Minha opinião sobre como Harry Potter acabará

De Colette Bancroft*

Nota inicial e importante: este NÃO é o capítulo final de "Harry Potter e as Relíquias da Morte". Eu não li o livro ou qualquer parte dele, de forma que não estou estragando nenhuma surpresa aqui. E não, eu não tenho uma cópia do livro que possa emprestar.

J. Pooley/The New York Time
Este epílogo é tirado completamente da minha imaginação, baseado nas minhas leituras dos primeiros seis livros de Harry Potter, apresentações de estudiosos de Potter na conferência Phoenix Rising em Nova Orleans, em maio, e o que gostaria que acontecesse.

Eu também fui influenciada pelos elementos míticos da saga de Harry Potter que, como muitos leitores notaram, refletem a jornada do herói como foi analisada por escritores como Joseph Campbell e Lord Raglan. A lenda do rei Arthur e a passagem de Arthur para Avalon após sua batalha final foram de particular importância.

Assim como os muitos comentários de J.K. Rowling de que ela sabia há muito tempo que a última palavra do último livro seria "cicatriz". (Apesar de ter dito em uma entrevista de 6 de julho que mudou de idéia: "Foi por muito tempo, mas agora não é. 'Cicatriz' está perto do fim, mas não é a última palavra".)

Eu estarei na fila na minha livraria local à meia-noite de sexta-feira, aguardando por uma das 12 milhões de cópias do último livro. Será que acertei algo aqui? Nós descobriremos no sábado (21 de julho).

"Não se esquecem, damas e cavalheiros, amanhã transformaremos besouros em botões", disse Hermione Granger enquanto seus alunos corriam pela porta.

Balançando a cabeça ternamente, ela começou a empilhar seus livros. Ela adorava ensinar Transfiguração em Hogwarts. Ela nunca se sentiu tão em casa em nenhum outro lugar.

Após a terrível batalha que acabou com a derrota de Voldemort há 10 anos, parecia que a escola nunca mais reabriria. Mas o mundo da bruxaria se uniu em prol dela mesmo enquanto enterrava seus mortos, e apesar de parte do castelo ainda se encontrar em ruínas, as crianças novamente aprendiam como usar seus talentos mágicos dentro de seus muros ancestrais.

Hermione ainda não tinha completado 30, mas fios grisalhos reluziam em seu cabelo castanho encaracolado. Os três anos em que ela trabalhou como uma auror após a batalha foram empolgantes, mas tiveram um preço. Parecia que, após a queda de Voldemort, os comensais da morte sobreviventes e
dementadores se tornaram mais poderosos por algum tempo, caçando insanamente seus inimigos em uma espécie de espasmo fatal.

Mas à medida que aqueles dias se recolhiam aos pesadelos, Hermione se casou com Ron Weasley. Quando descobriu que estava grávida, ela trocou os aurors pelo corpo docente de Hogwarts. Ela não poderia imaginar um local onde gostaria mais de criar seus filhos.

Ela estava esperando por Ron e pelos pequeninos quando um barulho no corredor a fez se virar de sua mesa, com um pequeno sorriso se abrindo em seu rosto.

Mas era apenas Draco Malfoy passando sorrateiramente pela porta, vestido no mesmo estilo severo com que Snape sempre se vestiu. Ele também assumiu a antiga posição de Snape: lecionando Defesa Contra as Artes das Trevas.

A maldição sobre o cargo parecia ter acabado. Após três anos no cargo, Draco estava vivo e são, apesar de seu rosto estar perpetuamente carregado de preocupação.

Seus pais, Lucius e Narcissa, eram pacientes no Hospital de São Mungo para Doenças e Ferimentos Mágicos por uma década, sem fim à vista, e a fortuna dos Malfoy tinha se esgotado.

Mas Draco não estava em Hogwarts apenas pelo salário. Hermione não precisava de legilimência para saber que ele também precisava da companhia que encontrou lá, talvez até mais do que ela.

Enquanto o som dos passos de Draco sumia discretamente, uma algazarra anunciava a chegada de sua família.

Ron passou pela porta, segurando as mãos dos pequenos gêmeos ruivos, que gritaram "Mã! Mã" com tamanho entusiasmo que soavam como uma dúzia de crianças. Em uma mochila porta-bebê nas costas de Ron se encontrava uma menininha com uma auréola de cachos castanho-avermelhados e olhos
incomumente aguçados para um bebê.

"Pronta para o dever?" disse Ron. "Fique de olho atento no Arthur aqui, Ele está tentando fazer a vassoura voar e ele conseguiu com que se levantasse do chão o suficiente para derrubar Bichento do escabelo."

"Só tenho mais uma coisa a fazer", disse Hermione rapidamente, folheando livros. "Eu alcanço vocês todos no campo de quadribol, treinador."

"O treino começa em meia hora", disse Ron. Então sua voz suavizou. "Ele não estará diferente, querida."

"Eu sei", ela disse.

Ron sorriu, tocou sua mão e então arrastou as crianças.

Levou algum tempo para ela subir as escadas até a torre mais alta. Ela caminhou da passagem escura para uma pequena sala redonda banhada pela luz das estrelas.

Suas janelas altas eram abertas para a brisa. Em uma beirada se encontrava empoleirada Fawkes, a fênix escarlate de Alvo Dumbledore, cantando seu canto adorável e marcante.

No centro do quarto se encontrava Harry Potter, dormindo. Ele vestia uma toga simples de estudante, e em seu peito, se erguendo e descendo ligeiramente com sua respiração, estava metade de um medalhão de prata.

Sua frente foi arrancada, mas dentro de seu oval reluzente uma foto mágica de Lily Potter sorria e aprovava com a cabeça.

Eles carregaram Harry para cá do campo de batalha há 10 anos e o colocaram na cama feita por Hagrid. Harry foi queimado até quase ficar irreconhecível, mas estava respirando.

Ao longo dos anos, as queimaduras foram lentamente curadas, graças a cada truque que a professora Sprout podia tirar de sua estufa, o cuidado atencioso de dezenas de amigos e às lágrimas de Fawkes.

Mas Harry nunca despertou. Ele parecia um exemplo de saúde, apesar de não comer nem beber. Nem Fawkes, que nunca saiu de seu lado.

A cor de Harry era boa, sua pele estava bem, seu cabelo preto tão rebelde quanto sempre, que Hermione aparava pessoalmente a cada semana.

Mas ele permanecia silencioso e imóvel. Todo encanto de cura de cada livro na biblioteca de Hogwarts foi cantado para ele. As estações passaram, seus amigos se casaram e tiveram filhos e o mundo da bruxaria se curou de seus graves ferimentos.

Harry dormia.

"Harry, sou eu, Hermione", ela disse, segurando sua mão e se aproximando de seu ouvido.

"Não importa que você não tenha conseguido salvar Neville ou", ela sussurrou, com a voz embargada, "ou Gina. Todos entendem. E Snape fez sua escolha. Ele tinha que morrer para salvar você. E você sabe por que".

"Por favor", ela disse suavemente, pela milésima vez, "volte".

Por um segundo ela achou que um leve franzido surgiu no rosto de Harry. Mas ela já tinha achado isto antes. Provavelmente foi a sombra de uma nuvem que passava, ou da asa escarlate de Fawkes enquanto se ajeitava, após o fim de seu canto.

Mesmo assim Hermione acariciou a teste de Harry, uma testa tão lisa e suave quanto as testas de seus bebês. Sem nenhuma cicatriz.

*Colette Bancroft é a editora de livros do 'Times' George El Khouri Andolfato

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