Congressistas colombianos acusados de promover milícias ilegais

De John Otis, do Houston Chronicle
Em Bogotá, Colômbia

As autoridades emitiram mandados de prisão na segunda-feira para cinco membros do Congresso colombiano, acusados de conspirar com as milícias paramilitares, enquanto uma revista divulgava que os líderes dos grupos que estão presos estavam ordenando assassinatos e traficando cocaína de suas celas na prisão.

Os fatos foram outro golpe contra o presidente Álvaro Uribe, que está lutando para assegurar centenas de milhões de dólares em ajuda americana e benefícios comerciais em meio a crescentes preocupações em Washington com as ligações entre seu governo e os paramilitares fora-da-lei.

Até o momento, mais de 30 atuais e ex-autoridades do governo, incluindo o chefe de inteligência de Uribe, estão na prisão ou enfrentando acusações de conspiração com as milícias. Outras duas dúzias de legisladores -entre eles o senador Mario Uribe, o primo do presidente- estão sob investigação.

"Entre 30 e 40 legisladores, talvez mais, irão para a prisão por ligações com os paramilitares", disse o vice-presidente Francisco Santos.

Os mais recentes fatos ocorreram após a tumultuada viagem de Uribe a
Washington, onde fez lobby pelo acordo comercial entre os dois países assim como pela ajuda militar.

Apesar de Uribe ser o maior aliado do governo Bush na América Latina, e amplamente popular em casa devido à sua linha dura contra os guerrilheiros marxistas, o líder colombiano enfrentou um duro questionamento em Washington por parte dos legisladores democratas, que atualmente controlam o Congresso americano. Uribe também discutiu com ativistas de direitos humanos, que acusaram seu governo de ser leniente com as milícias.

Esquadrões da morte do narcotráfico

Fundadas nos anos 80 pelos latifundiários e traficantes de drogas para combater os guerrilheiros, as milícias paramilitares logo se transformaram em esquadrões da morte do narcotráfico. Uma das maiores prioridades de Uribe é desmobilizar os 31 mil combatentes, mas o processo levou a uma série de revelações embaraçosas para seu governo.

Nova informação surgiu sobre como legisladores, governadores, prefeitos e vereadores - muitos dos quais aliados políticos de Uribe - colaboraram com os milicianos para influenciar eleições, roubar recursos do Estado e, em alguns casos, planejar massacres de suspeitos de serem simpatizantes das guerrilhas.

Os cinco membros do Congresso acusados na segunda-feira participaram de uma reunião clandestina com líderes paramilitares em 2001, na qual assinaram um documento prometendo trabalhar com as milícias para restabelecer "nossa pátria" e "construir uma nova Colômbia".

O procurador-geral Mario Iguaran disse que o documento fornece evidência de que os políticos e outros promoviam os grupos armados ilegais. Além dos cinco membros do Congresso, 14 outras pessoas, incluindo fazendeiros, prefeitos e um jornalista, foram acusados de assinar a declaração.

A revista "Semana" publicou transcrições de conversas por celular interceptadas de paramilitares presos que pareciam confirmar as acusações de que os comandantes das milícias operam uma vasta rede criminosa de dentro das prisões.

Em uma transcrição, um combatente paramilitar preso pressionou uma pessoa não identificada no outro lado da linha a vender uma carga de cocaína por 2 milhões de pesos colombianos - ou cerca de US$ 1.000.

Em outra, um paramilitar preso parece ordenar vários assassinatos enquanto falava por telefone com um homem, que respondeu: "Vale o que você disser. Se me disser para matar dois ou três por dia, eu mato dois ou três por dia".

As revelações podem representar um aumento das penas para os comandantes paramilitares. Apesar de serem acusados de promover assassinatos e massacres - crimes que normalmente resultam em penas de 40 anos - os líderes estão cumprindo penas de apenas cinco a oito anos por terem concordado em se entregar como parte de um acordo político. Mas eles podem perder estes benefícios caso cometam crimes na prisão.

Os milicianos citados nas transcrições são descritos como tenentes de
Salvatore Mancuso e outros líderes, e, disse a revista, "é difícil acreditar que não sabiam o que seus homens estavam fazendo". George El Khouri Andolfato

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