Democratas no Congresso americano buscam mudanças nas políticas para a América Latina

John Otis, do Houston Chronicle
em Bogotá, Colômbia

Nos últimos seis anos, os democratas acusaram o presidente Bush e o Congresso controlado pelos republicanos de adotarem políticas contraproducentes para a América Latina ou de ignorarem completamente a região.

Agora, após as vitórias nas eleições de meio de mandato que lhes deram o controle da Câmara e do Senado, muitos legisladores democratas estão prometendo buscar mudanças sutis nas políticas para a região em tudo, de imigração e comércio à ajuda militar americana.

"Nós estaremos em posição de tentar mudar o perfil destas questões", disse Tim Rieser, um assessor do senador Patrick Leahy, democrata de Vermont, que deverá assumir a presidência da comissão de operações estrangeiras do Comitê Orçamentário. "O Congresso não comanda o navio, mas tem um grande papel na determinação de quão longe vai e em que direção."

O primeiro sinal de uma mudança no relacionamento americano poderá aparecer na quarta-feira, quando, após anos de negociações duras e implacáveis, autoridades americanas e colombianas se reunirão em Washington para assinar um acordo comercial. Mas a passagem do acordo pelo Congresso, assim como de um acordo semelhante com o Peru, agora parece em dúvida porque os democratas costumam ser mais céticos em relação a pactos comerciais do que os republicanos.

O mais recente acordo comercial aprovado pelo Congresso, o Acordo de Livre Comércio Centro-Americano, passou por apenas um voto no ano passado na Câmara controlada pelos republicanos. Na eleição de 7 de novembro, 34 cadeiras na Câmara e no Senado trocaram de mãos de defensores do atual modelo de acordos internacionais de comércio para seus críticos, segundo um estudo da Global Trade Watch, uma organização com sede em Washington.

Alguns democratas querem reescrever tanto o acordo com a Colômbia quanto o com o Peru para inclusão, entre outras coisas, de mais regulamentações ambientais e garantias mais fortes para organizações sindicais.

Por ora, não se sabe se estas questões poderão ser resolvidas por meio de acordos paralelos ou se os acordos comerciais terão que ser renegociados, o que poderia levar anos. "Isto não significa que já nasceram mortos. Mas certamente serão adiados", disse Chris Sabatini, um membro do Conselho das Américas, uma organização com sede em Nova York.

Quanto ao México, muitos democratas rejeitam a posição linha-dura de alguns republicanos em relação à imigração -incluindo as propostas de construção de muros em trechos da fronteira entre os Estados Unidos e México. "A construção de um muro não é o símbolo que os Estados Unidos devem ter em suas relações com o México e certamente haverá um tom diferente com os democratas", disse John Walsh, do centro de estudos Escritório de Washington para a América Latina.

Mas John Bailey, um especialista em México da Universidade de Georgetown, disse que a mudança de poder no Congresso "fará pouco no próximo biênio para resgatar o relacionamento entre Estados Unidos e México da inércia dos últimos cinco anos".

Bailey disse que as eleições enviaram uma mensagem ambígua sobre a
imigração, com eleitores ambivalentes em relação às propostas que tornariam a imigração legal mais fácil e com vários democratas conservadores, que são linhas-duras em imigração, eleitos em eleições chaves.

Mais ao sul, a Colômbia aparece como a maior recebedora de ajuda americana fora Israel e Egito, mas muitos democratas estão pressionando por mudanças na forma como o dinheiro é gasto.

Segundo a política "Plano Colômbia" do governo, os Estados Unidos gastaram desde 2000 quase US$ 5 bilhões em ajuda, principalmente militar, no combate aos traficantes de narcóticos e guerrilheiros marxistas do país. Apesar da segurança ter melhorado em muitas partes do país, os rebeldes continuam sendo uma ameaça enquanto toneladas de cocaína e heroína colombianas continuam chegando aos Estados Unidos.

"Seis anos e US$ 4,7 bilhões depois, os resultados do controle das drogas são, na melhor das hipóteses, escassos", disse a deputada Jan Schakowsky, democrata de Illinois, membro da liderança democrata na Câmara no mandato que está se encerrando, em uma audiência em junho passado.

Muitos democratas querem reduzir os gastos militares e usar o dinheiro para reforçar programas de combate à pobreza, relocar pessoas deslocadas pelos 42 anos de guerra civil da Colômbia e encorajar os plantadores de coca, a matéria-prima da cocaína, a cultivarem outros produtos. "Os democratas não planejam deixar a Colômbia. Nós queremos assegurar que nosso investimento seja inteligente", disse o deputado James McGovern, democrata de Massachusetts, um membro do poderoso Comitê de Regras da Câmara.

Em outras partes na região, os analistas dizem que os democratas
provavelmente pedirão ao governo Bush que promova relações cordiais com os líderes esquerdistas que foram eleitos recentemente, incluindo Evo Morales, na Bolívia, e Daniel Ortega, na Nicarágua.

A meta, eles disseram, é impedir que estes governos se aconcheguem demais com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que está concorrendo à reeleição em 3 de dezembro e que é o mais forte oponente de Washington na região. Os democratas têm sido quase tão críticos do esquerdista Chávez - que chamou Bush de "o diabo"- quanto os republicanos.

"É difícil acreditar que haverá um interesse maior entre os democratas em estender um ramo de oliva para Chávez", disse John Walsh. Ele notou que a futura presidente da Câmara, Nancy Pelosi, democrata da
Califórnia, já chamou o líder venezuelano de "rufião". George El Khouri Andolfato

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