Norte-americanos criam estações de esqui na China e na Rússia

De Steve Lipsher e Julie Dunn, do The Denver Post
Em Breckenridge, Colorado

Quando lhe perguntam se fala russo, Roger McCarthy gosta de fazer piada:
"Niet. Acho que isso significa 'ainda não' ('not yet', em inglês)".

Mas o diretor das áreas de esqui de Breckenridge e Keystone, um homem que já viajou bastante, provavelmente aprenderá essa língua tão logo assuma o seu novo cargo como responsável pelo desenvolvimento da grandiosa estação de esqui Rosa Khutor, no sudoeste da Rússia.

"Temos que construir algo a partir da estaca zero, e sabemos o que aconteceu nesse país em 25 anos", diz McCarthy. "Essa é uma coisa que sempre está, no fundo, nas nossas mentes. Será ótimo construir tudo desde o início, e construir bem".

Há muito considerado um visionário no setor de estações de esqui, McCarthy, 57, está deixando a Vail Resorts no mesmo momento em que o ex-gerente da Keystone, Chuck Tolton, 54, se desloca para a China, a fim de trabalhar na criação de uma outra estação de esqui, a Ping Tian. Billy Mattison, 49, diretor assistente da patrulha de esquiação da Vail Mountain, está se juntando a Tolton na Ping Tian.

A demanda crescente por executivos da Vail para a construção de estações de esqui em mercados emergentes por todo o mundo reflete o status da companhia do Colorado como gigante do setor. Líderes da companhia estão sendo também contatados regularmente para dar opiniões sobre projetos.

"Toda vez que se fala sobre esquiação, o primeiro local que vem a cabeça costuma ser a Vail", afirma Thomas Ching, responsável pelo projeto de Ping Tian. "Estamos muito satisfeitos por ter contratado Chuck e Billy da Vail porque estamos realmente focados na criação de uma experiência norte-americana similar à Vail na China".

Funcionários da companhia são freqüentemente convidados para fornecer conselhos sobre novas estações de esqui e dar palestras em todo o mundo. Por exemplo:

- Em janeiro último o chefe da área de esquiação da Vail, Bill Jensen, deu uma palestra no Simpósio Internacional de Turismo em Zermatt, na Suíça.

- No final deste mês Luke Cartin, gerente de meio-ambiente da Vail Mountain, dará uma palestra sobre sustentabilidade na Federação Australiana de Esqui.

- A vice-presidente de marketing, Lucy Kay, tem dado palestras sobre marketing nos últimos anos no Congresso Mundial de Turismo de Neve e Montanha em Andorra, e em um fórum turístico em Davos, na Suíça - sendo que neste último as palestras são feitas em alemão.

- E a Beaver Creek enviou especialistas em Neve a Utah para ajudar na preparação de pistas de competição para as Olimpíadas de 2002, enquanto a porta-voz da companhia, Kelly Ladyga, prestou assistência com acomodações para a mídia.

"A Vail Resorts é a companhia para a qual se deve trabalhar nesta indústria", diz McCarthy. "O resto da indústria vê o Colorado como o padrão dourado, e a Vail Resorts é de fato a epítome deste padrão".

O diretor-executivo da Vail Resorts, Rob Katz, diz que não está surpreso com o fato de outras companhias correrem atrás dos talentos da sua companhia.

"Acredito que as companhias realmente excelentes acabam se tornando o alvo de pessoas que desejam contratar executivos", diz ele. "É algo de lisonjeiro. O que digo às pessoas daqui é que estou satisfeito em comemorar o fato de elas estarem seguindo para outras empresas, mas peço que eles deixem atrás de si uma liderança consolidada de forma que a companhia não apresente buracos. Quanto melhor desempenharmos as nossas funções, mais os nossos funcionários se tornarão atraentes para outras companhias".

McCarthy diz que está deixando a Vail porque aprecia a rara oportunidade de começar do início. Ele contará com o apoio de um par de oligarcas russos que deverão investir cerca de US$ 265 milhões. A Rússia é um dos três países finalistas para sediar as Olimpíadas de Inverno de 2014 na região de Sochi, e as competições de esqui seriam disputadas na estação de McCarthy.

"Esta é uma grande oportunidade de crescimento para mim", afirma McCarthy. "Estou no ramo há 35 anos, e tais oportunidades não surgem com muita freqüência".

Situada nas montanhas do Cáucaso, a apenas 30 minutos de carro da costa leste do Mar Negro, a estação de esqui deverá ser inaugurada em 2008 com três gôndolas, um teleférico de alta velocidade de seis lugares, além de três outros teleféricos tradicionais.

McCarthy, que ajudou a transformar Breckenridge na área de esqui mais popular dos Estados Unidos e a ressuscitar a estação de Mont Tremblant, no Canadá, antes disso, foi cortejado para ser o supervisor de vários projetos, desde a contratação e treinamento de funcionários para operações de estações de esqui até a criação de uma base para hóspedes com 6.000 leitos.

Localizada perto da Turquia e do lucrativo Oriente Médio e ligada por vôos diretos a Moscou e Frankfurt, Rosa Khutor está no meio de uma área russa emergente para a esquiação.

"Isso pode resultar na criação de uma indústria de esquiação que terá entre dois milhões e 70 milhões de esquiadores", afirma McCarthy, acrescentando que Keystone e Breckenridge sozinhas atraem atualmente mais esquiadores do que toda a Rússia.

A China é outro forte mercado emergente para a indústria internacional de esquiação, graças em grande parte à crescente população de classe média do país. Ping Tiam, que significa 'igual ao céu', está localizada na região de Xinjiang, noroeste da China, a cerca de três horas de avião de Pequim.

Ching e os seus parceiros pretendem investir cerca de US$ 300 milhões na área nos próximos cinco anos a fim de criarem uma vila ocidentalizada para turistas de inverno que contará com mais de 4,4 milhões de metros quadrados de área apropriada para a esquiação, além de três campos de golfe.

"Pretendemos oferecer uma experiência de montanha bastante ampla, algo que inexiste na China de hoje", afirma.

Pelo menos dois teleféricos e 748 mil metros quadrados de área esquiável deverão estar em funcionamento até novembro deste ano.

Tolton, que trabalha na indústria de esquiação do Colorado há mais de 30 anos, ingressou na Vail Resorts em 2000. Desde que assumiu as operações de montanha da Keystone em 2002, ele supervisionou a expansão da estação e as melhorias do equipamento para produção de neve e do parque local.

"Era hora de uma mudança", explica Tolton. "Me sinto bem ao pensar no progresso que fizemos em Keystone. Foi uma aventura".

Mattison, 49, que trabalhou para a Vail Resorts durante 17 anos, diz que enxerga em Ping Tian uma oportunidade que não existe mais na indústria de esqui do Colorado. "Fazer parte da criação da primeira estação de esqui da China é algo que supera os meus sonhos mais ousados", diz ele.

Não se sabe se outros executivos do setor de estações de esqui do Colorado se juntarão a McCarthy, Tolton e Mattinson.

Embora McCarthy afirme ter feito contato com vários dos seus colegas, sugerindo que estes se juntassem a ele no projeto da Rússia, o seu atual contrato impede que ele recrute talentos. "Katz, o diretor-executivo da Vail Resorts, disse que se eu fizer isso ele me mata", conta McCarthy.

McCarthy acredita que o seu maior desafio será criar um clima relaxante adequado a uma estação de esqui em meio à séria mentalidade de negócios da Rússia. "Precisarei entender a cultura russa", afirma McCarthy. "Durante algum tempo terei que trabalhar de terno". UOL

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