Empresas por todos os EUA unem forças pela imigração

De Eunice Moscoso
Em Washington

"Nós precisamos de trabalhadores." Este é o mantra de várias coalizões de empresas que surgiram por todo o país para fazer lobby no Congresso por uma legislação que reforme as leis de imigração do país e forneça trabalhadores estrangeiros temporários o ano todo.

O Senado está planejando debater um destes projetos nesta segunda-feira. Mas a legislação enfrenta muitos obstáculos.

Ela inclui propostas controversas para abertura do caminho para a cidadania para os imigrantes ilegais e redução da ênfase na lei de imigração americana na reunificação da família como meio para imigração legal e cidadania.

Os grupos empresariais -representando fazendas, hotéis, restaurantes, construtoras, indústrias manufatureiras, empresas de paisagismo e outras- estão unindo forças em diferentes Estados para enviar a mensagem de que sua sobrevivência depende dos trabalhadores imigrantes.

No Texas e Arizona, as coalizões estão veiculando propagandas em televisão que mostram pessoas dos setores de construção, hotelaria e restaurantes dizendo: "Eu preciso de trabalhadores". Os anúncios também exibem uma mulher na cozinha com uma sacola de supermercado dizendo: "Se quero verduras frescas, carne e laticínios, eu acho que os produtores rurais também precisam de trabalhadores".

Bill Hammond, presidente da Associação de Empresas do Texas e membro do Conselho de Empregadores do Texas pela Reforma da Imigração, disse que a coalizão surgiu devido à voz dos empresários locais não estar sendo ouvida sobre a questão.

"Simplesmente não existem americanos suficientes dispostos a trabalhar nos setores de agricultura, construção e hotelaria", disse Hammond. "Nós precisamos destes trabalhadores para poder continuar promovendo o crescimento da economia. É simples assim. As pessoas não querem telhar casas durante o verão do Texas".

Hammond afirma que a fronteira não estará segura a menos que os Estados Unidos promovam mais imigração legal para atender as necessidades dos empregadores.

Um grupo semelhante no Arizona inclui cerca de 100 empresários, associações setoriais e câmaras de comércio. A coalizão -Empregadores do Arizona pela Reforma da Imigração- exibiu forte apoio aos esforços de dois senadores republicanos do Arizona, John McCain e Jon Kyl, para elaborar uma legislação sobre imigração.

Outra coalizão de empresas foi lançada no início deste mês no Colorado e empresas de Oklahoma também têm uma organização semelhante.

Na Flórida, uma coalizão de empresas foi formada em fevereiro. O grupo -Empregadores da Flórida pela Reforma da Imigração e dos Vistos- conta com mais de 60 membros listados em seu site. Entidades setoriais que fazem parte da coalizão incluem a Associação de Restaurantes e Hospedarias da Flórida e a Associação de Viveiros e Paisagismo.

Tamar Jacoby, uma especialista em imigração do conservador Instituto
Manhattan para Pesquisa de Políticas, disse que os grupos empresariais estaduais são "enormemente importantes" para o esforço de mudança das leis de imigração do país.

Faz uma enorme diferença ter um dono de restaurante do distrito de um legislador visitando seu gabinete e falando sobre não ser capaz de abrir um segundo restaurante por falta de funcionários, disse Jacoby, que ajudou algumas das coalizões a se formarem.

"Eu acho que é uma das formas mais eficazes de influenciar os membros do Congresso", ela disse.

Mark Krikorian, diretor executivo do Centro para Estudos de Imigração, um centro de estudos de Washington que defende uma menor imigração, disse que as empresas americanas talvez tenham sido as participantes mais importantes no debate por 20 anos.

Por este motivo, ele disse, as novas coalizões estaduais provavelmente não farão muita diferença.

"O problema aqui não é falta de pressão da comunidade empresarial", disse Krikorian.

Além disse, o diretor afirma que a mensagem das coalizões estaduais poderá não ter muito impacto sobre o público porque, segundo as pesquisas, a maioria dos americanos acredita que as empresas teriam mais trabalhadores americanos se pagassem salários mais altos.

O projeto de lei de imigração no Senado permitiria a entrada de 400 mil trabalhadores estrangeiros nos Estados Unidos por períodos de dois anos.

Os trabalhadores temporários teriam que retornar aos seus países de origem por um ano entre cada estadia. Tal cláusula preocupa os grupos empresariais que estão à procura de trabalhadores que possam treinar e contar por vários anos sem interrupção.

Em uma concessão aos republicanos, o programa de trabalhadores temporários não começaria até várias medidas de segurança da fronteira serem implementadas, incluindo a contratação de milhares de novos agentes da Patrulha da Fronteira e o acréscimo de cercas ao longo da fronteira sul.

A legislação também inclui um artigo que, após muitos anos, limitaria a lei de reunificação da família a cônjuges e filhos menores de idade. É uma concessão aos críticos da imigração, que argumentam que há um amplo abuso de brechas na lei atual.

Na Câmara, os deputados Luis Gutierrez, democrata de Illinois, e Jeff Flake, republicano do Arizona, apresentaram um projeto de lei separado que também visa criar um programa de trabalhadores convidados para 400 mil trabalhadores.

O projeto de lei criaria uma categoria de visto -o H-2C- válida por três anos e renovável por mais três. Os empregadores devem tentar contratar trabalhadores americanos antes de fazerem o pedido por trabalhadores estrangeiros.

O projeto da Câmara fornece aos trabalhadores temporários e suas famílias um caminho para a residência legal e cidadania caso atendam certos requisitos. O projeto de lei do Senado não. George El Khouri Andolfato

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