Al Qaeda 2007: paralelos com o 11 de setembro, com uma grande diferença

De Eric Rosenberg, do Heart Newspapers
Em Washington

Deixando um pouco de lado a discussão sobre o potencial atual da Al Qaeda em relação a 2001 -questão levantada pela divulgação na semana passada de uma estimativa nacional de inteligência sobre o grupo terrorista-, o fato é que existem paralelos assustadores entre a Al Qaeda de hoje e a organização terrorista do período imediatamente anterior aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.



Os paralelos
- O grupo islamita encontrou um esconderijo seguro no qual planeja ataques e acumula dinheiro.


- Ganhando confiança, a Al Qaeda intensificou os seus ataques e a freqüência das mensagens públicas a respeito da necessidade de atingir os Estados Unidos e os seus aliados.


- O presidente e o Congresso dos Estados Unidos estão distraídos com outras questões. O presidente Clinton e o Congresso controlado pelos republicanos estavam concentrados na questão do impeachment, e o presidente Bush e o Congresso controlado pelos democratas estão absortos com a Guerra do Iraque.


- Em 2001, a Al Qaeda aproveitou o período de mudança de controle do governo, de Clinton para Bush, para finalizar e, finalmente, realizar o projeto relativo aos ataques do 11 de setembro. As transições de um governo para outro são historicamente períodos de meses de desconcentração, devido à troca maciça de pessoal e à mudança de prioridades. Faltam cerca de 16 meses para a própria transição de governo.


O deputado Peter Hoekstra, republicano do Michigan e ex-diretor do Comitê de Inteligência da Câmara, disse que "é muito perturbador" o fato de a Al Qaeda estar mais uma vez operando em relativa impunidade, desta vez no Paquistão.


"Quando tinham um abrigo no Afeganistão, eles preparavam e planejavam, e tiveram sucesso", afirmou o parlamentar.


"A Al Qaeda está poupando os seus recursos e ganhando ímpeto, de forma semelhante ao que fez durante e antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2000", afirma Bruce Hoffman, um especialista em terrorismo da Universidade Georgetown.


Uma diferença fundamental
De toda forma, enquanto no passado a Al Qaeda tinha a sua base no Afeganistão, uma nação remota e tecnologicamente atrasada, ela agora se abriga no Paquistão, um país muçulmano instável, dotado de armas atômicas e com uma história de negociatas nucleares secretas.


O Paquistão tem sido cada vez mais abalado pela agitação civil e pelos atentados suicidas a bomba, fomentados pela Al Qaeda e outros extremistas islâmicos, sendo que os mais recentes se seguiram a uma ação militar do governo contra uma mesquita cheia de extremistas. O líder do país, Pervez Musharraf, que conquistou o poder em um golpe militar em 1999, foi alvo de duas tentativas de assassinato.


Musharraf é um aliado-chave dos norte-americanos na batalha contra a Al Qaeda, embora os Estados Unidos estejam preocupados com a sua confiabilidade desde que o seu governo assinou um tratado de paz com chefes tribais de remotas províncias paquistanesas em 2006. Isso permitiu que remanescentes do taleban e da Al Qaeda se estabelecessem na região montanhosa e a utilizassem como uma base de operações. Embora o Paquistão garanta que exerce um controle rígido sobre o seu arsenal nuclear, a movimentação da Al Qaeda no país é desestabilizadora e gera a possibilidade de que armas nucleares possam ir parar nas mãos erradas.


"Eu detestaria pensar no que poderia acontecer caso o governo Musharraf caísse e um governo jihadista ou muçulmano radical assumisse o poder no Paquistão, passando a ter controle sobre um país com armas nucleares", diz Hoekstra.


O Paquistão não revelou publicamente o tamanho do seu arsenal nuclear, desenvolvido pelo país para neutralizar a superioridade militar da Índia, a sua inimiga histórica. Calcula-se que o país tenha até cem ogivas nucleares, a maioria delas fabricadas com urânio altamente enriquecido, e algumas feitas de plutônio dotado do grau de pureza necessário para a criação de armas atômicas.


As autoridades paquistanesas asseguram que, para contarem com maior segurança, armazenam os componentes das bombas nucleares em locais diferentes, de forma que essas armas jamais estejam totalmente montadas. Mas, conforme conclui a Federação dos Cientistas Americanos, "ninguém foi capaz de ter certeza quanto à validade das garantias apresentadas pelo Paquistão quanto à segurança das suas armas nucleares".


Preocupante histórico bélico-nuclear
O Paquistão já conta com um histórico preocupante no que se refere à venda de tecnologia de armas nucleares. Em 2003, agências de inteligência dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha desbarataram uma rede de mercado negro nuclear liderada por A.Q. Khan, que já foi o principal cientista nuclear do Paquistão.


Khan vendeu segredos nucleares -centrífugas de urânio, projetos de bombas e urânio- para Irã, Coréia do Norte e Líbia, por meio de uma rede global de intermediários.


Thomas Simons, um ex-embaixador dos Estados Unidos no Paquistão, diz que é improvável que autoridades paquistanesas vendam ou forneçam armamento nucleares à Al Qaeda ou a outros grupos islamitas.


"O mais preocupante é a crescente instabilidade desse país de 155 milhões de habitantes. A tolerância do país em relação à Al Qaeda e outros elementos extremistas está apodrecendo o Estado paquistanês", denuncia Simons. "Isso é um veneno para eles. E a decadência do regime de Musharraf cria esta instabilidade". UOL

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