Republicanos e democratas confrontam-se em projetos de imigração

De Michelle Mittelstadt, do Houston Chronicle

Diante da aproximação do fim de um prazo para fechar um acordo sobre imigração, senadores republicanos e democratas divergiram na terça-feira (8/5) sobre a melhor forma alcançar seu objetivo para uma resolução da questão.

O líder da maioria do Senado, Harry Reid, democrata de Nevada, insistiu que o Senado iniciará na próxima semana um debate de 15 dias sobre política de imigração, apesar de a equipe bipartidária estar com dificuldades para fechar um acordo com a Casa Branca -e parece cada vez mais improvável que terminará seu trabalho nos próximos dias.

"Eles tiveram tempo suficiente para gerar algum tipo de alternativa", disse Reid.

Se nenhum acordo for fechado, o líder da maioria pretende retomar o projeto de imigração aprovado pelos senadores no ano passado. Se um acordo for firmado, substituirá o antigo projeto.

Entretanto, os republicanos criticaram a insistência dos democratas em avançar, dizendo que Reid deveria dar aos negociadores do comitê conjunto mais tempo para desenvolver um projeto palatável para os aliados dos imigrantes e os que favorecem uma forte fiscalização das leis contra a imigração ilegal.

O principal republicano do Comitê Judiciário do Senado ameaçou obstruir a votação se Reid reapresentar o projeto aprovado pelo Senado no ano passado.

"Há que haver um adiamento", disse o senador Arlen Specter, republicano da Pensilvânia, no plenário do Senado na terça-feira.

Outros republicanos não chegaram a tanto, mas deixaram claro que, se sua única escolha for votar a proposta do ano passado, então seus autores republicanos votarão contra.

"Não faz sentido votar um projeto que não fechará o assunto", disse o senador Lindsey Graham, republicano de Carolina do Sul. "A única coisa que resolverá a imigração e que corrigirá o problema será um novo projeto bipartidário."

O projeto de lei do ano passado não serve para muitos republicanos, em parte porque é considerado mais flexível que a proposta em discussão.

A senadora Kay Bailey Hutchison, envolvida na maratona de discussões a portas fechadas há dois meses com emissários da Casa Branca, instou Reid a abandonar seu plano.

"As negociações ainda não chegaram lá", disse a republicana do Texas. "Este é um assunto muito complicado, e se for preciso um pouco mais de tempo para conseguir alguma coisa cujas conseqüências são conhecidas, então acho que devemos ter mais tempo."

O senador Jon Kyl, republicano do Arizona, disse: "Isso é importante demais para que um prazo artificial mate o projeto."

Graham disse que estava cautelosamente otimista que um acordo poderia ser fechado, mas outros envolvidos nas negociações estavam mais pessimistas. O senador Mel Martinez, republicano da Flórida, avaliou as chances em "menos de 50%".

Os senadores, relutantes em discutir publicamente suas negociações, chegaram a um acordo provisório para um projeto que dá aos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais do país uma chance de eventualmente tornarem-se cidadãos.

Em uma concessão aos republicanos, a legalização não seria iniciada até que o governo cumprisse certas metas, como a contratação de mais agentes de patrulha de fronteira e a criação de um documento de identificação dos trabalhadores resistente à fraude.

Sob o acordo, os imigrantes ilegais teriam que esperar até 13 anos para conseguir legalizar sua situação. Ainda não está determinado o preço da multa a pagar e se terão que voltar para seu país natal para inscreverem-se.

Os negociadores também fecharam um acordo sobre a criação de um programa de trabalhadores temporários, alocando 400.000 vistos anuais para estrangeiros trabalharem nos EUA.

Entre os pontos mais controversos está a modificação do foco do sistema legal de imigração de décadas atrás. O Partido Republicano quer tirá-lo da reunião de família, em favor de um modelo que traga imigrantes com habilidades essenciais e educação.

Tal medida teria forte oposição de grupos de direitos de imigrantes, da Igreja Católica e de outros que insistem que a reunião de família deve continuar sendo tema central da política de imigração dos EUA.

A Câmara, em grande parte, ficou de lado no debate, esperando a conclusão do Senado antes de julgar sua própria legislação.

Vários republicanos conservadores e um democrata, Heath Shuler, da Carolina do Norte, advertiram na terça-feira contra a aprovação do que eles chamaram de "anistia de massa, em uma escala sem precedentes".

Os imigrantes ilegais devem ser deportados em vez de encaminhados para a aquisição eventual de cidadania, disse o deputado Lamar Smith, republicano de San Antonio. "Alguns querem até vender cidadanias para marginais, ao preço de uma multa. Eu me oporia a isso", disse Smith, principal republicano no Comitê Judiciário da Câmara. Deborah Weinberg

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