Todo dia é Dia da Terra

Sandra Barrera,
Do Los Angeles Daily News

Melissa Bidermann assumiu o seu compromisso com o verde em 22 de abril de 1970.

Ela tinha 13 anos de idade no primeiro Dia da Terra, e a sua aula de horticultura na Escola de Segundo Grau George Ellery, em Woodland Hills, lembrou a ocasião pintando cartazes, distribuindo sementes e organizando uma cerimônia na quadra de esportes.

"O resultado daquilo foi nos conscientizar a respeito de coisas como o excesso de sacolas e fazer com que todos passassem a usar detergentes sem fosfato ou com baixo teor de fosfato, porque os fosfatos estavam matando todos os lagos e rios", recorda Bidermann, uma mulher de mentalidade "renascentista moderna", que ainda evita usar embalagens desnecessárias, utiliza produtos de limpeza naturais e recicla tudo sempre que possível.

Basta dar uma olhada nas três despensas da sua casa de fazenda de 1927, em Granada Hill, para que se encontre um arsenal de produtos de limpeza naturais: vinagre destilado, soda cáustica e limpador de banheiro a base de óleo de lavanda feito pela Life Tree, tão fragrante quanto qualquer sabonete da Yardley de Londres.

Elementos arquitetônicos são reutilizados em toda a sua casa, desde uma velha porta interior que ganhou nova vida com um novo vidro entalhado até mobílias que foram descartadas por outras pessoas.

No quintal, plátanos altos e frondosos ajudam a refrescar a casa nos dias quentes e a mantê-la quente nos meses frios, quando os ramos ficam desfolhados.

Várias fruteiras, pés de cerejas e outras plantas vicejam em um jardim orgânico, no qual há três depósitos de adubo composto. Um galpão de mudas próximo foi quase que inteiramente construído a partir de lixo encontrado na região de San Fernando Valley, incluindo janelas de uma fazenda de Simi Valley do início do século 20 e vigas do velho Rancho Sunshine, no sopé de Granada Hills.

"Atualmente, o reaproveitamento é uma onda generalizada, mas isso é algo que já fazemos há muito tempo", afirma Bidermann, apontando para o velho ancinho que ela usa como cabide e algumas pedras que já fizeram parte da estrada original.

"Você vê a pequena pegada de bebê? Ela estava na estrada quando retiramos essa pedra de lá". E, além disso, há a escultura do homem de lata em tamanho natural que fica em frente ao galpão. "Ele estava pendurado em uma árvore e um dia o vimos jogado ao lado da estrada. Alguém o pegou e o jogou ali", conta Bidermann.

O interesse nos estilos de vida mais verdes está aumentando quase tão rapidamente quanto a temperatura da Terra e a preocupação quanto ao destino do planeta. "Acredito que as pessoas estão mais conscientes hoje do que estavam antigamente", afirma Michael Besancon, presidente para a região do Pacífico da empresa Whole Foods Market. Ele afirma que Al Gore foi o responsável por conscientizar as massas para a questão do verde.

"Provavelmente o fato mais importante em relação ao aquecimento global não foi o documentário feito por Al Gore. Foi o fato de ele ter recebido um Oscar por isso. O filme foi visto em incontáveis residências. Antes disso havia milhões de pessoa totalmente ignorantes em relação a tais idéias", afirma Besancon.

Os especialistas em clima estão prevendo escassez de água, fenômenos climáticos de grande intensidade e outras conseqüências reais caso nada seja feito no sentido de reduzir a concentração na atmosfera de gases causadores do efeito estufa. As boas novas para os consumidores é que várias companhias estão neste momento lançando produtos e serviços que não agridem o meio-ambiente para atender a todos as esferas da vida humana, incluindo a doméstica.

O livro recém-publicado de Gay Browne, "Greenopia: The Urban Dweller Guide to Green Living" (algo como, "A Utopia Verde: O Guia do Morador Urbano para uma Vida Verde") foi uma reação direta ao aquecimento global.

O guia está disponível na versão impressa e na Web, e classifica as lojas, os restaurantes, os hotéis e outros fornecedores de serviços da região da Grande Los Angeles com um sistema de quatro folhas.

"Eu me envolvi com isso porque necessitava de uma melhor alternativa para determinadas coisas na minha vida que não paravam de surgir", explica Browne, que nasceu asmática e suspeita que o mercúrio contido nos sanduíches de atum que comeu quando estava grávida pode ter contribuído para o autismo ameno que aflige o seu filho mais velho.

Como resultado, ela construiu uma das primeiras casas ecológicas em Pacific Palisades e mais tarde se mudou para Santa Barbara, onde acrescentou à sua casa sistemas de filtragem de água, grandes janelas e radiadores em alguns dos banheiros, de maneira que a água aqueça o piso, reduzindo desta maneira a necessidade de um aquecedor central.

Angie Hicks, criador do guia do consumidor online Angie's List, diz que seguir a trilha do verde não tem que necessariamente custar uma fortuna. "Tudo se resume a coisas simples, como cortar a grama depois das 18h, porque os vapores da gasolina terão menos tempo para reagir com a luz do sol, ou cobrir com palha o solo do seu canteiro de flores, já que assim ele exigirá menos água", diz Hicks. "Recicle o seu papel, use recipientes de comida reutilizáveis. Essas são coisas que não custam dinheiro nenhum".

Os Bidermann estão encorajados por ver o ambientalismo retornar ao topo da lista das principais questões atuais. Mas até mesmo eles produzem duas sacolas cheias de lixo de cozinha por semana e compram uma torneira nova quando a bucha desta fica gasta.

Steve Bidermann, que trabalha como analista financeiro no Laboratório de Propulsão a Jato, diz que preferiria comprar uma bucha nova, mas as lojas Orchard Supply Hardware e Home Depot não vendem peças avulsas para esta marca específica de torneira.

"É um desperdício total", diz ele. "Deveríamos cobrar impostos sobre o consumo. O motivo pelo qual não usamos energia solar e eólica é o custo elevado. Em algum momento, a situação vai mudar, e começaremos a taxar o consumo, em vez de a produção, e as pessoas viverão mais de acordo com esse paradigma. Aquela torneira custará US$ 10, e as pessoas preferirão comprar uma nova bucha. As pessoas fazem aquilo que lhes interessa mais sob o ponto de vista financeiro". Com iniciativas como adubação e limpeza, um casal americano quer salvar o planeta

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