Computador mostra ser imbatível no xadrez

Kenneth Chang

Como exercício de futilidade, tente jogar xadrez com um programa de computador chamado Chinook.

Desenvolvido por especialistas em informática da Universidade de Alberta, no Canadá, o Chinook venceu enxadristas humanos em torneios há mais de uma década. Agora, em um artigo publicado na terça-feira (17/7) no site da Web Science, os pesquisadores dizem ter provado rigorosamente que o Chinook, em uma versão ligeiramente melhorada, não pode perder. Os oponentes, independentemente de sua habilidade, prática ou determinação, na melhor das hipóteses, podem empatar.

Em essência, isso reduz o xadrez ao nível do jogo da velha, onde a estratégia de jogo ideal foi codificada em uma série de regras imutáveis. Mas o xadrez - ou "draughts", como é chamado no Reino Unido - é muito mais complexo, com 500 bilhões de bilhões de posições de tabuleiro teoricamente possíveis; é o jogo mais complexo a ser resolvido até hoje.

Jonathan Schaeffer, professor de informática da Universidade de Alberta, iniciou seu estudo do xadrez em 1989, com a intenção de escrever um software que pudesse desafiar o campeão mundial de xadrez. Ele e seus colegas terminaram seus cálculos 18 anos depois, em abril.

"Do meu ponto de vista, graças a Deus que terminou", diz Schaeffer.

Mesmo com os avanços na computação das duas últimas décadas, ainda é impossível, em termos práticos, computar as jogadas de todas as 500 bilhões de bilhões de posições de tabuleiro. Em vez disso, os pesquisadores partiram da posição inicial e viram apenas as posições que poderiam ocorrer durante o curso normal do jogo.

"É uma prova computacional", disse Schaeffer. "Certamente não é uma prova matemática."

Por causa do vasto número de cálculos, os pesquisadores tiveram que copiar cada dado cuidadosamente. O erro de um único bit - tipo de coisa que ocorria a cada poucos meses - poderia render seu resultado incorreto, se não fosse encontrado e corrigido.

A versão anterior do Chinook, que depende de técnicas de inteligência artificial e do poder combinado de computação de muitos computadores, competiu no campeonato americano de 1990 e ficou em segundo lugar, depois de Marion Tinsley, campeão mundial que vencera todos os torneios que jogara desde 1950.

Essa façanha deveria ter dado ao Chinook o direito de desafiar Tinsley, professor de matemática da Universidade Estadual da Flórida, para o campeonato mundial, mas a Federação Americana de Xadrez e a Associação Inglesa de Xadrez recusaram-se a sancionar o jogo. Após muitas batalhas no mundo do xadrez, Tinsley e Chinook disputaram o título Homem-Máquina em 1992.

Tinsley venceu por 4 a 2, com 33 empates. As duas vitórias do Chinook foram apenas a sexta e sétima derrotas de Tinsley desde 1950. Em uma revanche dois anos depois, Tinsley retirou-se após seis empates, citando razões de saúde. Ele foi diagnosticado com câncer e morreu sete meses depois.

Em torneios subseqüentes, o Chinook triunfou habilmente sobre os desafiantes humanos, mas o jogo inacabado contra Tinsley deixou em suspensão se o Chinook era o melhor de todos os tempos.

A nova pesquisa prova que o Chinook é invencível no jogo tradicional de xadrez. Na maior parte dos torneios, porém, o jogo começa com três jogadas ao acaso. Para resolver o jogo tradicional, os pesquisadores utilizaram 21 das 156 aberturas de três jogadas, deixando um vão de esperança para os humanos, ao menos por enquanto.

Para Schaeffer, o próximo jogo que espera vencer é o pôquer. Na semana que vem, seu programa, Polaris, enfrentará dois jogadores de pôquer profissionais em um campeonato de homem contra máquina no Texas de US$ 50 mil(em torno de R$ 100 mil). Deborah Weinberg

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