Estadistas e terroristas sabem como usar o sentimento americano em relação à guerra

Bridget Johnson
do Los Angeles Daily News

Recentemente eu comprei um peixe beta macho por impulso como um acréscimo divertido à minha mesa. Eles são tecnicamente peixes beta siameses de briga, mas eu me concentrava em outra luta e o batizei de Muqtada al Fish, inspirada pelo líder xiita iraquiano supremo da coalizão de perturbação, Muqtada al Sadr.

A princípio imaginei que Muqtada al Fish tinha sido batizado erroneamente: ele é gracioso, agradável e não um patife completo como meu outro beta, o fã de violência Ayman al Zawafishi. Mas após esgotar muita comida para peixe, eu percebi que Muqtada sabia como explorar minhas simpatias para obter exatamente o que queria. Talvez ele não seja, afinal tão diferente do chefe do Exército Mahdi, salvo pelos dentes tortos de Al Sadr.

Porque os poderes constituídos - estadistas ou vilões - no Iraque aprenderam exatamente como explorar o sentimento americano e a cobertura da mídia para obter o que querem, e em nenhum outro momento isto está mais aparente do que pouco antes destas cruciais eleições de meio de mandato.

No sábado, um assessor de Nouri al Maliki disse que o primeiro-ministro
iraquiano está explorando intencionalmente o descontentamento americano com a guerra durante o ciclo eleitoral para torcer o braço do governo Bush e obter o que deseja -uma transferência mais rápida do controle de Bagdá para o exército iraquiano. "É a chance de Al Maliki obter o que deseja", disse o assessor, Hassan al Suneid. "É a chance de Al Maliki forçar um melhor acordo para si."

Al Maliki, um xiita, se queixou que o embaixador americano Zalmay Khalilzad é um sunita, obtendo uma teleconferência arranjada às pressas com o presidente Bush para expressar suas mais recentes reclamações. Se o primeiro-ministro emprega estas tolices sectárias em seus acordos de governo, pode-se realmente esperar o fim dos ataques em retaliação de sunitas e xiitas que dividiram Bagdá?

Independente disto, ele aprendeu que os Estados Unidos podem ser prestativos se você usar suas pesquisas Gallup corretamente, se estudar blogs suficientes e assistir bastante a "CNN".

Outros com intenções mais nefastas também aprenderam isto.

O secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, notou recentemente que os
terroristas se tornaram adeptos de manipular o povo americano por meio da mídia, incluindo o planejamento de ataques que colocam em dúvida a Guerra contra o Terror ou a noção de que as ações americanas no mundo apenas estimulam ataques terroristas.

Mas há um retrospecto do inimigo manipulando tais sentimentos a seu favor.

Os atentados a bomba contra trens em Madri ocorreram três dias antes das eleições nacionais de 2004 na Espanha, catapultando o Partido Socialista de oposição (também conhecido como Partido da Retirada do Iraque) para a vitória já que os ataques foram vistos como uma retaliação à participação da Espanha na coalizão.

Os terroristas e seus simpatizantes conhecem relações públicas e conhecem o momento oportuno.

Assim, é possível olhar para as bombas em estradas no Iraque como tentativas valentes de rebeldes abnegados para expulsar os opressores de sua terra natal, ou reconhecer os ataques de guerrilha pelo que realmente são: uma campanha de relações públicas altamente orquestrada para mudar a opinião americana, morte por morte, apesar de não causarem um estrago significativo no amplo esforço da coalizão. Afinal, o número de americanos mortos no Iraque após três anos e vários meses é de mais de 2.800; nos três anos da Guerra da Coréia, mais de 36 mil americanos foram mortos.

O sentimento em relação ao Iraque claramente acompanha a divisão partidária. Em uma pesquisa da "Newsweek" de 26-27 de outubro, 65% dos republicanos opinaram que estamos progredindo no Iraque, e 85% dos democratas disseram que não estamos; 75% dos democratas disseram que desejam um prazo para retirada, em comparação a 39% dos republicanos.

A guerra dói, mas a perspectiva nos mostra que o Iraque não é o atoleiro completo que é pintado. Veja o que não está virando notícia: apesar de sunitas e xiitas estarem aperfeiçoando técnicas de decapitação em Bagdá, o norte do Iraque está vivenciando um boom de desenvolvimento. Mais de 800 empresas de 27 países participaram da feira "Reconstrução do Iraque 2006" na capital curda de Irbil no mês passado, incluindo Motorola, FedEx, Showtime, General Motors, Ford, Toyota e Mercedes-Benz.

Condomínios estão sendo construídos, assim como shopping centers e cinemas. Também é seguro. Quando os curdos filmaram comerciais de TV agradecendo os Estados Unidos pela democracia, eles não estavam apenas assoviando "Dixie".

Quando os americanos forem às urnas na terça-feira, será que serão
manipulados por Muqtada e suas milícias, pela Al Qaeda e grupos aliados que estão lutando com unhas e dentes para assegurar a saída da coalizão liderada pelos americanos e terem um novo playground? Será que esta eleição será nossa Madri, mas com uma guerra longa e um foco no negativo levando as pessoas ao partido da retirada? George El Khouri Andolfato

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