Imigrantes latinos nos EUA ganham mais hoje

Tony Castro
Em Los Angeles

Os imigrantes latinos nascidos no exterior fizeram progressos salariais significativos em relação aos imigrantes de uma década atrás, segundo um estudo divulgado na última terça-feira. A porcentagem de trabalhadores imigrantes latinos na extremidade inferior da escala salarial caiu 6% de 1995 para 2005, segundo o relatório do Centro Hispânico Pew, sediado em Washington.

Em termos de renda, a proporção de imigrantes latinos que ganham entre US$ 8,50 e US$ 16,20 por hora aumentou cerca de 5%. "A assimilação é real", disse o pesquisador Rakesh Kochar, do Centro Pew, um grupo de pesquisa apartidário. "Ela funciona".

A face dessas conclusões está em trabalhadores como Juan Lopez Morales, 29, de Sun Valley, que trabalhou na construção na maior parte dos cinco anos desde que emigrou do México. "Eu ganhei quase US$ 40 mil no ano passado - o máximo que já ganhei", ele disse.

Embora isso às vezes signifique trabalhar 12 horas por dia e às vezes passar semanas sem trabalho, ele aceita. "Não estou me queixando", ele disse. "Tenho uma família jovem. Meus sacrifícios são por eles".

O relatório do Centro Pew se baseou principalmente numa comparação de dados do Censo dos EUA de todo o país, sem divisões geográficas específicas. Ele surge poucas semanas antes do reinício do debate sobre a nova lei de imigração no Congresso. Os adversários da imigração há muito afirmam que os imigrantes tendem a empurrar os salários para baixo, especialmente entre os trabalhadores de menor renda.

Ao fornecer combustível contra esse argumento, o relatório suporta a tendência tradicional dos imigrantes nos EUA desde a onda de imigração européia na primeira metade do século 20: os imigrantes recém-chegados historicamente estiveram na faixa inferior da escala de renda e fizeram um progresso constante ao longo desse tempo.

O relatório também documenta a recente onda histórica de imigração.

Quanto a Morales, ele também parece salientar algumas das conclusões contraditórias do relatório. Os trabalhadores latinos recém-chegados têm muito menor probabilidade de ganhar salários baixos em 2005 do que em 1995, aponta o documento, em parte porque são mais velhos, mais instruídos e têm maior probabilidade de trabalhar na construção do que na agricultura.

Mas apesar do claro movimento na faixa média da distribuição salarial, muitos latinos nascidos no exterior continuam na faixa inferior de renda. O número atual de trabalhadores latinos na extremidade inferior da escala de pagamentos aumentou em 1,2 milhão em relação a uma década atrás. Mas o relatório disse que são cerca de 6 mil a menos do que se esperava, com base no crescimento da população latina nascida no exterior.

O relatório também não fez distinção entre imigrantes legais e ilegais, disse Kochar, nem tenta determinar o impacto da força de trabalho estrangeira sobre os trabalhadores nascidos nos EUA.

Além disso, os pesquisadores da Pew não encontraram mudanças significativas de 1995 a 2005 entre os latinos e afro-americanos nascidos nos EUA, pois a metade de cada um desses grupos continua nos níveis salariais baixo e baixo-médio.

Enquanto isso, os brancos não-latinos nascidos nos EUA continuam no topo da escala salarial.

Em 2005, quase um quarto dos trabalhadores brancos não-latinos estavam na faixa de salários mais altos, o que segundo o relatório era mais que o esperado, dado o aumento populacional mais lento e outros fatores.

O relatório disse que o maior sucesso entre imigrantes é o dos asiáticos nascidos no exterior, que aumentaram significativamente sua presença na força de trabalho com altos salários. Um terço dos asiáticos nascidos no exterior estava no grupo de salários mais altos, ganhando mais de US$ 24,03 por hora em 2005, contra um quarto deles uma década antes. Recém-chegados têm menor probabilidade de conseguir trabalho desqualificado e mal-pago Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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