Proteção das fronteiras é a nova tendência do mercado de produtos de segurança

De Hernan Rozemberg, do San Antonio Express-News
Em San Antonio, Texas (EUA)

Você está interessado em comprar o seu próprio avião espião, portátil e de alta tecnologia, o mesmo modelo atualmente usado pela Força Aérea dos
Estados Unidos no Afeganistão?

E quanto a um poderoso sistema de câmera de infra-vermelho que a Patrulha de Fronteira usa para detectar e prender aqueles imigrantes que entram ilegalmente no país?

Tudo isso está ao seu alcance. Isto é, se você tiver dinheiro.

Dezenas de companhias que produzem a última geração de aparelhos sofisticados nesta área chegaram nesta semana a San Antonio para participarem da Conferência e Exposição Global de Segurança de Fronteira, que foi encerrada na última quinta feira no Centro de Convenções da cidade.

"Este passarinho poderia fortalecer bastante o arsenal do Departamento de Segurança Nacional", disse Phil Macklin, da firma Applied Research
Associates, de El Paso, no Texas, segurando o Nighthawk, que parece um aeromodelo negro de 5,5 quilos e com uma envergadura de 66 centímetros.
Ele conta com um monitor GPS e duas câmeras que mostram imagens ao vivo no seu laptop - e custa apenas US$ 100 mil.

"Você pode construir o maior muro do mundo, mas ainda assim será necessário manter vigilância lá de cima a fim de detectar indivíduos que tentam furar o bloqueio", afirma Macklin.

A indústria de produtos da área de segurança nacional voltada para consumidores particulares está crescendo rapidamente. Espera-se que as vendas do setor saltem dos US$ 4,4 bilhões registrados no ano passado para US$ 6,7 bilhões em 2011, segundo a firma de consultoria Homeland Security Research, de Washington.

Enquanto funcionários graduados dos governos dos Estados Unidos, México, Canadá e Reino Unido se reuniam nesta semana para discutir a segurança das fronteiras, empresas privadas - muitas já detentoras de lucrativos contratos governamentais - exibiam a sua parafernália tecnológica em uma demonstração barulhenta.

Não se tratava de estandes típicos de convenções. Sem, havia os tradicionais brindes - canetas, broches e até ioiôs. E as companhias competiam para superarem as adversárias nas suas exibições.

Havia unidades móveis policiais e de bombeiros do tamanho de trailers. E o maciço veículo da Swat, que lembra um tanque de guerra, e não precisou de nenhum ornamento para chamar atenção.

Mas os objetos realmente fantásticos estavam um pouco além. O som de uma porta gigante se abrindo e fechando era na verdade uma barreira elétrica de 4,8 metros para veículos, destituída de sistemas hidráulicos e construída sobre uma fundação de concreto que fica a 60 centímetros sob o solo. A barreira de três toneladas ergue-se até um metro de altura em 1,6 segundos, afirma Ken Blair, da Robotic Security Systems.

Barry Walker esperava que esse encontro próximo com o ex-administrador de Segurança Nacional, Asa Hutchinson, o ajudaria a ampliar as chances de vendas do seu sistema de vigilância por vídeo.

Walker, presidente e diretor-executivo da Cognitive Video Technologies, com sede em Austin, disse que ele e outros parceiros fundaram a companhia há cinco anos, após concluírem que em um mundo pós 11 de setembro os serviços policiais necessitariam de imagens de alta definição para identificar as faces de suspeitos.

Eles desenvolveram sistemas de "análise de vídeo" e de "vídeo inteligente" que exibem fotos de alta resolução e fazem muito mais do que simplesmente gravar imagens. Autoridades aeroportuárias, por exemplo, poderão receber alertas sobre bagagens abandonadas. E nas fronteiras as câmeras poderiam distinguir se aquilo que está cruzando a fronteira é um ser humano ou um animal.

Os muros e cercas se tornaram o epicentro da última controvérsia sobre a questão das fronteiras, à medida que os governos continuavam sem se entender a respeito da quantidade e dos locais de instalação dessas barreiras - ainda que várias comunidades fronteiriças do sul do Texas se oponham ferrenhamente à idéia.

O que não faltou na exposição foram fabricantes de muros e cercas, cada um pronto a demonstrar como o seu projeto único é perfeito para a segurança nacional dos Estados Unidos. Nenhum deles parece estar mais preparado para dar um show do que Larry Vise, da Alabama Metal Services, cujo projeto de tela de metal é exibido ao longo de 19 quilômetros de fronteira na Califórnia, ao sul de San Diego.

"Durante sete anos ninguém foi capaz de penetrar através da minha cerca uma vez sequer", gaba-se Vise, cujo sorriso logo desaparece e dá lugar a uma expressão de aceitação resignada ao reconhecer que os imigrantes ilegais ainda poderiam passar saltando sobre a barreira de cinco metros de altura com a ajuda de escadas improvisadas. UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos