Novos dados tornam relatório sobre o clima ainda mais sombrio

Katy Human
Do The Denver Post

O planeta está aquecendo e é nossa culpa. O aquecimento está reduzindo gradualmente a oferta de água por todo o Ocidente. Os mares poderão subir até 58 centímetros até 2100, ondas de calor estão atingindo mais pessoas e furacões provavelmente ficarão mais fortes.

Isto é o que diz um relatório da ONU divulgado na semana passada. O
relatório também prevê um aquecimento de até 7 ºC. Durante a última Era
Glacial, a temperatura global era em média cerca de 5,5 ºC mais fria.

Se a situação está ruim, parece que ficará ainda pior.

Os autores do relatório não consideraram dados científicos publicados no ano passado, mostrando elevações maiores do que as esperadas no nível dos mares e do aquecimento em algumas partes do planeta.

"Antes disso, as pessoas diziam sobre o aquecimento provocado pelo efeito estufa, 'ah, eu não verei isto'", disse Pieter Tans, um pesquisador da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, em Boulder, Colorado.

"Agora, eu terei que lidar com isto durante meu tempo de vida e poderá
envolver, por exemplo, a perda da costa sul dos Estados Unidos", disse Tans.

O Painel Intergovernamental para Mudança Climática (Ipcc) divulgou na semana passada um resumo de 21 páginas de suas conclusões sobre o clima, com base em dados científicos publicados antes de 2006.

Os mais de 2.000 colaboradores precisaram de tempo para chegar a um
consenso.

Nos últimos 13 meses, estudos revisados por cientistas publicados em
revistas científicas indicaram:

- O derretimento do gelo permanente provavelmente enviará mais gases
responsáveis pelo efeito estufa para a atmosfera, aquecendo a Terra ainda mais rapidamente que agora.

- O gelo marítimo no Ártico está derretendo mais rapidamente do que muitos previam, assim como o gelo na Groenlândia.

-Incêndios florestais estão se tornando mais comuns nos Estados Unidos e podem liberar mercúrio tóxico no ar.

-A acidez dos oceanos está aumentando à medida que mais dióxido de carbono é absorvido por eles, desacelerando o crescimento de corais e outros organismos.

"À medida que ingressamos neste mundo mais quente que criamos, nós
começaremos a ver coisas que nunca vimos antes", disse Gerald Meehl, um
cientista climático do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica (Ncar), em Boulder.

"Estes processos são novos, nós não sabemos como funcionam", disse Meehl.

A Terra já está destinada a um futuro mais quente porque o dióxido de
carbono permanece na atmosfera por um século, disse Jerry Mahlman, um
cientista da Ncar.

Assim, para estabilizar o clima, disse Mahlman, "nós temos que reduzir nossa emissão de combustíveis fósseis em cerca de 70%, 75%".

"Não se trata de algo como reciclar seu lixo", ele disse.

O relatório climático da semana passada chamou a atenção dos líderes
mundiais e do público.

Ralph Keeling, um pesquisador da Instituição Scripps de Oceanografia em La Jolla, Califórnia, disse ter ficado surpreso com o grande interesse do público.

"Nós cientistas sentimos que ficou mais assustador e acho que o público
percebeu isto", ele disse.

Quando Keeling era um estudante de doutorado há cerca de 20 anos, ele disse, "havia um consenso de que estávamos no fim da Terra normal e entrando neste mundo estranho".

Meehl foi o principal autor de um capítulo no relatório do Ipcc, que mostra que a temperatura do planeta poderá subir de 1 a 7 ºC até 2100, dependendo de mudanças tecnológicas e no consumo de energia e do aumento da população.

"Quanto mais esperarmos", disse Meehl, "pior ficará o problema e mais terá que ser feito para detê-lo". George El Khouri Andolfato

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