Morte de defensor italiano da eutanásia gera dúvidas

Ian Fisher
Em Roma

Piergiorgio Welby, que implorou eloqüentemente aos líderes italianos para que permitissem que ele encerrasse sua vida legalmente, morreu na noite de quarta-feira após um médico tê-lo sedado e removido o respirador que o mantinha vivo nos últimos nove anos.

Mas Welby, 60 anos, um defensor da eutanásia que sofria de distrofia muscular há 40 anos, morreu sem a clareza legal que esperava obter. Na quinta-feira, horas após o anúncio da morte, legisladores conservadores deste país católico, com uma profunda oposição institucional à eutanásia, exigiram a prisão do médico.

Luca Volante, o líder do Partido Democrata Cristão, que tem fortes laços com o Vaticano, disse que a morte de Welby "não pode passar impune, no mínimo por ter sido cometida de forma violenta, escandalosa e exploratória".

Ele e outros acusaram o Partido Radical da Itália de transformar o pedido de Welby para morrer em uma campanha política em prol da eutanásia e outras opções para os doentes colocarem um fim à suas vidas.

Tal campanha era claramente a intenção de Welby: os líderes do Partido Radical estavam presentes na morte dele e supervisionaram seu anúncio aqui, na quinta-feira, 88 dias depois que Welby, um poeta e escritor, enviou uma carta veemente ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, pedindo por maiores direitos para os doentes terminais encerrarem suas vidas.

Apesar dos pedidos para sua prisão, o médico, Mario Riccio, um anestesiologista, disse estar "sereno" e confiante de que não será processado.

"O caso de Piergiorgo Welby não é um caso de eutanásia", ele disse aos repórteres daqui. "É um caso de recusa de tratamento."

"Não é uma exceção tratamento ser suspenso", ele disse. "Acontece todo dia", discretamente e sem a atenção pública do caso de Welby.

Nas semanas que antecederam sua morte, Welby buscou uma decisão judicial para esclarecer as leis contraditórias da Itália em relação a tratamento médico indesejado e para permitir que morresse como desejava.

Formas diretas de eutanásia, como suicídio assistido por médico, são ilegais na Itália e são apenas permitidas na Bélgica, Holanda e Suíça. Mas a lei italiana permite aos pacientes, exceto aqueles com problemas psiquiátricos e doenças infecciosas, que recusem tratamento que não desejam.

Mas especialistas dizem que a lei não permite que ninguém auxilie em uma morte, mesmo que com consentimento. Duas recentes decisões legais no caso Welby questionaram a legalidade de um médico remover o suporte à vida, mesmo mantendo o direito de Welby de recusar tratamento.

Alguns especialistas disseram que Welby tinha chance de apelar das decisões, mas que no final, ele decidiu morrer em meio à ambigüidade legal -aparentemente a desafiando. Há várias semanas ele disse que seu tratamento médico era uma "tortura" cada vez maior.

Welby, que escreveu milhares de textos em blog sobre direitos dos doentes terminais, morreu em Roma às 23h30, horário local, disse Riccio. Ele disse que cerca de 40 minutos antes ele injetou sedativos em Welby e então, em um momento não especificado antes de sua morte, desligou o respirador. A causa da morte, ele disse, foi falência cardiorrespiratória.

Ele morreu cercado por sua esposa, Mina, que cuidou meticulosamente dele por anos, além de parentes e membros do Partido Radical, que mantiveram seu caso nas primeiras páginas dos jornais italianos por meses. George El Khouri Andolfato

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