. "Há alguns problemas entre a equipe do presidente Bush. O presidente Bush ainda dispõe de tempo" para fazer coisas importantes no cenário mundial. George El Khouri Andolfato

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