Países do Sudeste Asiático desenvolvem pacto regional antiterror

Carlos H. Conde
Em Cebu, Filipinas

Dez países do Sudeste Asiático estão reunidos elaborando um acordo regional antiterrorismo, disseram autoridades na quinta-feira, um dia após uma série de atentados terroristas no sul das Filipinas ter acentuado a necessidade de tal medida.

"Os terroristas apenas conseguiram o oposto do que desejavam", disse Victoriano Lecaros, um porta-voz do governo filipino. "Os ataques apenas enfatizaram a necessidade de tratar do terrorismo no Sudeste Asiático. Agora há uma urgência renovada em lidar com o terrorismo."

Os líderes dos 10 membros da Associação dos Países do Sudeste Asiático, ou Asean, considerarão a medida --a Convenção para Antiterrorismo da Asean-- em seu encontro de cúpula no sábado. O acordo visa melhorar a informação e a inteligência compartilhada entre os membros do grupo e encorajá-los a adotarem leis domésticas antiterrorismo, disseram as autoridades. Também tornaria mais fácil a repatriação dos suspeitos de terrorismo.

"O terrorismo global assumiu novas formas de virulência e nós cuidaremos para que a comunidade fique mais segura e resistente à ameaça do terror", disse Alberto Romulo, o ministro das Relações Exteriores filipino.

Bombas explodiram em três cidades do sul do país na noite de quarta-feira, matando oito pessoas e ferindo dezenas, disse a polícia. Nenhum grupo reivindicou responsabilidade, mas dois grupos islâmicos radicais, Abu Sayyaf e Jemaah Islamiyah, são suspeitos, disse uma autoridade, porque estiveram por trás de atentados semelhantes no passado.

A reunião dos ministros das Relações Exteriores, realizada antes do encontro de cúpula, discutiu a convenção na noite de quarta-feira. Os oponentes do acordo antiterrorismo temem que ele poderia ser usado para suprimir direitos humanos.

Um resultado das discussões foi que a Indonésia convidou vários países, incluindo as Filipinas, Malásia, Tailândia e Austrália, para um encontro em Jacarta, em março, para discutir o terrorismo na região.

Os ataques na quarta-feira na região de Mindanao, no sul, onde há um movimento separatista islâmico ativo, ocorreu após declarações nas últimas semanas da presidente Gloria Macapagal Arroyo de que seu governo fez progresso no combate aos terroristas.

"Eles tentaram enviar uma mensagem", disse Oscar Calderon, o chefe da polícia nacional, se referindo aos responsáveis pelo ataque. "Eles queriam embaraçar o governo devido aos encontros em Cebu."

A polícia e as forças armadas filipinas recebem ajuda financeira, logística e de inteligência dos Estados Unidos e da Austrália no combate ao Abu Sayyaf, que está abrigando membros do Jemaah Islamiyah. O Jemaah Islamiyah é uma rede terrorista do Sudeste Asiático que se originou na Indonésia e seria responsável pelos atentados em Bali, em 2002, que mataram mais de 200 pessoas. George El Khouri Andolfato

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