À venda: castelo de US$ 78 milhões, vista magnífica, primeiro dono morto-vivo

De Al Lewis, do Denver Post

Não é todo dia que alguém coloca uma placa com a inscrição 'À Venda' no castelo de Drácula. Michael Gardner, diretor-executivo e presidente da Baytree Capital Associates, com sede em Nova York, está procurando o comprador certo para o Castelo Bran, na Transilvânia. O preço ainda não foi decidido, mas as ofertas anteriores teriam chegado na casa dos US$ 78 milhões (estacas, cruzes e alho não estão incluídos).

A fortaleza, construída em 1337, é a principal atração turística da Romênia. Isso porque foi ela que inspirou a história de Bram Stoker sobre um aristocrata sugador de sangue. O livro sacudiu o mundo quando foi publicado pela primeira vez em 1897. Desde então, ele nunca deixou de ser impresso e inspirou centenas de filmes, de 'Nosferatu' ('Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens', Alemanha, 1922) à série 'Buffy, a
Caça-Vampiros' ('Buffy the Vampire Slayer').

Segundo os boatos, o Castelo Bran também teria sido a moradia do Vlad, o Empalador, um nobre e cavaleiro da Idade Média que, segundo registros históricos, era um perito na arte perdida de fazer shish kebab com carne humana.

Que tipo de comprador estaria procurando este tipo de habitação sinistra? "Achei que você estivesse", disse rindo Gardner quando liguei para ele na última sexta-feira.

Gardner contou que havia me confundido com um outro Al Lewis, o ator já falecido que fazia o papel de Vovô Vampiro na série 'Os Monstros' ('The Munsters').

"Você está vivendo uma segunda vida", acrescentou ele.

Quando não está ganhando dinheiro em Wall Street, Gardner é produtor de teatro em Londres, Nova York e Las Vegas. Ele foi indicado para um prêmio Tony em 2003 pela sua produção da Broadway 'A Year wit Frog and Toad'. Mais recentemente ele produziu o show 'Sinatra at the Palladium' em Londres. E em 2002, Gardner foi o responsável pela produção de 'Dance of the Vampires' na Broadway, estrelando Michael Crawford.

Crawford teve um desempenho que lhe rendeu um Tony em 'The Phantom of the Opera', mas 'Dance of the Vampires' não foi um sucesso.

"Não são apenas os mortos-vivos que salivam ao sentir cheiro de sangue", escreveu um crítico de teatro do "New York Times" em 2002. "Aqueles que cultuam o desastre teatral, uma raça que faz com que Vlad, o Empalador pareça ser café pequeno, colocaram as presas de fora desde que começou a agitação em torno de 'Dance of the Vampires'".

"Aquilo foi na verdade um prejuízo de US$ 14 milhões", lamenta Gardner. "Foi bastante doloroso".

Perguntei a Mark Meyer, um advogado de Nova York que representa o atual proprietário, se ele conhecia qualquer episódio no qual Gardner tivesse lidado com vampiros antes de ter se engajado na venda do refúgio de Drácula.

"Eu sempre achei que ele fosse um vampiro", disse Meyer, em tom sério, referindo-se a Gardner.

"De fato, quando faço um negócio, estou sempre à procura de sangue", afirmou Gardner com uma gargalhada.

Gardner e Meyer representam os Habsburgos, uma dinastia que governou a
Europa durante séculos.

No ano passado o governo romeno devolveu o castelo ao arquiduque Dominic Habsburg, que passou parte da sua infância no local, mas que atualmente mora em um subúrbio de Nova York, onde trabalha como projetista industrial.

Os comunistas confiscaram o castelo da avó do arquiduque em 1948, e transformaram-no em um museu em 1950. Mas agora que o governo romeno ingressou na União Européia, a propriedade privada está novamente em voga.

No entanto, o arquiduque diz que a manutenção do castelo é muito cara para ele, de forma que espera encontrar alguém que se comprometa com a sua preservação histórica e que seja sensível às preocupações do povo romeno.

Gardner disse que entre os possíveis compradores estão firmas de investimentos, redes de hotéis e empresas de corretagem de imóveis.

A caça é legal nos arredores do castelo. Existe uma estação de esqui perto dos Montes Cárpatos. E há também muito terreno a ser explorado em volta da fortaleza -- nada tão sinistro ou cheio de maus presságios quanto o retrato pintado por Bram Stoker.

A Romênia está fazendo tudo o que pode para atrair investimentos em dólares à medida que mergulha no mundo ocidental. Um ano atrás, o governo romeno desejava construir um parque temático do Conde Drácula perto de Bucareste, mas não foi capaz de obter as verbas.

Ainda assim, a privatização continua sendo a palavra de ordem - seja no que diz respeito a hospitais sem fins lucrativos nos Estados Unidos ou aos bens que no passado foram confiscados pelos comunistas da antiga União Soviética.

Talvez um dia a Casa Branca também seja privatizada. A venda do castelo de Drácula demonstra que nem mesmo os mortos-vivos são capazes de escapar desta tendência.

"Muita gente parece ter problemas com a idéia da privatização do castelo", disse Gardner. "Eles vêem a fortaleza como um tesouro nacional. Seremos tão sensíveis quanto for possível. Mas a privatização é atualmente uma realidade e o direito a propriedade tornou-se muito, muito claro". UOL

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