Mães sem capas

De Dong-Phuong Nguyen, do St. Petersburg Times

Tanya McGowan nuca gostou de se encontrar com as outras mães durante as reuniões no jardim de infância. As casas delas eram muito organizadas, os seus filhos muito bem comportados. Todo mundo estava sempre sorrindo.

"Era simplesmente esquisito", diz McGowan, mãe de Maya, de três anos. "Elas eram o estereótipo da dona de casa que não trabalha. Tinham quatro filhos e estes participavam de todas as atividades. Elas se reuniam constantemente e os seus filhos eram perfeitos. Todos eram perfeitos. Você não consegue caminhar na minha lavanderia sem tirar bagulhos espalhados pelo caminho".

McGowan, artista gráfica da área de marketing que mora nos subúrbios da zona noroeste de Tampa, descobriu recentemente um grupo de apoio online que fez com que se sentisse melhor: o grupo Unsupermons (algo como "não super-mães").

São mães que já gritaram com os filhos e deixam que estes comam batatas fritas. Elas tem várias sacolas acumuladas de roupas por lavar, e o dever de casa nem sempre é feito. A hora de dormir das crianças depende do momento em que elas terminam as tarefas.

O lema do grupo: "Mães imperfeitas criam filhos quase perfeitos".

"As mães estão cansadas daquela síndrome segundo a qual todos esperam que façamos tudo", diz Nicole Henry-Clark, uma mãe de Nova York que criou o site Unsupermons. "Esse novo tipo de mães não quer fazer tudo".

Em cinco semanas, quase 900 mães de todos os Estados Unidos ingressaram no grupo, incluindo algumas da área de Tampa Bay.

Entre elas está Pamela Moore Shear, uma mãe solteira de 27 anos de Saint Petersburg. Ela mora na casa dos pais, em Pinellas Park, onde divide um quarto com a filha, Raven, de um ano de idade.

"Não há espaço; a gente tem que saltar de um ponto ao outro, como se jogasse amarelinha, para chegar até a cama", diz Moore Shear. "O chão está repleto de sucrilhos Cheerios, mas eu procuro passar o aspirador no quarto de dois em dois dias".

Moore Shear conta que costumava se perguntar: "O que há de tão difícil quanto a ser mãe?".

"Agora percebo como eu estava equivocada", diz ela.

Moore Shear adora o apoio que recebe nos textos do Unsupermoms. Em um período de 15 dias, as integrantes enviaram 1.200 mensagens ao grupo. As mensagens abordavam diversos tópicos, por exemplo: cozinhar ou não, traição dos maridos e como irritar a sogra. E também questões financeiras, insônia, medicamentos e sexo.

Os e-mails são inspiradores e informativos, irônicos em relação a elas próprias e irritantes. E acima de tudo, são engraçados. Alguns incluem até mesmo fotos de casas bagunçadas.

Uma "unsupermom" reclamou de um cesto de roupa suja cheio de meias, sendo que nenhuma delas formava um par. Outra mulher respondeu: "Ei, eu acabei de assistir a um programa na HGTV hoje de manhã no qual um cara fez animais de brinquedo com meias e luvas sem par. Mas quem tem tempo para costurar?!!?"

E sobre as casas desarrumadas: Conheci uma garota que tem quatro filhos e que literalmente limpa a casa com um ancinho. Ela empilha toda a bagunça em um grande monte na sala e avisa aos filhos: "Vocês têm 15 minutos para tirar o que quiserem desta pilha e guardar. O resto vai para o lixo!". E foi exatamente o que ela fez.

Uma "unsupermom" perguntou: "Será que eu deveria me mudar em vez de limpar a minha casa?".

Elas enviaram tantas mensagens ao site sobre o vício dos maridos em videogames, roupas sujas e crianças excessivamente agitadas que batem nos irmãos mais novos que uma integrante fez um apelo: Por favor, retirem o meu e-mail da lista. Recebi 155 mensagens na minha caixa de entrada. Tenho seis filhos e estou esperando outro, e não tenho tempo para ler e-mails o dia todo.

Marlena Studer, uma ex-pesquisadora visitante da Universidade de Michigan, publicou um artigo neste ano no periódico "Pepperdine Law Review" sobre trabalho, responsabilidades familiares e o malabarismo das "unsupermoms".

Studer disse em uma entrevista que as mulheres que tentam fazer tudo são as mais sobrecarregadas. Segundo ela, todas as mães, "super" ou não, tendem a negligenciar as suas próprias necessidades.

