Na Fórmula 1, pilotos correm contra o adversário emocional

De Brad Spurgeon
Em Istambul, Turquia

A temporada da Fórmula 1 prossegue com o Grande Prêmio da Turquia, neste domingo, e as equipes esperam que o intervalo de verão (no Hemisfério Norte) de três semanas tenha acalmado os ânimos, após incidentes nas duas últimas provas terem mostrado por que grandes pilotos precisam de frieza, psicologia e autodisciplina.

Oliver Multhaup/AFP 
O clima entre Massa e Alonso azedou, após disputa pela vitória no GP da Europa


Lewis Hamilton, o líder do campeonato, se recusou a seguir uma ordem de sua equipe McLaren no Grande Prêmio da Hungria, em 5 de agosto. Então, seu companheiro de equipe, o espanhol Fernando Alonso, perdeu a calma e bloqueou Hamilton no box.

Na prova anterior, o Grande Prêmio da Europa, em Nürburgring na Alemanha, uma discussão fora da pista sobre um pitstop mal feito levou à demissão de Scott Speed, um piloto americano da equipe Toro Rosso. Na mesma corrida, uma discussão em torno de pilotagem agressiva entre os dois primeiros colocados na prova, Alonso e o brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, aumentou a tensão entre eles.

Em um esporte de alta velocidade, ânimos e emoções geralmente vão às alturas. Mas as conseqüências de um ataque intencional ou um erro pessoal geralmente são negativas. Este é o motivo para equipes e pilotos disporem de uma variedade de truques e técnicas mentais para o autocontrole.

"No momento em que você comete um erro, você precisa aceitar o erro", disse Alexander Wurz, um piloto da equipe Williams. "Se você se amargurar a respeito mesmo por uma curva a mais, geralmente você comete outro, outro e outro erro. Mas isto é muito fácil de dizer nesta entrevista e muito difícil de lidar lá fora."

A maior decepção pode ocorrer quando um piloto perde a liderança de uma vitória certa, como ocorreu com Massa restando cinco voltas para o final da prova na Alemanha, quando Alonso o passou. O campeão Damon Hill, inglês, perdeu a vitória na Hungria em 1997, depois que seu carro quebrou na última volta.

'NÃO MIME DEMAIS O PILOTO'
Reuters
Na foto, Massa é recebido por membro da Ferrari, após a pole no GP da Turquia.
"Você nunca trata [o piloto] de forma mimada, você o trata de forma direta, dá uma ordem, como nas forças armadas, e se os tempos estão piorando, você diz: 'Retome seu ritmo'", diz o direto esportivo da equipe Super Aguri, Graham Taylor
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"Nada está decidido antes da bandeira quadriculada", disse Hill. "Você pode estar na frente, mas enquanto a corrida está em andamento, você não venceu. Então é um truque psicológico não considerar qualquer resultado até que tenha terminado."

Wurz disse que um piloto também aplica tal raciocínio em outras situações. Antes do treino de classificação, quando ele pode temer cometer um erro em um momento crucial, ele disse, ele lembra a si mesmo que já fez aquilo centenas de vezes e que o profissionalismo tranqüilo o guiará.

"É uma disputa interminável contra sua própria mente", disse Wurz. "Todo esporte é: golfe, tênis, mesmo corridas de 100 metros - onde você pensa que tudo se resume a simples força, ela precisa também estar presente na mente. Especialmente a Fórmula 1 é bastante guiada pela mente."
Graham Taylor, o diretor esportivo da equipe Super Aguri, disse que há diferentes abordagens de comunicação com um piloto para mantê-lo concentrado.

"Você nunca o trata de forma mimada", ele disse. "Você o trata de forma direta, profissional. Você dá uma ordem. É como estar nas forças armadas.
Você transmite a informação mecânica. Se você vê que os tempos estão piorando, que ele investiu emocionalmente na situação, você diz: 'Retome seu ritmo'."

Mas diferente de muitos outros esportes, os pilotos freqüentemente podem culpar seus carros por serem mais lentos que os carros dos adversários. Foi a desculpa de Massa para ser ultrapassado em Nurburgring, após começar a chover, restando poucas voltas para o final.

Mas Mark Webber, que pilota para a equipe Red Bull, disse que o piloto sabe quando é seu o erro, independente do que possa dizer. "Você sabe distinguir quando podia ter feito um trabalho melhor e quando era inevitável." George El Khouri Andolfato

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