Gore esnoba líder colombiano por causa de escândalo paramilitar

John Otis, do Houston Chronicle
Em Bogotá, Colômbia

Em meio ao crescente escândalo ligando o governo em Bogotá aos esquadrões da morte paramilitares, o presidente da Colômbia foi esnobado pelo ex-vice-presidente Al Gore, que se retirou de uma conferência ambiental em Miami porque o líder colombiano discursaria no evento.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está sendo atacado por alegações de que ele, seus parentes e alguns membros de seu ministério colaboraram com líderes das milícias paramilitares, que traficam drogas e mataram milhares de civis enquanto lutavam contra os rebeldes esquerdistas.

Chamando as acusações que associam o governo Uribe aos paramilitares de "profundamente preocupantes", Kalee Kreider, a porta-voz de Gore, disse que o ex-vice-presidente se retirou como orador do New America Alliance Green Forum, em Miami, na sexta-feira.

"Até que este capítulo muito sério na história seja encerrado, o sr. Gore não sente ser apropriado comparecer ao evento", disse Kreider.

O governo Bush considera Uribe seu principal aliado na América Latina e tem minimizado constantemente a gravidade do escândalo paramilitar. A Colômbia recebe cerca de US$ 700 milhões por ano em ajuda dos Estados Unidos, mais do que qualquer outro país fora o Afeganistão e o Oriente Médio.

Mas os democratas agora controlam o Congresso, após anos de liderança republicana, e têm sido muito mais críticos do governo colombiano e ameaçam suspender a ajuda e benefícios comerciais.

Na quarta-feira, o Senado votou pelo congelamento de cerca de US$ 55 milhões em ajuda militar à Colômbia devido, em parte, às alegações de que o comandante do exército do país, o general Mario Montoya, trabalhou estreitamente com os líderes paramilitares durante a operação contra os rebeldes marxistas na cidade de Medellín, em 2002.

Além disso, as preocupações americanas com direitos trabalhistas, incluindo alegações de que as autoridades de inteligência colombiana trabalharam com paramilitares no assassinato de líderes sindicais, poderá atrapalhar a aprovação pelo Congresso de um acordo comercial assinado pelos dois países no ano passado.

Até o momento, oito membros pró-Uribe do Legislativo colombiano foram presos, a ministra das Relações Exteriores renunciou e o chefe de inteligência, escolhido a dedo pelo presidente, enfrenta acusações de trabalhar com os paramilitares para fraudar eleições e assassinar esquerdistas.

Em uma audiência no Congresso na terça-feira, Gustavo Petro, um legislador de oposição, apresentou novas acusações. Ele alegou que Uribe, enquanto era governador do Estado de Antioquia nos anos 90, de ter autorizado a formação de várias organizações privadas de segurança que incluíam chefes paramilitares.

Ele disse que os paramilitares lançavam ataques sangrentos a partir de duas fazendas de propriedade da família Uribe e exibiu uma foto do irmão do presidente, Santiago Uribe, em uma festa com Fabio Ochoa, um conhecido traficante de drogas que posteriormente foi extraditado para os Estados Unidos.

A mais recente rodada de acusações, assim como a notícia da saída de Gore da conferência em Miami, levaram Uribe a realizar uma ofensiva na mídia em defesa de seu governo e da honra de sua família.

Em uma coletiva de imprensa realizada no palácio presidencial, em Bogotá, na noite de quinta-feira, transmitida pela TV para todo o país, um Uribe visivelmente irritado atacou seus críticos. Ele também pediu aos americanos que mantivessem a fé em seu governo, que bancou um processo de paz que levou à desmobilização de 31 mil combatentes paramilitares desde 2003.

Os políticos americanos, disse Uribe, "devem decidir se acreditarão na calúnia de que este é um governo paramilitar ou acreditarão nos fatos de que este é um governo que desmontou a estrutura paramilitar".

Na coletiva de imprensa, Uribe disse dispor de documentos de inteligência apontando que os políticos da oposição estavam exagerando a magnitude do escândalo paramilitar para assegurar a derrota do pacto comercial com os Estados Unidos no Congresso americano.

Ele insistiu que a maioria das acusações feitas por Petro é um exagero ou já foi investigada pelas autoridades colombianas, mas reconheceu a autenticidade da foto mostrando seu irmão ao lado de um famoso traficante de drogas. "Eu devo pedir perdão por erros cometidos, não por crimes cometidos", disse Uribe. George El Khouri Andolfato

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