Sucesso da série norte-americana "The O.C." acaba cedo

Joanne Ostrow
The Denver Post

Tão inteligentemente atual em um momento, tão surpreendentemente fora de moda no outro, a série "The O.C." será lembrada pelo grande impacto em uma vida tão breve.

Talvez devesse ter sido ainda mais breve: a série foi uma astuta observadora da cultura pop em 2003, decadente em 2006.

O episódio de quinta-feira, "The End's Not Near, It's Here" (o fim não está próximo, está aqui), é o último da série.

A fama pode ser fugaz, mas a aposta da televisão no público adolescente dura uma fração de segundo. O público é tão volúvel quanto a cobertura da celebridade Anna Nicole Smith, passando da adulação à zombaria da noite para o dia. Aqueles descolados o suficiente para amá-la na primeira temporada partiram na segunda temporada.

Adeus, jovens ironicamente conscientes de si mesmos e adultos com expressões e interpretações exageradas.

Adeus canções de bandas independentes chegando ao horário nobre por meio da série da Fox. Adeus, Summer e Seth; Sandy, sobrancelhas da Sandy e Kirsten. Vocês foram casais com os quais acabamos nos importando após as separações e reatamentos. Vocês eram interessantes até se tornarem um tédio.

No início, "The O.C." fez mais de que apenas transformar o gênero melodrama de família para TV em algo novamente divertido.

A série reinventou um herói estilo James Dean para o público moderno, fez o conservador Orange County da Califórnia parecer estranhamente badalado, deu o devido respeito a um nerd amante de quadrinhos, entre outras coisas.

Seu criador, Josh Schwartz, encantou os fãs na fantástica primeira temporada, quando aplaudimos seu diálogo distinto. Nós rezamos pelo retorno de tal qualidade ao longo da fraca segunda temporada e, finalmente, após os roteiristas tentarem uma série de reviravoltas ridículas, mais ou menos desistimos na terceira temporada.

Não que tenhamos nos cansado das brigas ou da melancolia de Ryan (Benjamin McKenzie). Nem que a interpretação de Melinda Clarke como a ardilosa Julie Cooper tenha perdido a capacidade de surpreender. Mas o momento passou.

Os produtores desistiram de qualquer aparência de credibilidade, passando para situações forçadas como as aventuras de Marissa (Mischa Barton) na bissexualidade e então morte.

Após a rede CW ter anunciado que considerou mas desistiu da renovação da série, "The O.C." decidiu partir com um estrondo. Há algumas semanas Orange County foi atingida por um terremoto. O episódio de quinta-feira se passa seis meses depois. Apesar do desastre natural, a audiência da quarta temporada continuou caindo.

Schwartz voltará -eles está escrevendo a série adolescente "Gossip Girl" para a CW e uma comédia de espionagem para a NBC. Ele está resignado com o fato de que séries de TV não duram para sempre.

Ainda assim, é possível que a direção da emissora tenha tido um papel nisto. Foram três mudanças de horário, além de uma aceleração forçada da ação durante a primeira temporada, quando a Fox queria maximizar a audiência de um produto obviamente popular.

Enquanto isso, o impacto da série da televisão em geral pode ser medido pelos seus clones: "Laguna Beach: The Real Orange County" da MTV e "The Real Housewives of Orange County" do Bravo continuam.

No início, a divisão de classes era a tensão mais crível da série, uma premissa forte que dava à história sua força. Um garoto pobre sensível e problemático vai parar em a comunidade rica fechada, emocionalmente inacessível e sem alma de Newport Beach, onde acaba ensinando tanto quanto aprendendo.

Mas no final, o laço fraterno entre Ryan e Seth (Adam Brody) apagou grande parte de tal tensão. Não que "The O.C." alguma vez tenha sido um estudo do cruzamento das divisões socioeconômicas. Mas a insipidez tomou conta. O ciclo de brigas e reconciliações de um punhado de personagens -freqüentemente enquanto passavam pela cozinha de vanguarda da família Cohen- se tornou rotineiro.

Segundo aqueles que continuaram assistindo, esta temporada foi mais recompensadora, os roteiros menos forçados. Os produtores concordam que a recente retomada criativa é uma forma gratificante de partir, apesar da audiência não ter sido recuperada.

Vamos aceitar a palavra deles.

Assim, como "Melrose Place" e "Beverly Hills 90210" (Barrados no Baile) antes dela -mas com mais sagacidade e humor autodepreciativo- "The O.C." se aposenta para os livros de trivia, em forma, bronzeada e jovem para sempre.

(Contate a crítica de TV do Denver Post, Joanne Ostrow, no endereço jostrow@denverpost.com.) George El Khouri Andolfato

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