Persiste a questão da exibição dos nomes do 11 de Setembro

David W. Dunlap
Em Nova York

Na disputa em torno de como os nomes das 2.979 vítimas serão inscritos e arranjados no memorial do World Trade Center, o prefeito Michael R. Bloomberg contribuiu com uma verdade incontestável no mês passado.

"Não há resposta 'certa'", ele disse enquanto propunha sua própria solução imperfeita na condição de presidente da Fundação Memorial do World Trade Center.

Pegue a dúvida sobre se as idades devem ser incluídas, como em torno da Marble Collegiate Church na 5ª Avenida com Rua 29, onde plaquetas e fitas amarelas penduradas em uma cerca de ferro recordam os militares que morreram no Iraque.

Uma imagem se forma na cabeça da pessoa que as vê. Aquele sargento de 43 anos em uma fita provavelmente tinha filhos. O soldado de 19 anos da fita próxima poderia ainda estar morando com os pais. "Isto torna tudo muito mais palpável", disse Kim Sebastian-Ryan, que mantém o memorial.

Mas também há o risco das idades imporem uma hierarquia inconsciente e não declarada. Alguns podem achar que a morte de um adolescente é mais triste, já que uma vida promissora foi interrompida cedo demais. Outros podem considerar a morte de um pai mais trágica.

No ponto zero, nem idade, título, afiliação ou posição seriam especificados no plano apresentado em 2004 por Bloomberg, pelo governador George E. Pataki e Michael Arad, o arquiteto. Os nomes seriam organizados de forma aleatória em torno doS lagos do memorial, que marcam as localizações das torres, com distintivos ao lado dos nomes do pessoal uniformizado de resgate.

Muitos, talvez a maioria dos parentes das vítimas do 11 de Setembro são contra esse plano, incluindo Thomas S. Johnson e Howard W. Lutnick, que agora são membros do comitê executivo da fundação memorial. Lutnick é presidente e executivo-chefe da Cantor Fitzgerald, que perdeu 658 funcionários no ataque.

Uma grande coalizão de grupos de defesa representando parentes dos trabalhadores não uniformizados e civis -o Fundo de Ajuda Cantor Fitzgerald, o mais proeminente entre eles- apresentou seu próprio plano em 2004. Ele dizia que os nomes devem ser listados no local da torre apropriada e por afiliação (como Marsh & McLennan ou 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros), com idade e andar também gravados.

Enquanto isso, Stephen J. Cassidy, presidente da Associação dos Bombeiros Uniformizados, que deseja que os bombeiros sejam agrupados por unidade, está fazendo um lobby discreto junto às autoridades municipais e estaduais. Há quatro meses, ele apresentou seu argumento pessoalmente a Bloomberg. "Para crédito do prefeito", disse Cassady, "ele deixou claro para mim que concorda que algumas mudanças precisam ser feitas. Ele não se comprometeu comigo, mas disse que me ouviu e analisará o assunto."

Após se reunir com Arad e outros, o prefeito ofereceu uma proposta na qual os trabalhadores uniformizados seriam agrupados por unidade em torno do lago sul, sob designações gravadas como 54ª Companhia.

Os nomes dos que morreram na torre sul e a bordo do jato que a atingiu também ficariam em torno do lago sul, assim como os nomes daqueles a bordo dos vôos que caíram na Pensilvânia e no Pentágono, aqueles que morreram no atentado a bomba ao Trade Center em 26 de fevereiro de 1993, e aqueles cuja localização exata em 11 de setembro é desconhecida.

Ao redor do lago norte estarão os nomes daqueles que morreram na torre norte e no avião que a atingiu.

Os parentes podem ser listados juntos. Assim como colegas de trabalho, apesar de que o nome da empresa não seria inscrito, de forma que não haveria uma delineação precisa. Nem cargo, idade e localização no andar.

Em 13 de dezembro, o comitê executivo da fundação memorial adotou sua proposta de voto oral. Lutnick não votou nem a favor e nem contra. Ele se absteve.

"Listar juntos os nomes das vítimas do ataque na torre apropriada é certamente um passo positivo", ele disse em uma declaração divulgada pelo seu escritório, na terça-feira. "Mas tratar os civis mortos de forma diferente dos trabalhadores uniformizados ao ignorar as afiliações dos funcionários não faz sentido para as famílias das vítimas, e será menos significativo para as futuras gerações de visitantes ao memorial."

Johnson votou a favor do novo plano. "Com as vítimas cujas famílias desejam que sejam listadas juntas dispostas de forma adjacente, e com a remoção dos distintivos, que era questionável para muitos, esta é uma abordagem que espero que seja aceita pela maioria das famílias afetadas", ele disse depois.

É aceitável para a maioria dos familiares no conselho, mas não para Debra Burlingame, cujo irmão, Charles F. Burlingame 3º, era o comandante do avião que caiu no Pentágono. Ela disse que informação específica sobre as vítimas, incluindo a posição de seu irmão, deve ser inscrita no memorial.

Avaliado por mais de 30 e-mails enviados para a coluna Blocks por encorajamento de Bill Doyle, um advogado das famílias, o novo plano deixou parentes confusos e furiosos.

"As famílias, como sempre fizeram, como fizeram nos cartazes, como assinaram na viga mestra da Freedom Tower, identificam seus entes queridos por empresa, andar e torre", escreveu Michael Burke, o irmão do capitão William F. Burke Jr., da 21ª Companhia.

Alguns estão tão desanimados que disseram estar começando a se perguntar se querem que os nomes de seus filhos e maridos sejam listados.

Assim, o prefeito Bloomberg estava certo sobre algo quando anunciou o plano. "Eu não espero que todos fiquem contentes com ele." George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos