Roqueiros adolescentes organizam suas vidas em torno da música

Ricardo Baca

Como se ser adolescente não fosse suficientemente duro.

Além de enfrentar aulas de matemática, pais difíceis e uma paixão na quinta série sentada duas carteiras à frente, alguns adolescentes também precisam se preocupar em compor sua próxima canção de sucesso, com os ensaios de suas bandas de rock, em marcar turnês e a paixão já mencionada presente na primeira fila do próximo show da banda.

E nem falamos sobre lição de casa.

Esta é a vida do adolescente roqueiro, um fenômeno da indústria musical que é incomum mas não desconhecido. Apesar de já termos visto os Joe Simpsons e Joseph Jacksons do mundo com suas abordagens maquiavélicas para transformar seus filhos em astros pop, muitos músicos com menos de 18 anos não são conduzidos por tais forças.

Crianças sempre tocaram música, mas raramente tal música sai do porão. Aqui estão quatro casos proeminentes de crianças que se destacaram:

JACKSON 5
O que fizeram: Os originais - Jackie, Tito, Jermaine, Michael e Marlon - também foram os melhores.
Onde estão agora: Onde não estão? A nota mais relevante é que Michael estaria contemplando sua turnê de retorno.

PATRIDGE FAMILY
(Família Dó-Re-Mi)
O que fizeram: Somando a aparência de David Cassidy e o timing humorístico de Danny Bonaduce, estas crianças foram mais conhecidas por "I Think I Love You".
Onde estão agora: Bonaduce é o de paradeiro mais conhecido do grupo, com seus programas de rádio e aparições bizarras em programas de reality show.

HANSON
O que fizeram: Zac, Taylor e Isaac - 11, 13 e 16 anos de idade em 1997 - emplacaram "MMMBop" na rádio FM.
Onde estão agora: Ainda lançando discos. "The Walk" foi lançado na terça-feira pela Cooking Vinyl.

EISLEY
O que fizeram: Formada em 1997 quando a cantora-tecladista Stacy DuPree tinha apenas 7 anos, o Eisley - composto de outros irmãos de DuPree, Sherri, Chauntelle e Weston - já lançou dois discos pela Warner Bros.
Onde estão agora: "Combinations" será lançado em 14 de agosto. O novo single, "Invasion", está tocando no momento nas rádios FM.
BALANÇANDO O BERÇO
AO LONGO DOS ANOS
Para as adolescentes do Smoosh, tudo se trata de amor pela música. "Eu nunca tenho tempo suficiente no dia", disse Asy, 15 anos, que canta e toca teclado no Smoosh, uma banda de Seattle que tocará no Hi-Dive na terça-feira. "Não dá para fazer a lição de casa no carro, então preciso esperar até chegarmos a um hotel - ou a faço nos locais das apresentações. Nós temos um computador que a família toda usa, um Apple, e isto facilita as coisas."

Adolescentes em bandas não é algo novo. Mas continua sendo um caso à parte interessante, porque assim como Michael Jackson e seus irmãos foram subprodutos de sua geração pop encontra rhythm and blues, o Smoosh também é um produto direto de muita música que está sendo criada atualmente. Vindas da Costa Noroeste do Pacífico fã de rock independente, as irmãs adolescentes Asy e Chloe fazem música tão inteligente quanto contagiosa.

Fica óbvio ao escutar a música do Smoosh que suas influências de Seattle/Portland/Olympia estão cimentadas em um local de veneração. As canções refletidas insinuam infâncias passadas ouvindo não apenas Modest Mouse e Shins, mas Nirvana e Minders. O fato do professor de bateria de Chole ter sido Jason McGerr, do Death Cab For Cutie, faz um perfeito sentido. Tal conexão e o talento natural as ajudaram a ser contratadas pelo selo independente Barsuk Records, onde atualmente estão ligadas a outra grande influência, os companheiros de selo Mates of State.

O Smoosh está excursionando pelos Estados Unidos com o Aqueduct até chegarem ao festival Lollapalooza em Chicago - com seus pais dirigindo a van e cuidando para que as verduras e legumes sejam comidos­ - mas as garotas têm outra coisa em mente.

"Nós já gravamos quase metade do novo CD, porque eu tinha algumas canções prontas, mas agora preciso compor as demais do disco, e realmente não sei quando vou conseguir fazer isto", disse Asy, que só usa o primeiro nome nas entrevistas para manter seu anonimato - assim como o de sua família. "Vai ser divertido porque vou fazê-lo realmente diferente - não apenas piano, bateria e vocais".

"Nós já temos um trompetista e talvez acrescentaremos escaleta, um acordeão e mais instrumentos de sopro e uma guitarra - praticamente todo instrumento legal que puder encontrar".

O equivalente mais bruto do Smoosh na Costa Leste é o Care Bears on Fire, um trio adolescente saído do Brooklyn que reza no altar do Ramones, Sonic Youth e Donnas. A música delas é mais simples e suas letras evocativas de sua vida escolar e visão de mundo nascente. Mas enquanto o Smoosh contempla seu lugar no mundo, as Care Bears on Fire apenas o grita.

"Eu escuto muito Gang of Four, Dead Kennedys, Joan Jett, Sex Pistols, Ramones, Patti Smith - eu realmente gosto dela", disse Izzy, 12 anos, que toca bateria e faz vocal de apoio para a banda. "Eu adoro a voz da Patti. É realmente lindo e gosto dos ritmos dela. A música dela é realmente ótima para pular e gritar".

Izzy ganhou seu primeiro violão quando tinha 7 anos, mas "ela não gostou muito porque não conseguia tirar o som que queria", disse sua mãe, Elissa. Então ela descobriu a bateria. Aos 8 anos, ela foi para o Acampamento de Rock and Roll para Garotas em Portland, Oregon. O grupo sem fins lucrativos se concentra em fortalecer a auto-estima por meio da música, compondo e tocando.

"Foi um acampamento realmente fantástico onde a gente passava grande parte da manhã ensaiando e sempre havia pessoas cantando ou atuando como DJ, e então almoçávamos e depois era hora das bandas tocarem", disse izzy.

"Certa vez o Donnas tocou, em outra foi o Decemberists, o que foi realmente legal. Então era hora da oficina - seja de auto-imagem ou de mulheres no rock, de produção de fanzine ou de autodefesa".

As adolescentes formam bandas e compõem canções e fazem um show de rock no final do acampamento. Quando Izzy chegou em casa, algumas de suas amigas tinham participado de acampamentos semelhantes de criatividade e artes e queriam montar uma banda.

Seus pais foram receptivos à idéia, mesmo que não aos decibéis.

"Quando ela voltou, foi tipo: 'Não se preocupe, mãe. Eu sei exatamente o que fazer em um show de censura livre, quero uma tatuagem de aranha e sei como me comportar na pista", disse Elissa, a mãe de Izzy. "Ela nunca foi uma criança do tipo que gostava de participar de esportes coletivos. Ela não queria vestir uniforme e não gostava de competição. A família do pai dela é toda de músicos clássicos e ficamos felizes por gostarmos da música pela qual ela estava interessada".

"Muitos adolescentes da idade delas não sacam o que elas fazem, porque estão escutando Britney Spears e nem sabem quem é o Fugazi. Isto torna as crianças até certo ponto 'estranhas', mas acho que isto faz bem para a composição, eu acho".

As Care Bears on Fire não têm uma gravadora e ainda não progrediram a ponto de excursionar. Mas a música delas está chegando ao ponto em que ambos serão opções. Suas canções falam de tudo, de ter um namorado por cinco minutos a viver sob o governo Bush. E tal mistura de pontos de vista torna a banda única neste jogo.

Ainda assim, suas dificuldades são as mesmas de qualquer outra banda adolescente.

"Às vezes é difícil quando temos um longo ensaio, você chega em casa realmente cansada e ainda tem toda a lição de casa e que ir para a escola no dia seguinte", disse Izzy. "É difícil encontrar tempo para sair com as pessoas. Você quer atuar, dançar e praticar seu instrumento e encaixar tudo isto em torno da banda, mas nunca consegue". George El Khouri Andolfato

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