"Temos um excesso de demanda para atender a todas as expectativas sociais", disse ela. "E às vezes nos esquecemos de tomar conta de nós mesmas. As mulheres que se preocupam com elas próprias e que ao mesmo tempo fazem algo de produtivo com as suas vidas são bons modelos de conduta para os filhos".
Rhonda Meek, uma mãe de 37 anos de idade, de Filadélfia, que tem dois filhos, acha que é possível fazer tudo.

As suas reflexões, sob o título "Self-proclaimed Supermom" ("Autodeclarada Super-mãe"), podem ser encontradas no selfproclaimedsupermom.type.pad.com.

Ela escreve sobre a criação dos filhos, sugere um livro de receitas para mães ocupadas e conta como foi a um clube de striptease com o marido a fim de estimular a vida sexual do casal.

Ela acorda às 5h30 para se preparar para o trabalho como diretora administrativa e, a seguir, deixa os filhos prontos para a escola. Ela tem um calendário com códigos coloridos para acompanhar a agenda familiar. O horário das crianças irem para a cama é 20h30. A lavagem dos pratos e a limpeza da casa são feitas todas as noites.

"Me considero uma super-mãe porque trabalho duro e me divirto intensamente", disse Meek em uma entrevista. "Faço tudo o que posso pelos meus filhos, a minha casa e encontro tempo para me cuidar".

Ela reconhece que nem todas as mulheres são capazes de atender ao seu padrão.

"Existem muitas 'unsupermoms' por aí", afirma Meek. "Não creio que o fato de as pessoas terem muita roupa suja empilhada e a casa bagunçada seja algo de ruim. O que ocorre simplesmente é que este não é o meu estilo de vida".

Emily Pateman, de Tampa, aprendeu a aceitar que a sua minivan fede. Alguém derramou suco no interior do veículo há algumas semanas e ela nunca encontrou tempo para limpá-lo.

O marido trabalha fora do país três semanas a cada mês, de forma que Pateman, 27, muitas vezes se sente como uma mãe solteira dos seus três filhos: Eli, de seis anos, Jean, de quatro, e Adam, de 22 meses. O dia dela começa às 6h, quando Eli começa a fazer o café e, a seguir, acorda a mãe.

"A partir daí, começa a corrida", diz ela.

Às vezes ela perde o estímulo, e é em tais momentos que realmente preza as suas colegas "unsupermoms".

"Felizmente eu fico muito assustada para bater nele realmente com força", escreveu ela após espancar Eli, quando este se recusou a limpar a minivan.
"Mas eu simplesmente não consegui me controlar. Ele não se calava, e a minha filha já vinha me desobedecendo, de forma que eu lhe disse que ele iria conosco ao Dinosaur World... Assim, acho que o que estou perguntando é como levá-lo sem deixar que ele acredite que saiu impune. Simplesmente não posso deixar que ele seja tão desbocado comigo".

Nicole Henry-Clark, a mãe de 34 anos, de Nova York, que tem quatro filhos e que criou o grupo Unsupermoms, conhece tudo sobre estresse. Ela deu início ao grupo online depois de um acontecimento especialmente estressante ocorrido na noite de 27 de março último. Os seus filhos de nove e sete anos ficaram tão travessos e agitados que ela os mandou para a casa dos avós, do outro lado da rua.

"Eles voltaram cerca de uma hora depois, com um sorriso de orelha a orelha!!", escreveu ela no site. "Socorro! Eles nunca me levam a sério!!!".

Henry-Clark administra uma organização de auxílio a mães que oferece de tudo, de serviços de babás a auxílio com a limpeza doméstica, e diz que as suas clientes não têm tempo para fazer todas as tarefas. Ela agora espera publicar um livro sobre as suas experiências, intitulado "Unsupermoms: Send the Kids on Vacation & Put on a Robe" (algo como, "As Não Super-mães: Mande as Crianças Saírem de Férias e Vista um Penhoar").

"Assim como o Super-homem na cabine telefônica, estamos saindo da cozinha e tirando o "S" do peito", disse ela em uma entrevista. "Somos ótimas mães, as crianças estão indo bem na escola. Mas não queremos ser consideradas super-mães. Isso é tão estimulante!!!".

Contatos com Dong-Phuong Nguyen pelo e-mail nguyen@sptimes.com UOL

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