Organização ecológica americana pede proteção para pingüins

Jane Kay
San Francisco Chronicle

Os pingüins no Hemisfério Sul precisam de proteção extra conferida pela lei ambiental dos Estados Unidos para que resistam a uma ameaça representada pelo aquecimento global e a pesca excessiva, segundo uma petição apresentada na semana passada a funcionários federais do setor de defesa da vida selvagem.

Divulgação 
Protagonista de "Hapy Feet" é pingüim imperador, espécie ameaçada pelo aquecimento global


Das 19 espécies de pingüins existentes, 12 podem estar marchando para a extinção caso o governo dos Estados Unidos não as coloque sob a proteção da Lei de Espécies Ameaçadas, argumenta a petição preparada pelo Centro de Diversidade Biológica, uma organização de âmbito nacional sem fins lucrativos com sede em São Francisco.

"Poderá acontecer com os pingüins das espécies imperador e adelie o mesmo que está ocorrendo com o urso polar no Ártico", advertiu na última quinta-feira o biólogo marinho David Ainley, que está na Ilha Ross, na Antártida, referindo-se às duas espécies de pingüins que vivem no gelo marinho. "Se não houver gelo marinho, essas espécies deixam de existir."

O governo precisa reduzir a pesca industrial no Oceano Antárctico a fim de que sejam preservadas as reservas de alimentos dos pingüins, bem como controladas as emissões de gases geradores de efeito estufa que causam o aquecimento dos oceanos, o que implica no derretimento do gelo marinho que é o habitat dos animais, explicaram os ativistas na petição.

O documento, protocolado junto ao Serviço de Pesca e Vida Selvagem em Washington, D.C., foi elaborado 18 meses após os indivíduos terem começado a lotar as salas de exibição cinematográfica para assistirem aos pingüins imperadores bambolearem pelos campos de gelo a fim de chocarem e alimentarem os seus bebês emplumados no filme "A Marcha dos Pingüins". Agora, o filme "Happy Feet" está entretendo as crianças com pingüins sapateadores que repelem embarcações enormes dotadas de redes gigantescas que competem com os animais pelo peixe da região.

Kassie Siegel, advogada do Centro de Diversidade Biológica que ajudou a redigir a petição, elogiou os filmes, afirmando que houve uma redução nas populações dos pingüins das espécies Humboldt, rockhopper, africano, macarrão e Galápagos devido ao aquecimento do oceano e à pesca desenfreada de determinadas espécies, incluindo o krill, o camarão que está na base da cadeia alimentar, e o toothfish da Patagônia, um peixe que é vendido como bass marinho chileno.

Em Washington, Chris Tollefson, porta-voz do Serviço de Pesca e Vida Selvagem, disse que a agência acabou de receber a petição. "Obviamente, vamos avaliar o caso e tomar uma decisão." Segundo a lei, a agência tem 90 dias para responder.

De acordo com os cenários referentes ao aquecimento global esperado para as próximas décadas, os pólos Sul e Norte deverão passar por extremas mudanças.

O Ártico já está sofrendo um aquecimento mais rápido do que o resto do planeta. Nos últimos 30 anos, a quantidade de gelo marinho flutuante que fica congelado durante o verão vem diminuindo progressivamente, e menos gelo volta a se formar no inverno. Além disso, a camada de gelo da Groenlândia vem se derretendo de forma mais acelerada.

A situação na Antártida é mais complicada. Em algumas partes, o gelo marinho está se expandindo, e em outras se retraindo. A calota de gelo na Artártida Oriental aumenta de tamanho, enquanto a da parte ocidental do continente diminui.

"Sete espécies de pingüins vêm sendo afetadas dramaticamente pela exploração desenfreada do seu alimento pelas indústrias de pescado", afirmou Ainley, que falou com a reportagem pelo telefone durante uma tempestade de neve de verão. "Os pingüins imperador e adelie, as duas espécies que vivem de fato nas altas latitudes antárcticas, estão a ponto de serem afetados", disse ele. Ainley, que anteriormente trabalhava no Observatório de Pássaros Point Reyes, está fazendo um trabalho de campo com a duração de dois meses, cujo objetivo é o estudo dos mais de 190 mil casais de pingüins adelie que nidificam neste momento em três cabos do sul da Antárctica.

As colônias de pingüins adelie e imperador sofreram perdas enormes nos locais em que há menos gelo marinho, na parte mais quente, ao norte da Antárctica, disse Ainley, embora a maior parte da população ainda não tenha sido afetada.

O Centro de Diversidade Biológica solicitou ao Serviço de Pesca e Vida Selvagem que protegesse o urso polar segundo a legislação federal. Um tribunal estabeleceu que uma decisão será tomada sobre o assunto até o dia 27 de dezembro.

Se um animal ou planta passa a fazer parte da lista, as agências federais são obrigadas a levar em consideração o bem estar dessas espécies ao tomarem certas decisões. Por exemplo, devido ao fato de o aquecimento global se constituir em uma ameaça à sobrevivência do urso polar, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos teria que levar em conta as emissões de gases geradores do efeito estufa ao emitir certificados de aprovação de fábricas e instalações industriais, argumenta o grupo ambientalista.

No caso dos ursos polares e pingüins, as agências teriam que determinar se as atividades comerciais contribuem ou não para os danos às reservas de alimentos e aos habitats de outros animais, além de causarem outros problemas para eles, afirma o grupo.

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